IA do Google “cria” música através de comandos, mas não será lançada tão cedo

Próximo passo do Google em inteligência artificial é desenvolver uma IA capaz de produzir músicas; ideia não é nova, mas Alphabet diz que MusicLM tem qualidade maior

Felipe Freitas
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Google (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O Google está trabalhando no desenvolvimento de uma inteligência artificial (IA) que promete entregar música de alta qualidade. A MusicLM (“LM” significa modelo de linguagem, em inglês), segundo o Google, produzirá músicas através de comandos dos usuários, com o objetivo de entregar uma melodia mais fidedigna com o que foi pedido. É nesse ponto que a Alphabet quer superar a concorrência.

IAs criando músicas não é nenhuma novidade. Propostas desse tipo já surgiram com a Riffusion, Dance Diffusion, Jukebox (OpenAI) e AudioML (do próprio Google). O MusicLM foi detalhado em um artigo científico publicado por pesquisadores da Alphabet na semana passada.

Testes do MusicLM trazem resultados positivos

No artigo, os autores afirmam que o MusicLM produziu músicas com melhor qualidade de áudio e mais condizente com o que foi pedido. Por exemplo, se um usuário pedir para a IA “quero uma música com gaita de foles e baixo do Junior Groovador”, o resultado será mais fiel a ideia inicial do que alguma outra coisa produzida pela concorrência.

O MusicLM, segundo a publicação, consegue criar uma música “longa e coerente a 24 kHz” através de descrições mais complexas. As “palhinhas” dessas canções foram divulgadas no GitHub do Google com as suas respectivas instruções. Os textos possuem descrições do tipo “podemos ouvir um canto gregoriano” até “trilha principal de jogo de arcade”.

Um comando que chama a atenção está na segunda página dos exemplos. A descrição, com 74 palavras, pede uma música estilo R&B/hip-hop com vocal masculino fazendo rap e uma voz feminina cantando “em estilo rap”. O texto ainda sugere que a canção pode servir de trilha para um série ou filme de drama adolescente, além de ser tocada em aniversários e festas na praia. O resultado pode ser comparado a uma produção do Pitbull com Ne-Yo e Estelle.

Por que é tão comum a associação entre o despertar das inteligências artificiais e cenários apocalípticos? (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
“Isso é música para os meus ouvidos… ou será que eu já ouvi isso antes?” (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

IA criando música não inova em debate sobre direitos autorais

Como dito no último parágrafo, a música R&B não é estranha aos ouvidos. Em partes porque as músicas mais “industriais” seguem um padrão para serem facilmente vendidas, em outras porque é uma IA se baseando em conteúdo de um banco de dados.

Na publicação, os autores reconhecem esses problemas e ainda apontam que 1% das músicas geradas pela MusicLM tiveram plágio — copiando o conteúdo que ela usou para os treinamentos. Por esse motivo, a IA não será lançado pelo Google tão brevemente.

Artigo do Google apresenta IA para produção de músicas (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)
Artigo do Google apresenta IA para produção de músicas (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Existe uma praticidade no lançamento de uma ferramenta desse tipo, como trilha sonora para não depender de banco de dados, pessoas que estão iniciando no YouTube e querem uma abertura ou desenvolvedores de jogos indies — nem todos são o ConcernedApe.

Todavia, a MusicLM não pode ser lançada enquanto a questão de plágio e cópia não for resolvida. Dall-E, ChatGPT e Stable Diffusion são algumas IAs no ponto central do debate sobre o uso dessa tecnologia e roubo de conteúdo. Com o MusicLM, continuamos no “ovo ou galinha” da tecnologia: A IA criou uma música original ou apenas adaptou o que ouviu em seu treinamento?

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