O que é OLED? Conheça as vantagens da tecnologia usada em telas

Telas OLED usam materiais orgânicos para emitir luz e formar imagens sem necessidade de backlight; entenda vantagens e desvantagens da tecnologia

Paulo Higa
Por
• Atualizado há 1 ano
TV OLED LG B9 (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)
TV OLED LG B9 (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

OLED (Organic Light-Emitting Diode) é uma tecnologia usada em telas de celulares, monitores e TVs que se baseia em pixels autoemissores de luz para formar imagens. Sua aplicação gera painéis com cores vibrantes e preto verdadeiro sem a necessidade de retroiluminação.

Histórico e aplicações

A Kodak foi a primeira empresa a desenvolver uma tela OLED funcional, em 1987, mas a tecnologia só chegou aos consumidores dez anos depois, por meio da japonesa Pioneer. Em 2007, a Sony XEL-1 se tornou a primeira TV OLED do mercado, com apenas 11 polegadas e resolução de 960×540 pixels.

Sony XEL-1, a primeira TV OLED lançada no mundo, em 2007 (Imagem: Reprodução/Sony)
Sony XEL-1, a primeira TV OLED lançada no mundo, em 2007 (Imagem: Reprodução/Sony)

Atualmente, o OLED é fabricado por empresas como Samsung Display, LG Display, BOE e AUO. A tecnologia está presente em televisores da LG, celulares da linha Samsung Galaxy, monitores profissionais da Sony e produtos da Apple, como o iPhone e o Apple Watch.

Como funciona um painel OLED?

Um painel OLED é formado por materiais orgânicos que emitem luz quando uma corrente elétrica é aplicada, um processo conhecido como fluorescência. Telas OLED são compostas de cinco camadas principais, da base ao topo:

  1. camada do cátodo;
  2. camada transportadora de elétrons;
  3. camada emissora de luz (OLED);
  4. camada do ânodo;
  5. camada do substrato.
Estrutura básica de uma tela OLED (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Estrutura básica de uma tela OLED (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A formação de imagem começa no cátodo, que envia elétrons para a camada OLED, composta de material orgânico emissor de luz. A cor produzida em telas RGB depende da intensidade da corrente elétrica aplicada a cada subpixel vermelho, verde e azul dos diodos orgânicos.

Após a formação de imagem, o ânodo retira os elétrons da camada emissora de luz. Já o substrato, geralmente feito de vidro, tem a função de proteger a estrutura interna do painel.

Como o OLED tem pixels autoemissores de luz, não há um backlight como no LCD. O nível de brilho depende da construção dos pixels, por isso, TVs OLED costumam ter um subpixel branco (WRGB) para aumentar a luminância. Também há arranjos como o PenTile, com dois subpixels verdes, um vermelho e um azul (RGBG), que tem custo menor de fabricação e é usado em dispositivos portáteis.

Uma tecnologia chamada PHOLED (Phosphorescent Organic Light-Emitting Diodes) está em desenvolvimento e substitui o processo de fluorescência do material orgânico pela fosforescência. O objetivo é aumentar a eficiência interna das telas OLED.

Telas OLED transparentes (TOLED) e flexíveis

A fabricação de telas OLED pode ser feita com uma ampla gama de substratos, o que possibilita a criação de painéis de diferentes formatos. Entre eles estão as telas OLED transparentes (TOLED) e as flexíveis.

O uso de um plástico ou vidro transparente permite a fabricação de telas TOLED, que atingem transparências de 70% a 85% quando os pixels estão desligados. A tecnologia está presente em portas de geladeiras que podem mostrar seu conteúdo interno.

LG Display OLED transparente em restaurante (Imagem: Divulgação/LG)
LG Display OLED transparente em restaurante (Imagem: Divulgação/LG)

Também é possível construir uma tela OLED com um substrato de material plástico. A troca do substrato de vidro por uma camada fina de polímero flexível, como a poli-imida, é adotada em telas POLED, usadas principalmente em smartphones dobráveis ou com painéis curvados.

OLED de Matriz Ativa (AMOLED) vs Matriz Passiva (PMOLED)

Uma tela OLED pode ser fabricada com matriz ativa (AMOLED) ou passiva (PMOLED). De modo geral, as diferenças são:

  • PMOLED (Passive Matrix Organic Light-Emitting Diode): os pixels são controlados por uma matriz passiva de linhas e colunas de eletrodos. Esse processo é mais simples, mas limita a resolução e a qualidade de imagem, por isso, é usado em eletrônicos menores e mais baratos.
  • AMOLED (Active Matrix Organic Light-Emitting Diode): os pixels são controlados individualmente por um transistor de película fina (TFT). A matriz ativa melhora a reprodução de cores e a eficiência energética, por isso, é a escolha mais comum em telas OLED para celulares, TVs e outros eletrônicos modernos.
Samsung Galaxy Fit E, uma smartband com tela OLED de matriz passiva (Imagem: Divulgação/Samsung)
Samsung Galaxy Fit E, uma smartband com tela OLED de matriz passiva (Imagem: Divulgação/Samsung)

Vantagens e desvantagens do OLED

Nosso comparativo entre LCD, OLED, QLED, QNED, NanoCell e MicroLED mostra qual é o melhor tipo de painel para TVs conforme o perfil do usuário.

De forma resumida, temos o seguinte:

Vantagens do OLED

  • Maior contraste: telas OLED são capazes de reproduzir o preto verdadeiro, o que aumenta o contraste da imagem e melhora a exibição de cenas escuras, especialmente com o uso do HDR;
  • Maior ângulo de visão: os pixels do OLED emitem luz em todas as direções e não necessitam de uma camada adicional de filtro de cores, o que melhora a visualização da imagem sob ângulos variados;
  • Melhor uniformidade de preto que o LCD: o LCD depende de um filtro para interromper a luz de fundo e exibir a cor preta, enquanto o OLED só precisa desligar os pixels, o que possibilita uma uniformidade de preto perfeita;
  • Espessura mais fina: telas OLED não possuem um backlight de LED ou MiniLED, o que pode reduzir a espessura do painel para menos de 1 mm;
  • Maior variedade de formatos: o OLED é mais versátil porque pode ser fabricado com diferentes substratos, incluindo materiais transparentes ou flexíveis, o que permite a criação de telas com diversos formatos;
  • Resposta mais rápida que o LCD: o OLED não precisa movimentar cristais líquidos como no LCD, o que possibilita um tempo de resposta menor em painéis com a mesma taxa de atualização e evita o motion blur;
  • Alta eficiência energética: um pixel de OLED consome energia apenas quando está ligado, o que permite a construção de telas com maior eficiência energética e dispositivos que gastam menos bateria.

Desvantagens do OLED

  • Menor vida útil: a camada orgânica do OLED se desgasta naturalmente com o tempo, o que torna os pixels sujeitos ao burn-in e reduz o tempo de vida da tela;
  • Menor pico de brilho sustentado: o desgaste do OLED é maior quando o nível de brilho é mais alto, por isso, as fabricantes de TVs limitam a emissão contínua de luz branca.

Principais fornecedores

O tamanho estimado do mercado de OLED em 2022 foi de US$ 45,6 bilhões, valor que pode chegar a US$ 214,8 bilhões até 2030. As principais fornecedoras de telas OLED são:

  • Samsung Display: é detentora das marcas Super AMOLED e AMOLED Dinâmico, fornecendo telas principalmente para celulares e tablets;
  • LG Display: fabrica telas OLED para televisores da LG Electronics e é fornecedora de displays para diversos eletrônicos, como o iPhone;
  • BOE Technology: empresa chinesa que produz telas OLED para smartphones, televisores, monitores e outros dispositivos;
  • AU Optronics (AUO): fabricante baseada em Taiwan, detém linhas de produção de telas OLED 4K e 8K com taxas de atualização de até 144 Hz;
  • Sony: produz telas e microtelas OLED para televisores, monitores profissionais, displays de câmeras fotográficas e outros eletrônicos.

Vida útil e conservação

Posso evitar o burn-in no OLED?

O burn-in em telas OLED é um processo natural de desgaste da camada orgânica e não pode ser evitado. Fabricantes de produtos com tecnologia OLED, como TVs, usam tecnologias para reduzir o efeito burn-in, como limpeza de pixels, limitação automática de brilho e protetores de tela.

Qual é a vida útil de telas OLED?

As primeiras TVs OLED, lançadas em 2013, tinham vida útil de 36 mil horas, de acordo com um executivo da LG. Telas mais avançadas e com novas tecnologias contra burn-in podem chegar a 100 mil horas, o equivalente a 30 anos com 10 horas de uso diário, segundo a empresa.

Como limpar uma tela OLED?

Desligue o dispositivo e use um pano seco e macio para limpar uma tela OLED. Caso haja manchas de difícil remoção, como marcas de gordura, aplique somente água no pano.

Como transportar uma TV ou monitor OLED?

Desconecte todos os cabos e, se possível, use a embalagem original com isopores e/ou plásticos bolha para transportar uma TV ou monitor. Caso você não tenha mais a embalagem original, coloque o equipamento em uma caixa de papelão com material de proteção adequado.

Evolução da tecnologia: QD-OLED

O QD-OLED combina o preto verdadeiro das telas OLED com as cores precisas do QLED. Nas telas QD-OLED da Samsung, a camada orgânica emite luz azul para uma camada de pontos quânticos, que absorvem a energia e complementam a imagem com as cores vermelha e verde. A primeira TV QD-OLED foi a Sony Bravia XR A95K, lançada em 2022.

Esse conteúdo foi útil?
😄 Sim🙁 Não

Receba mais sobre OLED na sua caixa de entrada

* ao se inscrever você aceita a nossa política de privacidade
Newsletter
Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

Canal Exclusivo

Relacionados