Golpes online roubam R$ 650 milhões usando celular e videogame como isca

Perfil médio do brasileiro que caiu em golpes em sites de compra e venda em 2021 é masculino e jovem; fraude do comprovante falso é mais popular

Pedro Knoth
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Golpes online causaram um prejuízo de R$ 650 milhões a usuários de plataformas online em 2021. Um estudo da varejista OLX em parceria com a consultoria de segurança digital AllowMe apontou que os eletrônicos são a categoria mais visada por criminosos para aplicar armações. O celular é o item preferido, seguido de videogames e computadores.

O perfil médio de brasileiros que caiu em golpes na internet é masculino e jovem: 77% das vítimas são homens, e 73% têm até 31 anos de idade.

Beatriz Soares, diretora de Produto e Operações da OLX, destaca que a maioria dos criminosos age com base na falta de conhecimento da vítima sobre os processos de compra e venda pela internet. Eles, então, aplicam a engenharia social para enganar os usuários que consideram “presa fácil”.

“Por isso, a educação digital é fundamental para que as pessoas possam identificar comportamentos suspeitos e se proteger”, disse Soares. “Da mesma maneira que adoramos práticas seguras ao sair na rua, devemos fazer o mesmo no ambiente virtual”.

De acordo com o estudo de OLX e AllowMe, os criminosos que aplicam golpes online agem de forma articulada, em uma rede de inúmeras contas falsas criadas usando dados roubados de perfis legítimos.

A principal modalidade de golpe online é a chamada “Compra Confirmada”. Trata-se do uso de um comprovante de compra falso emitido pelo golpista, e que leva a vítima a entregar o produto antes de receber o dinheiro de fato. O depósito bancário tem até 24 horas para cair na conta destinada, o que leva à aplicação de engenharia social. Em 2021, 33% das armações no comércio eletrônico foram desse tipo.

Em segundo lugar, estão empatados os golpes por anúncio falso e roubo de dados, correspondendo por 24% dos golpes. Quando se trata de publicidade enganosa, o estudo aponta que, na maioria das vezes, o produto divulgado é 40% mais barato que o preço do mercado.

Por fim, a invasão de contas permanece um dos métodos mais populares de golpe no comércio eletrônico brasileiro. A prática foi reconhecida em 19% das fraudes, e é fortalecida pelo vazamento de dados. A partir do momento em que o golpista tem as credenciais da vítima, seja porque elas são fornecidas a ele por brecha de segurança ou pelo próprio usuário, ele assume o controle do perfil.

E-mails vazados foram usados em 500 mil transações

e-mail para celular
E-mails vazados foram usados em 500 mil transações de compra e venda online (Imagem: Mohamed Hassan/ Pixabay)

Os cibercriminosos se utilizam dados de usuários legítimos para criar suas contas e perfis falsos. A pesquisa afirma que e-mails vazados foram usados em 500 mil transações no varejo eletrônico.

A base de dispositivos ligados às fraudes cresceu 127%. Com o aumento de criminoso conectados aos golpes, a pesquisa conta que as plataformas têm maior facilidade proteger os clientes, além de detectar e banir golpistas. Em 2021, o varejo online preveniu o roubo de R$ 1,1 bilhão — em 2020, o prejuízo evitado foi equivalente a R$ 581 milhões.

Diana Carolina Herrera, diretora de Business Intelligence da Allow Me, conta como criminosos podem usar engenharia social para se passarem como legítimos na hora de negociar produtos:

“Uma vez que nem todas as empresas possuem checagens através de múltiplas camadas, como validação de comportamento, análise do dispositivo e dados, por exemplo, os fraudadores têm a capacidade de mapear os fluxos de prevenção e subvertê-los com certa facilidade.”

O estado de São Paulo liderou a lista de estados mais afetados por fraudes online, correspondendo por quase metade dos crimes (46%). Em segundo lugar está o Rio de Janeiro (11%). Minas Gerais aparece em terceiro (8%).

O estudo da OLX e da AllowMe analisou 20 milhões de contas abertas em plataformas online entre janeiro e dezembro de 2021, além de outras informações sobre apps, sites e contas digitais do mercado brasileiro.

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Pedro Knoth

Pedro Knoth

Ex-autor

Pedro Knoth é jornalista e cursa pós-graduação em jornalismo investigativo pelo IDP, de Brasília. Foi autor no Tecnoblog cobrindo assuntos relacionados à legislação, empresas de tecnologia, dados e finanças entre 2021 e 2022. É usuário ávido de iPhone e Mac, e também estuda Python.

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