Todos os celulares terão que ter USB-C na Europa, incluindo o iPhone

Celulares e outros dispositivos terão que ter USB-C a partir de 2024 na Europa; Apple tentou, mas iPhone não é exceção

Emerson Alecrim
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Ainda estamos processando o que a Apple anunciou na WWDC 2022, mas, nos bastidores, há gente preocupada na companhia. Isso porque a União Europeia chegou ao entendimento de que a porta USB-C deverá ser padrão em todos os celulares vendidos nos países do bloco, incluindo o iPhone.

USB-C (imagem: Ajay Suresh/Flickr)
Cabo USB-C (imagem: Ajay Suresh/Flickr)

Essa discussão não vem de hoje. A União Europeia discute a padronização de uma conexão para recarga de celulares e outros aparelhos há mais de uma década. Em 2009, a Comissão Europeia chegou a estabelecer um acordo com cerca de 15 fabricantes para o uso padronizado do micro-USB para esse fim.

Não deu certo. O USB-C apareceu tempos depois como uma porta muito mais interessante que o micro-USB e, bom, todo mundo sabe que a Apple não quer abrir mão da porta Lightning no iPhone.

Mas querer não é poder. Não mais.

Vai virar lei

Nesta terça-feira (7), A União Europeia anunciou que seus legisladores chegaram a um acordo para tornar a porta USB-C obrigatória em celulares, tablets e câmeras comercializadas na região. Os fabricantes deverão aderir à nova regra até o outono (último trimestre) de 2024.

Leitores de e-books, fones de ouvido, videogames portáteis e alto-falantes recarregáveis também terão que ter porta USB-C no mesmo prazo. Notebooks foram incluídos nessa lista, mas com prazo de implementação de até 40 meses após a lei entrar em vigor.

É verdade que a nova legislação ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento e o Conselho da União Europeia. Mas o anúncio oficial dá a entender que essas etapas são meras formalidades. Isso significa que as chances de a Apple manter a porta Lightning nos iPhones vendidos na Europa são pequenas.

Apple: consumidores serão prejudicados

Para fabricantes de smartphones Android e de outros dispositivos enquadrados na nova legislação, pouco ou nada muda. A porta USB-C já é padrão em muitos desses produtos.

Já para a Apple é diferente. Estima-se que a marca vendeu, só em 2021, 56 milhões de iPhones na Europa, todos com Lightning, obviamente. Não por acaso, a companhia critica a proposta de um conector único. O argumento é o de que a padronização limitará a capacidade de inovação do setor e, consequentemente, prejudicará o consumidor.

Existe uma possível, mas improvável saída. A União Europeia determina que o USB-C seja adotado em dispositivos que são recarregáveis por meio de cabo. Alguns rumores apontam que a Apple estuda lançar um iPhone apenas com recarga sem fio, de modo que a porta USB-C seja implementada somente na base de recarga.

Mas essa estratégia provavelmente geraria custos adicionais e aborreceria os usuários. Tudo indica que a Apple irá mesmo adotar o conector USB-C no iPhone.

Apple iPhone SE (2022) (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
Apple iPhone SE (2022) (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Diminuição do lixo eletrônico

Na visão da União Europeia, o padrão único ajudará a diminuir o lixo eletrônico ao permitir, por exemplo, que um usuário aproveite o carregador de um celular antigo no novo.

Alex Agius, um dos parlamentares do bloco, reforçou esse argumento:

Hoje, fizemos o carregador comum uma realidade na Europa! Consumidores europeus estavam frustrados há muito tempo por terem vários carregadores se acumulando a cada novo dispositivo. Agora, eles poderão usar um carregador único em todos os seus eletrônicos portáteis.

Em uma ocasião anterior, esse argumento também foi questionado pela Apple. Para a companhia, em vez de reduzir, a mudança para USB-C gerará mais lixo eletrônico por conta da tendência dos consumidores de se desfazerem de cabos e acessórios baseados na porta Lightning.

Uma das dúvidas que ficam no ar a partir de agora é: se a Apple adotar o USB-C nos iPhones europeus, essa decisão também valerá para unidades vendidas em outros continentes?

Até o momento, a companhia não se pronunciou sobre a decisão da União Europeia.

Com informações: The Verge.