YouTube vai remover vídeos que sugerem cloroquina contra COVID-19

YouTube atualizou regras para proibir vídeos que incentivam uso de Ivermectina e Hidroxicloroquina contra COVID-19

Emerson Alecrim
Por
• Atualizado há 2 anos e 6 meses
Aplicativo do YouTube (Imagem: Hello I'm Nik/Unsplash)
Aplicativo do YouTube (Imagem: Hello I'm Nik/Unsplash)

A comunidade científica tem alertado, reiteradamente, que medicamentos como Hidroxicloroquina (derivada da cloroquina) e Ivermectina não têm eficácia contra a COVID-19. Apesar disso, publicações promovendo essas e outras drogas no enfrentamento da pandemia não param de surgir. É por isso que o YouTube decidiu dar um basta: vídeos que incentivam tratamentos comprovadamente ineficazes contra a doença serão removidos da plataforma.

As políticas do YouTube para combate a informações falsas ou inconsistentes sobre COVID-19 já fizeram mais de 850 mil vídeos serem retirados do serviço. Essas regras foram atualizadas recentemente para serem mais específicas no que diz respeito a tratamentos.

Agora, a página Política de informações médicas incorretas relacionadas à COVID-19 da ajuda do YouTube diz, entre outras regras, que o usuário não deve publicar vídeos com:

  • Conteúdo que recomenda o uso de Ivermectina ou Hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19
  • Afirmações de que Ivermectina ou Hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a COVID-19

O YouTube é enfático: o conteúdo que violar as regras será removido da plataforma. O usuário ainda estará sujeito ao encerramento de seu canal caso receba três penalizações.

Haverá exceção apenas para vídeos que violam as regras em determinado momento para refutar informações inverídicas ou tenham contexto educativo, documental, artístico ou científico.

Regras valem principalmente para o Brasil

Apesar de as regras serem globais, elas têm efeito mais imediato sobre o Brasil. No país, o incentivo ao chamado “tratamento precoce”, que inclui o uso de Ivermectina e Hidroxicloroquina, ainda é bastante difundido.

Nas redes sociais, é relativamente fácil encontrar declarações de pessoas que afirmam ter superado ou prevenido a COVID-19 graças ao uso dessas ou de outras drogas.

No entanto, institutos de pesquisa não encontraram nenhum benefício na adoção desses medicamentos no tratamento ou prevenção da doença. Na verdade, eles podem causar efeitos colaterais graves se consumidos indiscriminadamente.

As pessoas que relatam cura com Ivermectina, Hidroxicloroquina e afins não levam em conta que, estatisticamente, a maioria dos indivíduos contaminados pelo coronavírus não evoluem para as formas mais graves da COVID-19 e que, portanto, elas se curaram por ação de seu próprio organismo.

Em parte, a crença de que esses medicamentos combatem a COVID-19 é efeito da insistência do governo federal de estimular o “tratamento precoce”, por mais que os cientistas alertem que isso não funciona.

Também há muito conteúdo a respeito em plataformas online. No caso do YouTube, um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto ligado à USP Leste, constatou que, em janeiro de 2021, a plataforma não só estava repleta de vídeos negacionistas sobre a pandemia como também remunerava muitos deles. Um dos vídeos havia acumulado mais de 6 milhões de visualizações.

Diante disso, a atualização das regras chega em clima de “antes tarde do que nunca”. Resta saber se o YouTube dará conta de identificar e remover todos os vídeos que violam as suas políticas de conteúdo sobre COVID-19.

Com informações: Estadão.

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