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Google e Facebook terão que pagar para exibir notícias na Austrália

As plataformas deverão chegar a acordos com veículos jornalísticos para continuar mostrando notícias aos usuários

Victor Hugo Silva
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A relação de empresas como Google e Facebook com os veículos de imprensa é bastante controversa por conta da disputa por receitas de publicidade. Agora, as redes sociais deverão repassar parte dessa receita às empresas jornalísticas se quiserem que usuários na Austrália vejam notícias em resultados de busca e no feed.

The Pancake of Heaven! / foto do Googleplex / onde fica a sede do google

Uma decisão do governo australiano determinou que as plataformas deverão firmar acordos para exibir o conteúdo de sites jornalísticos. As negociações seguirão o código de conduta da Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores (ACCC), órgão equivalente ao Cade.

As regras também valerão para o conteúdo produzido por agências de notícias. Elas abordarão tópicos como o compartilhamento de dados, a classificação de notícias por algoritmos e o compartilhamento da receita obtida pelas redes sociais com publicidade.

O governo australiano determinou a criação de um código de conduta em 2019, após a ACCC informar que a cada US$ 100 gastos em publicidade na internet, US$ 71 ficavam com Google ou Facebook.

O código, que seria criado pelo órgão de concorrência até novembro deste ano, seria voluntário e já era discutido por Google, Facebook e os veículos de imprensa. Ele serviria para mediar os acordos pelo uso de conteúdo jornalístico nas plataformas.

A ACCC, no entando, alegou que o código voluntário poderia não ser respeitado pelas redes sociais e, por isso, deveria ser obrigatório. Essa mudança foi acelerada com a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), que reduziu as receitas de veículos de imprensa.

A nova versão do código de conduta deverá prever multas pelo descumprimento das regras e normas para disputas judiciais. A decisão foi recebida de diferentes formas pela duas plataformas.

O Google afirma que trabalhou por muitos anos para se tornar um parceiro colaborativo do setor de notícias, “ajudando-os a expandir seus negócios e serviços de assinatura, e a aumentar o público-alvo, gerando tráfego para seus sites”.

“Desde Fevereiro, contamos com mais de 25 empresas jornalísticas australianas contribuindo com um código voluntário e trabalhamos com o cronograma e o processo estabelecidos pela Comissão Australiana da Concorrência e do Consumidor (ACCC)”, continua. “Procuramos trabalhar de modo construtivo com a indústria, a ACCC e o governo para desenvolver um Código de Conduta, e continuaremos a fazê-lo durante o processo de revisão estabelecido hoje pelo governo”.

O Facebook, por sua vez, afirmou estar “desapontado” com o anúncio do governo, “principalmente porque trabalhamos duro para cumprir o prazo acordado”.

“O COVID-19 impactou todos os negócios e setores do país, incluindo veículos de notícias, e foi por isso que anunciamos um novo investimento para apoiar organizações de notícias em um momento em que a receita com publicidade está diminuindo”, afirma. “Acreditamos que uma forte inovação e mais transparência em torno da distribuição de notícias são essenciais para a construção de um ecossistema de notícias sustentável”.

Com informações: ABC News, The Next Web, Mashable.

Victor Hugo Silva

Victor Hugo Silva é formado em jornalismo, mas começou sua carreira em tecnologia como desenvolvedor front-end, fazendo programação de sites institucionais. Neste escopo, adquiriu conhecimento em HTML, CSS, PHP e MySQL. Como repórter, tem passagem pelo iG e pelo G1, o portal de notícias da Globo. No Tecnoblog, foi redator, escrevendo sobre eletrônicos, redes sociais e negócios, entre 2018 e 2021.

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