O que é local dimming na tela de TVs e monitores?

Recurso oferece maior controle de iluminação em telas LCD-LED para fazer frente ao "preto perfeito" das OLEDs; entenda como funciona e os métodos existentes

Emerson Alecrim Ana Marques
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• Atualizado há 10 meses
TV TCL P615 com local dimming (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
TV TCL P615 com local dimming (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Local dimming (escurecimento local) é um recurso presente em algumas TVs e monitores LCD que reduz a iluminação de áreas da tela para reproduzir preto profundo. Isso melhora cores e contraste, mas o efeito depende do arranjo de LEDs no backlight.

Como funciona o local dimming

Displays LCD não geram luz própria, por isso, precisam de uma iluminação de fundo (backlight). Em TVs ou monitores antigos, a iluminação vem de lâmpadas CCFL. Em equipamentos modernos, as lâmpadas foram substituídas por LEDs ou MiniLEDs.

Em todos os casos, o backlight ilumina toda a tela. Isso faz imagens que deveriam ser pretas terem aspecto acinzentado. Mas, com o local dimming, é possível fazer LEDs correspondentes a áreas escuras da imagem não serem ativados. O resultado varia de acordo com a distribuição desses LEDs.

Entendendo a estrutura

Telas LCD que usam LEDs como luz de fundo podem ser classificadas em três grupos, conforme o arranjo do backlight:

  • Edge-lit: os LEDs são distribuídos ao longo das bordas da tela, podendo ocupar somente as extremidades superior e inferior, somente as laterais ou todo o contorno;
  • Direct-lit: os LEDs são distribuídos por toda a tela, uniformemente, ocupando inclusive a área central;
  • Full-array: também distribui os LEDs por toda a tela, mas em quantidade maior e os dividindo em zonas. Dos três, é o arranjo mais sofisticado, razão pela qual costuma estar presente em equipamentos de ponta.
Arranjos de LEDs em telas (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Arranjos de LEDs em telas (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Controle da iluminação

O local dimming foi criado para reduzir a iluminação das cenas escuras, sem afetar as áreas que devem ficar claras. Para isso, os LEDs do backlight são agrupados em zonas de escurecimento. Cada uma abrange uma área específica da tela. Assim, em uma cena de céu noturno, somente as zonas que cobrem a Lua devem ser ativadas.

Tecnologia FALD em uma tela com MiniLED (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Tecnologia FALD em uma tela com MiniLED (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Quanto mais zonas de escurecimento tiver uma tela, maior é a precisão da iluminação. Isso porque, nessas circunstâncias, cada zona controla um número pequeno de LEDs, de modo a ser possível delimitar com mais exatidão os pontos da tela que devem ser escurecidos.

TVs ou monitores mais baratos empregam o local dimming em um arranjo Edge-lit. Mas os resultados mais precisos, com melhor relação de contraste, aparecem nas telas com o arranjo Full-array Local Dimming (FALD), existente em equipamentos mais avançados.

Modelos com arranjo Direct-lit geralmente não têm local dimming porque eles simplesmente distribuem os LEDs atrás da tela, sem agrupá-los em zonas. O modo Full-array é uma evolução do Direct-lit, portanto.

FALD vs edge-lit: vantagens e desvantagens

Telas com Full-array Local Dimming são preferência no mercado por permitirem controle mais preciso sobre a iluminação de fundo. O FALD também oferece as seguintes vantagens e desvantagens em relação ao arranjo Edge-lit:

  • Iluminação uniforme: telas FALD têm uma quantidade maior de LEDs, que são distribuídos uniformemente no backlight. Isso permite que o escurecimento local seja mais preciso e direcionado;
  • Suporte a HDR: telas FALD melhoram a precisão da gama de cores e aumentam o contraste, favorecendo o HDR. Isso porque as zonas de escurecimento permitem tons de preto mais profundos, ainda que inferiores ao OLED;
  • Efeito “blooming”: displays FALD estão sujeitos ao efeito bloombing ou halo, que ocorre quando a luz de um objeto brilhante vaza para áreas ao redor. Quanto menor o número de zonas, maior o risco de o problema surgir;
  • Edge-lit é mais barato: equipamentos com arranjo Edge-lit chegam ao mercado com preço menor em relação a painéis FALD por terem fabricação menos complexa. Além disso, eles tendem a ter espessura menor.
TV Samsung AU7700 tem tela VA LCD com local dimming (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
TV Samsung AU7700 tem tela VA LCD com local dimming (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Perguntas frequentes

O que é o Micro Dimming?

Micro Dimming é o nome que a Samsung usa para a tecnologia de local dimming existente em suas TVs com backlight de LED. Com ela, o contraste e as cores são aprimorados, afirma a companhia. A SEMP TCL adota a mesma denominação em suas telas.

O que é global dimming?

Global dimming é apenas uma forma de expressar que a iluminação de fundo alcança toda a tela ao mesmo tempo, não havendo zonas que podem ser ligadas ou desligadas independentemente. Telas direct-lit são do tipo global dimming.

Existe local dimming para telas OLED?

Telas OLED não precisam de local dimming porque elas são feitas de um composto orgânico que emite luz quando recebe energia, dispensando o backlight. Assim, cada pixel pode ser ativado ou desligado individualmente para formar imagens com alto contraste e pretos profundos.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

Ana Marques

Ana Marques

Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e cobre o universo de eletrônicos de consumo desde 2016. Já participou de eventos nacionais e internacionais da indústria de tecnologia a convite de empresas como Samsung, Motorola, LG e Xiaomi. Analisou celulares, tablets, fones de ouvido, notebooks e wearables, entre outros dispositivos. Ana entrou no Tecnoblog em 2020, como repórter, foi editora-assistente de Notícias e, em 2022, passou a integrar o time de estratégia do site, como Gerente de Conteúdo. Escreveu a coluna "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Trabalhou no TechTudo e no hub de conteúdo do Zoom/Buscapé.

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