A revelação de que o Uber usa uma espécie de versão falsa do seu serviço para escapar de ações de fiscalização em determinadas localidades não pegou bem. Para amenizar a má impressão, a companhia decidiu abandonar essa tática, mas já adiantou: levará algum tempo para o Greyball deixar de ser usado para tal fim.
Relembrando a história, o Greyball é uma ferramenta que cruza uma série de dados para identificar usuários que representam ameaça ao serviço: geolocalização, cartão de crédito, modelo do smartphone, histórico de uso do serviço, detalhes obtidos em redes sociais, etc.
Se, como base nessa análise, o Greyball identificar um usuário suspeito, a conta dessa pessoa no Uber passa a mostrar “fantasmas”, ou seja, carros que aparecem no mapa, mas que não estão na região. Além disso, o Uber pode aceitar corridas para cancelá-las na sequência ou simplesmente deixar o usuário esperando aceitação.
O Greyball faz parte de um programa chamado VTOS (sigla em inglês para “violação dos termos do serviço”) que o Uber criou em 2014 para identificar usuários que podem prejudicar ou espionar o serviço.
A polêmica começou neste ponto: o VTOS passou a ser usado para despistar autoridades que tinham o objetivo de fiscalizar o Uber em cidades onde o tipo de serviço ofertado pela companhia era considerado irregular ou tinha outro tipo de problema legal.
Todo mundo sabe que o Uber só conseguiu se espalhar pelo mundo por enfrentar organizações e governos contrários ao seu modelo de negócio, mas, para muita gente, a empresa foi longe demais ao despistar agentes de fiscalização e policiais com o Greyball. É como se a companhia não tivesse respeito pela figura da autoridade. O vídeo abaixo mostra um policial sendo “vítima”.
Não se sabe se pela polêmica ou pelo risco de o Greyball gerar processos contra o Uber — ou os dois —, mas Joe Sullivan, chefe de segurança da companhia, anunciou a decisão de rever o uso do sistema.
De acordo com a nota, o Greyball continuará sendo usado para prevenção de fraudes, proteção de funcionários ou parceiros e ações de marketing, por exemplo, mas não poderá mais ser utilizado para despistar autoridades.
Chama atenção, porém, a parte final do comunicado: Sullivan afirma que levará algum tempo para garantir que o Greyball não será mais usado contra autoridades por causa da forma como os sistemas da empresa foram configurados. É como se a tecnologia estivesse tão enraizada na plataforma que, agora, é difícil modificá-la.