Mastercard vende dados e quer que clientes gastem mais, diz EFF

Empresa global de serviços financeiros é acusada de usar dados de clientes “para aumentar os lucros à custa da privacidade”

Lupa Charleaux
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Cartão de Crédito Mastercard Preto
EFF questiona práticas de marketing da Mastercard (Imagem: Unsplash/Ales Nesetril)

A organização Electronic Frontier Foundation (EFF), que atua na defesa de liberdades civis no mundo digital, publicou uma carta aberta à gigante dos cartões de crédito Mastercard fazendo um apelo para que ela pare com a suposta venda de dados de clientes. A empresa estaria usando informações para marketing superdirecionado.

Segundo o grupo, clientes confiam informações pessoais às empresas todos os dias. Entretanto, certas corporações usam os dados “para aumentar os seus lucros às custa da nossa privacidade”. A Mastercard rejeita as acusações, segundo a nota recebida pelo Tecnoblog que você verá mais abaixo.

Na carta aberta, a EFF diz: “Como defensores dos consumidores, apelamos à empresa para honrar a confiança que os donos de cartões depositam nela, comprometendo-se a parar de vender os dados”. O Grupo de Pesquisa de Interesse Público dos EUA (U.S. PIRG) declarou apoio ao manifesto.

Cartão Mastercard Colorido
Mastercard mapearia o comportamento de compra dos clientes (Imagem: Unsplash/Paul Felberbauer)

Coleta de informações

Conforme documentos do grupo americano, a empresa de serviços financeiros tem acesso a informações da vida financeira de “milhões de pessoas”. Dessa forma, a estratégia de monetização a partir de dados econômicos teria ido “longe demais”.

A Mastercard estaria usando detalhes como local, data e horário de compras para criar ações de marketing superpersonalizadas. Ao encontrar um perfil de “grande gastador”, por exemplo, seriam realizados movimentos para incentivar a pessoa a gastar mais dinheiro com o cartão de crédito.

Para a EFF, essa estratégia fere a confiança das pessoas pois os clientes não esperam que os dados financeiros sejam usados contra eles. “Apelamos à empresa para que respeite a confiança e a privacidade dos titulares dos seus cartões e altere as suas práticas atuais em matéria de dados”, conclui a carta aberta.

Cartão Mastercard Prateado
Em nota, a Mastercard nega a venda de dados pessoais de clientes. (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Mastercard rejeita as acusações

O Tecnoblog entrou em contato com a Mastercard em busca de um posicionamento sobre a carta publicada pela EFF. Em nota, a assessoria de imprensa da empresa financeira disse o seguinte:

“A Mastercard informa que não vende e nunca vendeu dados pessoais de titulares de cartão para fins de marketing, rastreamento de localização ou publicidade direcionada.

Nossa Abordagem de Privacy by Design e nossos Princípios de Responsabilidade de Dados orientam todas as nossas práticas relacionadas a dados em todo o mundo. A promessa feita aos consumidores é simples: quando se trata dos seus dados, você é o proprietário deles, você os controla, você deve se beneficiar de seu uso, nós os protegemos.

Esses princípios estão no centro de nossas operações e são incorporados em todas as inovações e produtos da Mastercard, permitindo-nos conquistar, proteger e cultivar a confiança que nossos clientes, os clientes deles, e consumidores em geral depositaram em nós.”

Mastercard

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Lupa Charleaux

Lupa Charleaux

Repórter

Nerd por natureza, Lupa Charleaux é formado em Jornalismo Multimídia pela São Judas Unimonte (2012). Iniciou a carreira como repórter de entretenimento em 2013, mas migrou para a editoria de tecnologia em 2019. Construiu experiência na área ao produzir notícias diárias sobre eletrônicos (celulares, vestíveis), inovação, mercado e conteúdos especiais sobre os temas. É repórter do Tecnoblog desde outubro de 2023. Anteriormente, atuou como redator de tecnologia e entretenimento no TecMundo (2019-2021/2022-2023) e redator de produtos no Canaltech (2021-2022).

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