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Dirigentes de 11 partidos se unem contra voto impresso na urna eletrônica

Movimento tenta barrar a aprovação da PEC 135/2019, que pretende instaurar o voto impresso; TSE aponta riscos da proposta defendida por Bolsonaro

Ana Marques

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A PEC do voto impresso, defendida de forma assídua pelo presidente Jair Bolsonaro, vem sendo amplamente criticada por parlamentares. Em tramitação na Câmara dos Deputados, o texto propõe que os números de candidatos digitados na urna eletrônica sejam impressos, e que esses comprovantes sejam depositados em uma urna de acrílico. Contrários à proposta, dirigentes de 11 partidos montaram uma aliança para tentar vetar a emenda.

Urna Eletrônica (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Urna Eletrônica (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Segundo Bolsonaro, as urnas eletrônicas, usadas há 25 anos no Brasil, não são confiáveis. O presidente também afirma que as Eleições 2018 — votação que o colocou no poder — foram fraudadas. Para 2022, ele quer implementar o voto impresso unido à urna eletrônica como uma suposta forma de garantia para eventuais fraudes no sistema, permitindo que os votos sejam auditados manualmente.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebate as falas de Bolsonaro e afirma que as urnas eletrônicas utilizam o que há de mais moderno em tecnologia para garantir “ a integridade, a confiabilidade, a transparência e a autenticidade do processo eleitoral”, em entrevista à Agência Senado.

A PEC do voto impresso (135/19) chegou perto de sair de pauta na última segunda-feira (5), com 15 votos contra e 15 a favor, mas o relator Filipe Barros (PSL-PR), decidiu manter a discussão após uma sessão na Câmara. Com a movimentação dos 11 partidos, incluindo representantes do PSL, Progressistas, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, Avante e Cidadania, os parlamentares acreditam que poderão derrubar a medida por meio da substituição de integrantes na comissão.

PEC do voto impresso é “retrocesso”, diz presidente do TSE

Frente aos ataques de Bolsonaro ao sistema de urnas eletrônicos, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, iniciou uma campanha pública para fornecer mais informações a respeito da segurança deste método de votação. Barroso esclareceu, em uma sessão temática no Plenário do Senado, que urnas eletrônicas são auditáveis, apesar das falas do presidente da República.

“O voto impresso sairia da mesma urna eletrônica que estaria sob suspeita. Portanto, quando se frauda o eletrônico, frauda-se também o impresso. É um paradoxo”, completou.

Na Câmara, Barroso também disse que, em caso de aprovação da PEC, o método deverá ser adotado pelo TSE, mas que o sistema representaria um “retrocesso” — “Vai piorar. Vai ficar bem pior. Aliás, a vida vai ficar parecida com o que era antes”, concluiu.

Com informações: Migalhas, Agência Senado.