Testamos Celular

Nokia C7 com Symbian^3 ainda é um pouco confuso

Rafael Silva
Por

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Como um dos grandes marcados em que faz sucesso, a Nokia tem que tentar manter sua presença forte no Brasil, enquanto os celulares com Windows Phone 7 não chegam. E como era de se esperar, a fabricante vai atirando na nossa direção os mais variados celulares com Symbian. Um dos mais recentes é o Nokia C7, que chegou no país pelas mãos da operadora Vivo.

Tirando os eventuais Androids que já testei aqui no TB, eu até recentemente sempre usei o Nokia 5800 XpressMusic com Symbian como meu principal celular (em um post mais tarde digo qual comprei). Então já tenho uma ideia do que esperar no C7, que roda Symbian^3. Resta saber se o aparelho se sustenta sozinho com o S.O. ou se vai mal das pernas. Leia adiante para descobrir.

Design

Por ser um celular em barra com tela sensível ao toque, você já espera que a Nokia entregue um aparelho com o design padrão da empresa: três botões e cantos arredondados. E é nessa fórmula já conhecida que o C7 se encaixa, sem muitas inovações ou diferenças. No lado direito estão os botões de controle de volume, câmera, travamento de tela e o botão de comando de voz.

Na frente dele estão a câmera frontal e os três botões físicos (sendo o home o único que realmente se destaca) e na parte superior estão o botão de ligar/desligar e as saídas USB e de fone de ouvido. Em um mundo com tantos designs diferentes de celular, é bacana ver que a Nokia insiste em manter o botão de câmera, algo que até a Apple planeja adicionar via software, com o iOS 5.

Capa metálica de NFC | Clique para ampliar

A traseira do C7 é onde há um item interessante. Além da câmera de 8 megapixels com duplo flash de LED, a tampa da bateria vem com contatos metálicos que o tornam compatível com a tecnologia NFC. Mas aparentemente a versão vendida no Brasil não tem o software apropriado para ler tais sinais, o que não é exatamente uma pena já que não há uso para essa tecnologia aqui ainda.

Tela e interface

Com 3,5 polegadas, a tela capacitiva de AMOLED se mostrou brilhante o bastante para continuar visível contra a luz do Sol. Mas uma coisa que irritou o meu TOC por economia de bateria foi o fato de que a dita tela nunca é desligada. Mesmo com ela travada e em descanso, a tela ainda vai ter algum brilho mesmo fraco para mostrar o maldito relógio.

Ainda que seja uma tela com brilho suficiente, ela nem sempre foi a ideal em termos de precisão. Talvez por que eu já esteja acostumado com a precisão milimétrica dos toques do iPod e dos Androids que já testei, percebi um certo descalibramento de toque. Mas com resolução de 360 x 640 pixels, a tela consegue ser boa o suficiente.

A interface do Symbian^3 recebeu merecidas atualizações em relação às versões anteriores. O sistema de multi-tarefa, acessado ao apertar por 2 segundos o botão home, dá mais detalhes dos aplicativos rodando ao fundo e permite que eles sejam fechados mais rapidamente. Mas a Nokia ainda deixou um amplo espaço para melhorias, principalmente no que diz respeito às configurações avançadas: fazer o celular esquecer uma rede WiFi continua um parto.

Câmera

Se tem uma coisa que a Nokia aprendeu a colocar em celulares é a câmera. E ela não escorrega no C7: seu sensor de 8 megapixels não está acompanhado de uma lente Calr Zeiss mas não deixa de capturar imagens de excelente qualidade. As configurações da câmera ainda são diversas e um pouco confusas inicialmente, mas são facilmente acessadas. Veja abaixo alguns exemplos de fotos tiradas com o C7.

Durante situações de pouca luminosidade, o duplo flash de LED se mostrou um ótimo companheiro do sensor. Ele ilumina bastante um espaço fechado e escuro, embora falhe em situações de campo aberto, como ocorre com a grande maioria dos celulares. A gravação de vídeo funcionou bem e o flash também ajudou bastante nesse aspecto, mas o vídeo ficou um pouco granulado na sua versão em 720p.

Já a câmera frontal é só uma VGA mesmo que não serve para mais nada além de videochamadas em certos aplicativos.

Multimídia

Celulares Nokia não são exatamente conhecidos pelas suas maravilhosas funções multimídia inovadores. Eles têm suporte a certos tipos de arquivo que mais parece que foram colocados lá por obrigação, já que não acompanha o melhor player de música ou vídeo do planeta. Mas eles estão lá e isso já é algum progresso.

Não há nada de muito diferente no Symbian^3, o suporte a mp3 e aac está incluído e para vídeo apenas o formato mp4 é aceito. Qualquer vídeo, aliás, precisa ser convertido por meio do Nokia Ovi Suite antes de poder ser tocado no C7. A menos que você já baixe no formato mp4 compatível com o Symbian^3.

Os fones de ouvido que acompanham o C7 são bons, principalmente durante chamadas. Mas não vá tentar ouvir músicas graves demais ou ele soará abafado. Por outro lado, os auto-falantes do C7 (localizados atrás, ao lado da câmera) têm uma qualidade excepcional que me surpreendeu.

Aplicativos

Integrado no C7 estão duas redes sociais: o Twitter e o Facebook. Na tela inicial do celular há um ícone do orkut, mas não se engane: é apenas um atalho para a versão móvel da página. A configuração das redes é bem simples e o suporte para elas segue o mesmo esquema: tão humilde que chega a ser risível. Ele é precário, pouco eficiente e me faz dar graças ao desenvolvedor Janole pela existência do Gravity.

Como forma de promover sua Ovi Store e mostrar que a plataforma Symbian também tem bons aplicativos, a Nokia disponibilizou alguns jogos de graça durante um tempo. O pacote de games tem 15 jogos gratuitos e que são compatíveis com o C7. Dentre eles os já famosos Angry Bird, Worms, Fruit Ninja, The Sims 3 e até Assassin’s Creed.

O C7 consegue rodar esses jogos sem travadas perceptíveis, mas não vá comprar esse modelo achando que todos serão assim. A quantidade de jogos disponíveis na Ovi Store ainda é pouca, porém as que existem são boas o bastante para não se morrer entediado.

Mas além disso, no C7 estão incluídos também aplicativos de escritório como o QuickOffice e uma versão do leitor de PDF da adobe, o que é bastante prático para quem pretende usá-lo em um ambiente empresarial.

Sincronização com o PC

No meu review do Samsung Galaxy S II eu comparei o Samsung Kies, programa usado para sincronização com o PC, com o iTunes, em termos de lentidão e tempo de carregamento. Se os dois tivessem um filho, ele certamente seria o Nokia Ovi Suite. Chamar esse programa de lesma é uma ofensa a todos os lentos moluscos gastrópodes que se arrastam para chegar onde querem.

Ovi Suite: um tapa na cara seria menos doloroso | Clique para ampliar

Mas ainda assim, perseverei. Apesar de lento, programa oferece boas opções para quem quer salvar um backup de fotos, contatos e mensagens SMS, além de oferecer o download gratuito de mapas para o Ovi Mapas. Outro ponto que é importante destacar é que a Nokia finalmente dominou a tecnologia que permite um celular ser carregado pela porta USB, o que é bacana.

Bateria

Se por um lado a Nokia só aprendeu recentemente que a porta USB pode ser usada para carregar aparelhos, por outro lado, a finlandesa de celulares já domina a tecnologia de baterias há algum tempo. A bateria do C7 não decepcionou, mas também não fez melhor do que a dos seus atuais concorrentes.

Com navegação constante por meio de redes WiFi e 3G apenas, ela durou pouco mais de 6 horas e 30 minutos, um tempo respeitável considerando que as redes de dados no Brasil comem a bateria de celulares como se fossem cereal no café da manhã. Esse tempo aumentou para 8 horas quando o acesso à internet foi mais esporádico, em intervalos de meia hora ao longo do dia, mas com a tela no brilho médio e sem playback de mídia.

Pontos fortes

  • Tela de AMOLED de respeito;
  • Câmera mais que decente;
  • Bateria de boa duração.

Pontos fracos

  • Toque falha às vezes;
  • Suporte precário a redes sociais;
  • Interface do Symbian^3 ainda confusa.

Conclusão

Como um todo achei que a interface do Symbian^3 continua um pouco confusa para o usuário final. Ele pode ser um sistema que tem boas funcionalidades e que oferece um bom suporte ao hardware do C7, mas você ainda precisa adivinhar onde desligar o WiFi propriamente e o T9 do sistema não tem um dicionário muito amplo, já que eu precisei adicionar palavras manualmente diversas vezes.

O C7 é básico, porém não tem um preço equivalente. Ele é um aparelho com um bom conjunto de funcionalidades e algumas desvantagens, sendo uma delas o ainda limitado Symbian. Sua boa câmera, boa vida de bateria, a simplória (porém presente) integração com redes sociais e opções de conectividade podem ser o bastante para alguém que não espera muito de um celular. Porém, para o resto de nós, geeks que já sabem o que o resto dos celulares oferece no mundo, ele não é.

Aqui no Brasil, o Nokia C7 é vendido na loja da Nokia por R$ 999,00 desbloqueado, mas só passa a ficar interessante mesmo na opção de venda com fidelidade de 12 meses pela Vivo, em que ele acaba custando R$ 599,00 no plano Vivo 650. O Symbian Anna vai chegar no C7 no terceiro trimestre e talvez então ele compense os R$ 999,00. Mas até lá, ele ainda fica devendo.

Rafael Silva

Ex-autor

Rafael Silva estudou Tecnologia de Redes de Computadores e mora em São Paulo. Como redator, produziu textos sobre smartphones, games, notícias e tecnologia, além de participar dos primeiros podcasts do Tecnoblog. Foi redator no B9 e atualmente é analista de redes sociais no Greenpeace, onde desenvolve estratégias de engajamento, produz roteiros e apresenta o podcast “As Árvores Somos Nozes”.