Apple pode lançar headset de VR e AR ainda em 2023, após pressão de Tim Cook

Segundo informações internas, CEO recusou pedido da equipe de design, que queria mais prazo; aparelho deve custar o triplo do Meta Quest Pro

Giovanni Santa Rosa
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Logotipo da Apple
Apple (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Especulado há anos, o headset de realidade mista da Apple deve finalmente chegar em 2023. O lançamento, inclusive, foi antecipado após o CEO da empresa, Tim Cook, ficar do lado da equipe de operações da marca, contrariando o que o time de design industrial, que queria mais tempo para desenvolver o produto.

As informações são do jornal The Financial Times e têm com fonte diversas pessoas com acesso às discussões internas da Apple.

Segundo a publicação, a data de lançamento é motivo de tensão desde 2016, quando o projeto começou a ser desenvolvido.

A equipe de design industrial sugeriu ter paciência. Eles acreditam que é melhor fazer um equipamento mais leve, voltado à realidade aumentada. O desenvolvimento de tecnologias que permitiriam isso, porém, vai demorar alguns anos.

Do outro lado do ringue, estava a equipe de operações da Apple. Ela quer lançar logo uma primeira versão do produto, com desenho parecido com óculos de esqui. O gadget teria vídeo imersivo em 3D, treinos interativos de atividade física e reuniões com avatares realísticos em um FaceTime atualizado.

Tim Cook ficou do lado desta última posição. Como comenta o FT, isso seria impensável há alguns anos, já que o time de design industrial tinha muito prestígio dentro da empresa e dificilmente era contrariado.

No entanto, as coisas mudaram desde a saída de Jony Ive, em 2019. A equipe de design passou a se reportar a Jeff Williams, chefe do departamento de operações da empresa.

Jony Ive e Tim Cook
Jony Ive e Tim Cook (Imagem: Divulgação / Apple)

Para Cook, o lançamento do headset é importantíssimo. O projeto todo foi concebido durante a gestão do CEO e deve ter um peso significativo no futuro da marca.

Ele também inaugura uma categoria de produtos da marca, o que não acontece há anos, o que seria importante para marcar a gestão do diretor executivo.

O iPhone, o iPad e o Mac são legados da gestão de Steve Jobs, falecido em 2011, e outros projetos, como o Apple Watch e o HomePod, não foram tão inovadores em relação ao resto do mercado.

O que sabemos sobre o headset da Apple

Depois de um longo desenvolvimento e muitas especulações, o headset da Apple deve dar as caras em 2023.

Segundo as informações de Mark Gurman, jornalista da Bloomberg e um dos maiores conhecedores da Apple, o gadget deve se chamar Reality Pro e oferecer recursos de realidade mista.

Este é o nome dado à combinação de realidade virtual (que cria experiências totalmente em 3D, em um ambiente virtual) e realidade aumentada (que adiciona elementos virtuais ao mundo real). No segundo caso, câmeras externas reproduzirão as imagens reais nas telas do aparelho.

Uma coroa digital semelhante à do Apple Watch deve dar a opção de alternar entre os dois modos.

O Reality Pro deve ter recursos de rastreamento de mãos, usando várias câmeras, e de olhos, a partir de sensores internos. Assim, será possível interagir com a interface usando os dedos.

Entre os aplicativos, o headset deve ter uma versão imersiva do FaceTime e conexão com Mac, iPhone e iPad.

Meta Quest Pro (Imagem: Divulgação / Meta)
Meta Quest Pro (Imagem: Divulgação / Meta)

A expectativa é que o aparelho custe em torno de US$ 3 mil, o dobro que a Meta cobrava por seu Quest Pro no lançamento, antes de fazer um corte de preço e deixá-lo por US$ 1 mil.

A Apple quer vender 1 milhão de unidades em um ano, o que dá cerca de 10% do mercado de realidade virtual, que ainda é bem pequeno. Comparando com outras linhas, a companhia vendeu mais de 200 milhões de iPhones e aproximadamente 50 milhões de relógios no ano passado.

Fazendo as contas, o Reality Pro daria US$ 3 bilhões em receita, menos de 1% do faturamento da empresa, que fica na casa dos US$ 400 bilhões.

O plano, porém, é estar pronto para o futuro. Estima-se que o mercado de headsets movimente US$ 100 bilhões anualmente no fim da década.

Com informações: The Financial Times, Bloomberg.

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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