Na última semana, um homem chamado John Henry Skillern foi preso em Houston, no estado norte-americano do Texas, sob a acusação de praticar pedofilia. Seria apenas mais uma entre as várias prisões efetuadas pela polícia local se não fosse por um detalhe: as autoridades agiram graças a uma denúncia do Google, que encontrou fotos de uma criança sendo explorada sexualmente no Gmail do suspeito.

A polícia verificou que Skillern já havia sido condenado por assediar sexualmente uma criança em 1994. Depois da recente prisão, os investigadores encontraram fotos e mensagens em dispositivos do indivíduo que indicam que ele continuou a praticar crimes de pedofilia depois da condenação.

Skillern tomava cuidados básicos para não ser facilmente descoberto. Um deles consistia em compartilhar ou armazenar fotos a partir de sua conta no Gmail. O que ele não esperava é que o Google fosse descobrir o teor destas imagens.

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Se houve crimes, não há dúvidas sobre a legitimidade da prisão, mesmo assim, é inevitável questionar, mais uma vez, os parâmetros de privacidade do Google: todo mundo sabe que robôs da empresa rastreiam as mensagens do Gmail para exibir publicidade contextual, mas será que também há funcionários que passam o dia verificando contas? Não é bem assim.

O que acontece é que o Google tem um acordo de colaboração com o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, nos Estados Unidos. Como parte deste pacto, a empresa passou a utilizar tecnologias que ajudam a identificar conteúdo potencialmente nocivo em seus serviços.

Um destes recursos é um algoritmo utilizado desde 2008 que verifica cada imagem para descobrir a sua respectiva hash, sequência de caracteres que é obtida a partir de um cálculo sobre o arquivo. Caso o algoritmo encontre uma sequência que está listada em uma base de hashes associadas a imagens de teor pedófilo, um alerta é gerado imediatamente, pois as chances de engano são mínimas: qualquer alteração em um arquivo, por menor que seja, faz com que a sua hash seja alterada.

O Google não se pronunciou sobre o assunto, mas tudo indica que este sistema está por trás do caso. O fato é que, depois de descobrir o problema, a empresa emitiu um comunicado ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas que, por sua vez, fez a denúncia à polícia. Tendo respaldo judicial, o Google pôde repassar todas as informações necessárias para comprovar o delito e auxiliar na localização do suspeito.

O caso está tendo grande repercussão, mas não deverá servir de precedente para que serviços online passem a contar com monitoramento “quase policial” – funções investigativas continuam cabendo às autoridades competentes. No entanto, na visão de Chris Jay Hoofnagle, especialista do Centro Berkeley de Direito e Tecnologia, o Google agiu corretamente: as empresas não têm a obrigação de sair à caça de delitos, mas se encontrá-los, deve denunciá-los.

Com informações: Business Insider, Khou.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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