As operadoras se esforçam para combatê-la, mas a interceptação ilegal de serviços de TV por assinatura está cada vez mais difundida. De acordo com uma pesquisa divulgada hoje (6) na conferência ABTA 2014, as chamadas “gatonets” estão instaladas em pelo menos 4,2 milhões de lares brasileiros.

O estudo, realizado pela H2R sob encomenda da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), é impressionante porque o número apontado representa quase 22% da base de usuários de TV paga no país, atualmente calculada em 18,9 milhões de contratos. Esta porcentagem indica que há cerca de um usuário que furta sinal para cada quatro clientes legais.

Outro aspecto que chama atenção diz respeito à admissão da prática: dos entrevistados classificados como usuários de “gatonets”, apenas 38% reconheceram que furtam sinal; os demais simplesmente declararam que assistem a canais por assinatura sem pagar pelo acesso.

De acordo com Antônio Salles Neto, diretor do Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (SETA), a constatação sugere que a recepção ilegal de sinal pode estar tão disseminada que cada vez mais pessoas acham que a prática é normal.

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Se engana quem pensa que o problema se manifesta somente nas camadas da população com menos renda: considerando apenas os entrevistados que não admitiram a ilegalidade, 8% fazem parte da classe A, 10%, da classe B, 13% estão na classe C e 16% figuram entre as classes D e E.

A penetração das “gatonets” no mercado pode ser maior: para a pesquisa da ABTA foram entrevistadas 1.750 pessoas em seis estados do sudeste e do sul, mas um levantamento divulgado pela Business Bureau em agosto de 2013 estima em mais de 7 milhões o número de instalações ilegais de TV no Brasil.

Pelos cálculos atuais, a interceptação de TV por assinatura causa perdas de quase R$ 6,5 bilhões às operadoras e faz o governo deixar de arrecadar R$ 3 bilhões em impostos. Segundo Neto, estes números se devem ao fato de os usuários ilegais quase sempre utilizarem pacotes avançados e canais pay-per-view, os que mais geram receita.

Além de tentar bloquear pontos não autorizados, as operadoras cobram e colaboram com autoridades para amenizar o problema. Em uma das ações mais recentes, a Polícia Civil e o Ministério Público apreenderam receptores ilegais na Santa Ifigênia, região central da capital paulista.

É o que pode ser feito no momento. Já existe projeto de lei que trata furto de sinal de TV por assinatura como crime, mas o assunto aguarda discussão no Congresso Nacional para avançar.

Com informações: G1, Valor Econômico

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