O que é a tecnologia MiniLED utilizada em TVs e monitores

MiniLEDs contribuem para cores mais precisas e melhoram o contraste de telas LCD; saiba como funciona essa tecnologia

Emerson Alecrim Ana Marques
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TV QLED TCL C825 com miniLED (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
TV QLED TCL C825 com miniLED (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

MiniLED (“diodo emissor de luz em miniatura”) é uma tecnologia usada no backlight de TVs, monitores e notebooks. Sua aplicação gera imagens com maiores contrastes e precisão de cores em telas LCD.

A TCL apresentou a primeira TV MiniLED do mundo em 2019. Painéis MiniLED também são encontrados em produtos de marcas como LG, Samsung e Philips. São exemplos as linhas Samsung Neo QLED, LG QNED MiniLED. Até mesmo a Apple implementou miniLED no MacBook Pro.

Como funciona um backlight de miniLED

O que é backlight?

Cristais líquidos não geram iluminação própria, ao contrário de displays OLED. Por isso, telas LCD precisam de uma fonte de luz traseira, o backlight.

Estrutura

A camada de miniLED fica atrás de um painel LCD (cristais líquidos). Ali, os minúsculos LEDs que formam o backlight são ativados por uma corrente elétrica conforme o conteúdo a ser exibido na tela. Pontos claros na imagem ganham iluminação proporcionalmente mais intensa. Pontos escuros recebem menos luz.

Painel LCD com miniLEDs, que podem ficar atrás de uma camada de pontos quânticos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Painel LCD com miniLEDs, que podem ficar atrás de uma camada de pontos quânticos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Cada miniLED pode medir de 0,1 a 0,2 milímetro (ou de 100 a 200 micrômetros). Por serem muito menores que LEDs convencionais, é possível colocar uma grande quantidades deles no painel, o que permite aumentar o nível de brilho da tela.

Vale ressaltar que, em muitas TVs e monitores, há uma camada de pontos quânticos (quantum dots) entre o painel de miniLEDs e o cristal líquido. Essa camada adicional contribui para a tela exibir cores vibrantes e melhorar o nível de contraste (a diferença entre os tons mais claros e os mais escuros).

Controle da iluminação

A tecnologia MiniLED oferece maior controle sobre as áreas de iluminação, evitando o “backlight bleeding” (quando a iluminação “invade” pixels ao redor).

Esse controle é feito com a divisão dos miniLEDs em blocos ou zonas de escurecimento local (local dimming). Elas são sincronizadas com o conteúdo da tela de modo que cada ponto receba luz na medida certa.

Como exemplo, imagine a cena de uma noite com lua cheia. Para exibir essa imagem corretamente, a tela miniLED aumenta a luz das zonas correspondentes à lua, deixa os pontos ao redor desta com pouca iluminação e mantém áreas nos extremos com ainda menos LEDs ativados.

 Um painel miniLED ilumina pontos específicos, de acordo com a cena (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Um painel miniLED ilumina pontos específicos, de acordo com a cena (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A quantidade de miniLEDs varia de acordo com as dimensões da tela e o modelo do equipamento. Mas, de modo geral, fica na casa dos milhares. Por exemplo, muitas TVs LG QNED MiniLED têm por volta de 30.000 miniLEDs agrupados em cerca de 2.500 zonas para luz de fundo.

Vantagens

O MiniLED é usado para resolver problemas comuns a LCDs mais baratos ou antigos, que usam backlight de lâmpadas fluorescentes (CCFL) ou LEDs convencionais. Listamos as vantagens da tecnologia a seguir:

  • Eficiência energética: miniLEDs consomem menos energia em relação a lâmpadas convencionais e não precisam ser todos ativados ao mesmo tempo;
  • Preto profundo: miniLEDs podem ser ativados e desativados separadamente, favorecendo tons escuros e aumentando a taxa de contraste;
  • Precisão de cores: o maior controle de luz permite alcançar cores mais fiéis e melhora o uso de HDR;
  • Fabricação mais barata: painéis MiniLED têm menor custo de produção do que os OLED;
  • Menor risco de vazamento de luz: o maior controle sobre os miniLEDs evita a aparição de tons claros em pontos escuros, melhorando o desempenho do local dimming;
  • Maior nível de brilho: miniLEDs preenchem todo o backlight, não só pontos específicos, aumentando o brilho e resultando em cores mais vivas;
  • Maior durabilidade e menor risco de burn-in: telas miniLED usam material inorgânico, uma vantagem sobre a tecnologia OLED, que se desgasta mais rapidamente por usar diodos orgânicos.
  • Ângulos de visão mais amplo do que LCDs tradicionais;
  • Flexibilidade: a tecnologia miniLED permite a fabricação de painéis modulares ou de grandes dimensões.
TV Samsung Neo QLED QN90B com miniLED (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
TV Samsung Neo QLED QN90B com miniLED (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Desvantagens

Além de serem mais caros do que LCDs convencionais, TVs e monitores com painéis MiniLED não estão totalmente imunes aos problemas das telas de cristal líquido. As desvantagens, especialmente quando comparados a telas OLED, são:

  • Risco de efeito “blooming”: ocorre quando a fonte de iluminação (aqui, o painel MiniLED) têm falhas na uniformidade de luz, principalmente se houver um número baixo de zonas;
  • Ghosting”: telas com miniLED podem apresentar rastros de movimento na alternância entre tons claros e escuros em modelos com taxas de atualização ou resposta baixas;
  • Ângulo de visão limitado em relação a TVs ou monitores OLED/QD-OLED.

Perguntas frequentes

MiniLED vs microLED: qual é a diferença?

A tecnologia miniLED é usada como luz de fundo (backlight) de telas LCD. Já painéis MicroLED formam pixels autoemissivos, com iluminação própria, funcionando de forma mais semelhante a telas OLED. Além disso, TVs microLED costumam ter preço mais alto do que dispositivos MiniLED por causa da fabricação mais complexa.

MiniLED faz mal para os olhos?

É improvável. À Harvard Health Publishing, o Dr. David J. Ramsey, especialista em doenças da retina, explica que a quantidade de luz azul (mais brilhante) emitida por telas de LED não é grande o suficiente para causar danos aos olhos. Mas a luz azul pode interferir em seu ciclo circadiano. Por isso, é recomendável evitar o uso de telas antes de dormir.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

Ana Marques

Ana Marques

Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e cobre o universo de eletrônicos de consumo desde 2016. Já participou de eventos nacionais e internacionais da indústria de tecnologia a convite de empresas como Samsung, Motorola, LG e Xiaomi. Analisou celulares, tablets, fones de ouvido, notebooks e wearables, entre outros dispositivos. Ana entrou no Tecnoblog em 2020, como repórter, foi editora-assistente de Notícias e, em 2022, passou a integrar o time de estratégia do site, como Gerente de Conteúdo. Escreveu a coluna "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Trabalhou no TechTudo e no hub de conteúdo do Zoom/Buscapé.

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