Exclusivo: Senacon prepara notificação para Serasa por bloqueio de celular de devedores

O Ministério da Justiça vai abrir investigação sobre a suposta participação da Serasa e SuperSim em bloqueio de recursos por inadimplência

Ana Marques
Por

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, vai notificar a Serasa e a SuperSim pela suposta participação em bloqueio remoto de celulares de devedores. A ação vem após o ofício enviado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e acusações sobre violação da Lei Geral de Proteção de Dados e do Marco Civil da Internet.

Devedores têm celular bloqueado remotamente e Ministério da Justiça vai investigar empresas
Ministério da Justiça vai investigar bloqueio remoto de celular de devedores (Imagem: Anete Lusina/Pexels)

Na última semana, o MPDFT deu início a um inquérito civil contra as empresas. Segundo a 1ª Promotoria de Justiça e Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon), a Serasa teria participação no bloqueio de celulares de devedores do eCred — serviço que funciona como uma espécie de marketplace, dando lugar para que empresas que prestam serviços de empréstimo e clientes se encontrem.

A suposta ação, que travaria diversos recursos do celular do cliente inadimplente, permitindo apenas a realização de ligações de emergência, estaria prevista em um contrato. O promotor Paulo Roberto Binicheski, do MPDFT e da Prodecon, disse ao Tecnoblog que há provas de que esse bloqueio efetivamente acontece. “Inclusive há telas de telefone celular totalmente bloqueadas pelo aplicativo”, ressaltou.

Apesar da acusação, a Serasa negou o envolvimento logo após a abertura do inquérito, dizendo que “não atua como correspondente bancário na operação questionada”. Já a SuperSim afirmou, na ocasião, que seu negócio “possui embasamento legal”.

Ministério da Justiça quer esclarecimentos

Procurado pelo Tecnoblog, o Ministério da Justiça confirmou que irá notificar a Serasa e demais empresas envolvidas na acusação para esclarecer os fatos denunciados pelo MPDFT. A apuração ficará a cargo da Coordenação Geral de Consultoria Técnica e Sanções Administrativas (CGCTSA), da Senacon.

De acordo com a autoridade, as empresas serão interrogadas sobre os mecanismos de bloqueio de celular utilizados, além das condições estabelecidas para que a interrupção de serviços aconteça.

“Após as manifestações das partes envolvidas, será verificada a necessidade de instauração de processo administrativo sancionatório, caso haja indícios de violação ao direito do consumidor”, concluiu o ministério em comunicado.

Essa não é a primeira vez que a Serasa é alvo de investigações do Ministério da Justiça. Em 2021, a empresa foi notificada após o megavazamento de 223 milhões de CPFs. Entretanto, não ficou comprovado que a companhia foi, de fato, a origem dos dados vendidos por criminosos.

Colaborou: Pedro Knoth

Relacionados

Relacionados