O Google X, o mesmo laboratório que, entre outros projetos, deu forma às lentes que medem níveis de glicose em diabéticos, acaba de se engajar em mais uma iniciativa ligada à saúde, desta vez mais nobre: desenvolver uma tecnologia capaz de ajudar na detecção precoce do câncer e outras enfermidades complexas.

Sendo mais exato, os pesquisadores do Google querem criar nanopartículas magnéticas que, uma vez em circulação no organismo, “patrulham” o corpo em busca de células, proteínas ou outros tipos de moléculas que indiquem a formação de tumores ou anormalidades.

O “nano” aqui não é exagero: estas partículas deverão ter um milésimo da largura de um glóbulo vermelho. O plano é construí-las à base de óxido de ferro e revestí-las com um material que facilite a sua locomoção e a ligação às células. A sua inserção no organismo poderá ser feita a partir da simples ingestão de uma pílula.

Paralelamente, o Google planeja desenvolver um “dispositivo vestível” que possibilite o rastreamento das nanopartículas e a consequente coleta de dados.

Sabendo dos questionamentos éticos que tecnologias como esta levantam, o Google adiantou que não vai guardar os dados em seus sistemas. Pelo menos a princípio, a intenção da companhia é licenciar a tecnologia para instituições especializadas.

Os pesquisadores do Google X também sabem, obviamente, que esta tecnologia é desafiadora e exigirá vários anos de trabalho. A complexidade diz respeito não só ao contexto tecnológico como também à própria doença: a ciência já sabe bastante sobre o câncer, mas ainda há muitos mistérios acerca de suas causas, evolução e possíveis tratamentos.

Não é por menos que o Google recrutou mais de 100 pesquisadores. Há de químicos a especialistas em astrofísica envolvidos no projeto.

A iniciativa pode até soar utópica, mas esperamos que os pesquisadores tenham sucesso na empreitada, é claro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, fatores como envelhecimento da população e falta de mecanismos de prevenção devem elevar os casos de câncer no mundo em 57% nas duas próximas décadas, estimativa equivalente a 22 milhões de pessoas diagnosticadas por ano.

Com informações: WJS.com

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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