Colher elétrica promete deixar comida mais salgada, mesmo com pouco sal

Talher usa campo elétrico para concentrar sódio na língua, ajudando pessoas com problemas de saúde a seguir dietas com pouco sal

Giovanni Santa Rosa
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Colher elétrica próxima a pratos de comida
Colher pode ajudar a reduzir uso de sal (Imagem: Divulgação / Kirin)

A empresa japonesa Kirin vai vender uma colher eletrificada que promete realçar o sabor salgado da comida sem que seja necessário colocar mais sal. O produto vai custar o equivalente a R$ 652, em conversão direta de ienes para reais. A companhia espera vender um milhão de unidades globalmente nos próximos cinco anos.

A Electric Salt Spoon (“colher elétrica de sal”, em tradução livre) cria um campo elétrico fraco para concentrar íons de sódio na língua, dando a impressão de que a comida está mais salgada. Ela pesa cerca de 60 gramas e usa bateria recarregável de lítio.

Colher elétrica próxima a pratos de comida
Trabalho de pesquisador rendeu Ig Nobel (Imagem: Divulgação / Kirin)

A companhia vai vender diretamente apenas 200 unidades da Electric Salt Spoon neste mês. Em junho, o produto deve chegar ao varejo japonês, ainda com disponibilidade limitada. A expectativa é levar a colher a outros mercados em 2025, chegando a um milhão de unidades em 2027.

Colher pode ajudar na saúde, mas há contra-indicações

Originalmente, a Kirin era uma fábrica de bebidas alcoólicas, mas vem investindo na indústria farmacêutica e de saúde nos últimos anos, o que explica o lançamento.

Usar muito sal na comida pode fazer mal para o organismo, principalmente para quem tem pressão alta ou problemas nos rins. Se a colher realmente funcionar como promete, fica mais fácil reduzir o sal e aderir à dieta recomendada.

Pessoa colocando sal em batata frita
Sal em excesso pode causar pressão alta e problemas nos rins (Imagem: Emmy Smith / Unsplash)

Isso faz ainda mais sentido no Japão. Segundo a Reuters, os adultos consomem, em média, 10 g de sal por dia, o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por outro lado, a colher elétrica não pode ser usada por pessoas com marcapasso, monitores cardíacos, alergia a metal, problemas nos nervos faciais, em tratamento odontológico ou durante a gravidez.

Em outros casos, como síndromes febris, problemas cognitivos e tumores malignos, a recomendação é falar com um médico antes de usar.

Invenção ganhou Ig Nobel

A colher elétrica foi desenvolvida pela Kirin em parceria com Homei Miyashita, professor da Universidade de Meiji. O pesquisador demonstrou o conceito com um protótipo de hashi elétrico.

Miyashita e Hiromi Nakamura, que colaborou com a invenção, receberam o prêmio Ig Nobel de Nutrição em 2023. O Ig Nobel é um prêmio satírico, dado a pesquisas científicas incomuns.

Não é a primeira vez que Miyashita traz ideias diferentes (para dizer o mínimo) envolvendo paladar. O professor também desenvolveu uma tela “lambível”, capaz de simular sabores.

Com informações: Reuters, The Verge

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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