Twitter coloca aviso de desinformação em matéria com críticas à Tesla

Ao clicar nos botões de curtir ou Retweet, usuário recebe aviso criado para combater desinformação e fake news sobre a pandemia

Felipe Freitas
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• Atualizado há 5 meses
Twitter (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Twitter (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Twitter marcou uma notícia com crítica à Tesla com o aviso de desinformação. A notificação usada na matéria surgiu para combater fake news relacionadas à pandemia de Covid-19. As duas empresas são de propriedade de Elon Musk.

Ao reagir ao tweet, seja com um retuite ou curtida, o usuário verá um pop-up sugerindo que ele procure mais informações sobre o assunto antes de concluir a ação. A matéria, publicada no China Daily, faz uma crítica ao portfólio pequeno e aparente “desinteresse” da Tesla com o mercado chinês — com mais de 1,4 bilhão de pessoas e sede por carros elétricos (EVs, do inglês “electric vehicle”).

Twitter marca críticas à Tesla como desinformação

A notificação de conteúdo desinformativo foi notada pelo influencer HasanAbi. Ele divulgou capturas de tela de um tweet na versão do aplicativo para smartphones. Ao clicar no botão de curtir, o pop-up de “saiba mais antes de divulgar o conteúdo” surgia na tela.

Nas respostas ao seu tweet, HasanAbi soube que a sua publicação também estava com a marcação. Todavia, nos testes que fizemos, a notificação de conteúdo desinformativo havia desaparecido. A mensagem é a mesma criada pelo Twitter para combater fake news sobre a pandemia de Covid-19.

Se foi um erro do algoritmo do Twitter, ou apenas uma “reação natural” da plataforma ao conteúdo do China Daily, só saberemos quando (e se) Elon Musk publicar algo sobre o assunto.

Crítica é válida, apesar da origem do China Daily

O China Daily é um veículo de notícias de propriedade do Partido Comunista da China, único partido existente na nação. De fato, informações oriundas de veículos ligados a partidos políticos precisam de mais atenção — ainda mais em ditaduras e países com liberdade de imprensa reduzida. Porém, a Tesla já ouviu coisa pior (e mais grave) nos Estados Unidos.

Na notícia do China Daily, Cui Dongshu, presidente da associação de carros de passageiros da China, reclama do portfólio limitado da fabricante. A Tesla vende apenas dois modelos no país: o sedã Model 3 e o utilitário Model Y.

Tesla Model Y (Foto: divulgação/Tesla)
Tesla Model Y é um dos dois EVs da marca vendidos na China (Foto: Divulgação/Tesla)

Como destaca a matéria, a marca está perdendo espaço no país para a BYD, fabricante chinesa com um extenso portfólio de EVs. De acordo com o CleanTechnica, especializado em energia renovável e carros elétricos, a BYD tem seis dos dez EVs mais vendidos em 2022.

Enquanto a crítica do China Daily praticamente dá as coordenadas para a Tesla recuperar o público chinês, uma matéria publicada na Vox no ano passado foi bem mais crítica com a fabricante.

Na notícia do veículo americano independente, diversos relatos de clientes da Tesla apontam como o serviço de manutenção da marca é problemático. Na matéria, há casos de consumidores que receberam seus carros com rato morto e até silver tape colando o painel frontal. Os centros de reparos da Tesla também sofrem com atrasos nas entregas. Contudo, publicar a notícia da Vox no Twitter não causou um aviso de desinformação.

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