Reviews do Steam Deck elogiam potência e design, mas bugs incomodam

Steam Deck parece promissor, mas PC portátil da Valve ainda precisa evoluir em certos aspectos, incluindo compatibilidade de jogos e autonomia da bateria

Murilo Tunholi
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As primeiras reviews completas do Steam Deck enfim começaram a sair. Com futuro promissor, o PC portátil da Valve agradou à maioria dos sites que puderam testar o aparelho. Há, porém, problemas de otimização e bugs no sistema notados por todos os portais especializados em tecnologia. Pelo que parece, a ideia da Valve é boa, mas a empresa ainda precisa aprimorar sua criação.

Steam Deck (Imagem: Divulgação/Valve)
Steam Deck (Imagem: Divulgação/Valve)

Na maior parte das análises publicadas nesta sexta-feira (25), o Steam Deck impressionou pela capacidade de rodar jogos pesados em boa qualidade, com taxas de quadros por segundo estáveis, em um corpo portátil. Segundo o Eurogamer, o PC portátil da Valve tem “desempenho ao nível do PS4 em resolução igual a do Nintendo Switch ou até maior”.

O Eurogamer ainda diz que, logo após tirar o aparelho da caixa, é possível rodar Horizon Zero Dawn e God of War a 30 FPS em resolução nativa no modo portátil. Para um produto de primeira geração, o Steam Deck entrega desempenho surpreendente em diversos jogos.

Steam Deck sofre com compatibilidade limitada

Há, porém, um problema comum ao jogar em PCs: compatibilidade. Apesar de ter uma biblioteca gigante de títulos, nem todos os games do Steam são compatíveis com o SteamOS — sistema proprietário da Valve baseado em Linux. Além disso, só dá para executar programas que não estejam no catálogo do Steam, se os aplicativos forem instalados no Windows ou no modo desktop do Steam Deck, que roda o sistema KDE Plasma.

Por mais que a Valve permita a instalação do Windows, a empresa confirmou ao ArsTechnica que “certos drivers de Windows não estão prontos”. Enquanto isso, ao Tom’s Hardware, um dos desenvolvedores do Steam Deck, Pierre-Loup Griffais explicou o seguinte:

“A maioria das coisas que estão fazendo com que os jogos não funcionem bem agora são geralmente coisas que temos que consertar no Proton, no driver gráfico, ou no próprio SteamOS, para levar o jogo ao mesmo ponto em que, você sabe, seria executável em um PC Windows normal”.

Pierre-Loup Griffais, ao Tom’s Hardware.

Mesmo com algumas limitações, o The Verge apontou que o Proton — camada de compatibilidade que faz jogos de Windows rodarem em Linux — funciona muito bem. “só vi falhas raras, como efeitos estranhos com luzes piscando em Max Payne 3 e cenas cortadas em Jedi Knight: Dark Forces II, de 1997, e eu não ficaria surpreso em saber que isso acontecia nas versões de Windows também”, disse o site.

Steam Deck é confortável, apesar do tamanho

Sobre a construção do Steam Deck, alguns produtores de conteúdo já haviam compartilhado suas primeiras impressões no início de fevereiro. Na época, os youtubers The Phawx, Linus Tech Tips e Gamers Nexus gostaram do design e da ergonomia do PC portátil. Eles ainda destacaram o conforto ao segurar o aparelho nas mãos, apesar do tamanho aparentemente grande.

Nas reviews completas, a conclusão é a mesma: o Steam Deck é, sim, confortável de usar. Na análise do Polygon, por exemplo, o site diz o seguinte:

“Os joysticks altos, por exemplo, não são inconvenientes, porque a ergonomia dos punhos permite que meus polegares descansem confortavelmente onde eles precisam estar. E isso pode surpreender você, mas não tenho muito tempo para levantar pesos hoje em dia. Mesmo assim, algumas horas em Elden Ring causaram zero fadiga muscular. Além disso, o tamanho volumoso significa mais espaço para a tela, juntamente com botões que parecem um joystick legítimo, não um portátil”.

Polygon.

Bateria é o grande ponto fraco do Steam Deck

Como nem tudo são flores, todos os sites que testaram o Steam Deck notaram um grave problema em comum — a autonomia da bateria. Isso também já havia sido destacado nas primeiras impressões do aparelho, porém ficou mais evidente nas análises completas.

Nos testes do The Verge, por exemplo, a bateria de 40 Wh do Steam Deck aguentou duas horas de jogatina de Control a 60 FPS, com brilho da tela em 60%. Ao limitar a taxa de quadros por segundo em 30 FPS, o portal conseguiu manter o dispositivo ligado por quatro horas.

Steam Deck parece promissor, mas precisa evoluir

Considerando as reviews publicadas, é possível afirmar que o Steam Deck é uma aposta promissora, mas ainda tem que melhorar em alguns aspectos. O lado positivo é que a maioria dos problemas de compatibilidade pode ser resolvida com atualizações no SteamOS. Porém, o mesmo não pode ser dito da autonomia da bateria, que só deve melhorar em uma possível versão revisada.

Para quem tiver dinheiro sobrando e puder importar um Steam Deck, deve ser uma bela experiência jogar centenas de games da biblioteca do Steam onde quiser. Ainda não sabemos se o PC portátil da Valve chegará de forma oficial ao Brasil um dia, mas a esperança é a última que morre.

Com informações: Eurogamer, ArsTechnica, Tom’s Hardware, The Verge, Polygon.

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