Facebook mentiu sobre danos do Instagram a adolescentes, diz senador dos EUA

Senador americano acusa Facebook de ocultar pesquisas e de ser deliberadamente negligente sobre danos à saúde mental de adolescentes causados pelo Instagram

Bruno Ignacio
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
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Nesta última quinta-feira (30), o Facebook foi o centro de discussões de uma audiência no Senado americano. A gigante da tecnologia enfrentou uma série de acusações, com destaque para a possibilidade de a empresa ter ocultado resultados de pesquisas internas que teriam demonstrado que seu aplicativo Instagram seria prejudicial para a saúde mental de usuários adolescentes.

Essa acusação em particular foi feita pelo senador Richard Blumenthal, chefe do subcomitê de proteção ao consumidor do Senado dos Estados Unidos. Segundo ele, o Facebook teria mentido para as autoridades e congressistas e teria publicado “seletivamente” documentos para esconder do público os achados dos próprios especialistas da empresa.

“Agora sabemos que o Facebook rotineiramente coloca os lucros à frente da segurança online das crianças. Sabemos que a companhia prioriza o crescimento de seus produtos em vez do bem-estar de nossos filhos. Por fim, sabemos que ele é indefensivelmente negligente em agir para protegê-los.”

Senador americano Richard Blumenthal

Facebook vira alvo após divulgação de documentos

As acusações partem do que foi revelado em setembro pelo Wall Street Journal. O veículo divulgou uma pesquisa que teria sido conduzida discretamente a pedido do Facebook sobre os efeitos que sua rede social Instagram teria sobre os usuários adolescentes. Os achados demonstraram que o aplicativo apresenta riscos concretos para a saúde mental desse público menor de idade.

Facebook App (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)
Facebook App (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

No documento obtido pelo Wall Street Journal, os pesquisadores do Facebook afirmam que “os adolescentes culpam o Instagram pelo aumento na taxa de ansiedade e depressão”. Além disso, a pesquisa aponta que essa conclusão foi “espontânea e consistente” em todos os grupos analisados.

O jornal americano também indicou que a companhia tomou medidas para enterrar suas próprias descobertas ao passo que investia em novas táticas para atrair pré-adolescentes para o Instagram. Os achados revelam que o Facebook foi alertado diversas vezes sobre os danos causados por seu aplicativo de compartilhamento de fotos, principalmente sobre o psicológico de meninas jovens, que vincularam tendências suicidas e distúrbios alimentaram à rede social. 

Instagram Kids foi paralisado após polêmica

App do Instagram (Imagem: Brett Jordan/ Unsplash)
App do Instagram (Imagem: Brett Jordan/ Unsplash)

Mesmo assim, os documentos obtidos mostram que o Facebook teria sido deliberadamente negligente. Diante dessas descobertas, a empresa seguiu explorando esse público menor de idade e ainda taria caracterizado crianças de apenas 10 anos como um recurso “valioso” e “inexplorado” que seria fundamental para o crescimento da companhia.

A gigante da tecnologia teve que suspender o desenvolvimento do Instagram Kids, que seria dedicado a crianças entre 10 e 12 anos, em vista da enorme polêmica que surgiu após a reportagem do Wall Street Journal. Contudo, a empresa emitiu um comunicado negando o que foi divulgado e dizendo que suas pesquisas apontam que o serviço seria, na realidade, positivo para pré-adolescentes sobre diversos tópicos, e que a percepção corporal teria sido o único que apresentou resultados negativos.

Com informações: Gizmodo, Wall Street Journal

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Bruno Ignacio

Bruno Ignacio

Ex-autor

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cobre tecnologia desde 2018 e se especializou na cobertura de criptomoedas e blockchain, após fazer um curso no MIT sobre o assunto. Passou pelo jornal japonês The Asahi Shimbun, onde cobriu política, economia e grandes eventos na América Latina. No Tecnoblog, foi autor entre 2021 e 2022. Já escreveu para o Portal do Bitcoin e nas horas vagas está maratonando Star Wars ou jogando Genshin Impact.

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