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Início » Jogos » O esquecido gênero “galhofa” dos games

Você já ouviu este argumento diversas vezes: “videogames são, mais do que nunca, uma forma de narrativa assim como cinema ou literatura”. Ou “games podem tratam de assuntos maduros e não podem mais ser dispensados como simples passatempo pra criança”. No geral, este discurso se condensa no já meio clichê “games também podem ser arte”.

Não que eu mesmo não defenda este ponto; já bati nessa tecla diversas vezes aqui no Tecnoblog. Essa “desculpa” de que games são uma forma de arte (que eu chamo de “desculpa” porque invariavelmente essa explicação tem um tom meio defensivo, como se você precisasse justificar seu hobby) tem mérito, na realidade.

Acontece que ela não precisa ser a única forma de descrever videogames. Nem todo game precisa aspirar a ser uma obra prima pra validar a indústria como um todo.

Eu estava pensando nisso quando vi o trailer recente para Lollipop Chainsaw, um novo jogo da inacabável safra de “game de demolição de zumbis em massa”.


(Vídeo do YouTube)

Logo de cara, aceitei o jogo pelo que ele se propõe ser. Mergulhei com vontade no absurdismo gratuito: referências a filmes, palavrões em fartura, uma cheerleader estereotípica no papel de Action Girl (trazendo a tiracolo a cabeça decapitada de seu namorado, que mantem-se viva sem grandes explicações, e uma serra elétrica de tamanho descomunal).

Tudo é esculachado no jogo, e é justamente este o seu maior diferencial. Daqui três ou quatro anos ninguém lembrará de Lollipop Chainsaw pelos gráficos, ou gameplay (se é que vão lembrar de qualquer forma). A única característica marcante será o humor zoado. Talvez haja chances de que a protagonista seja imortalizada em inúmeros cosplays vindouros. Tirando isso, arrisco a previsão óbvia de que será um jogo bem esquecível.

É um “game galhofa“, se me permitem o neologismo, um gênero que parece não ter muitos representantes de peso nos últimos anos.

Embora o game galhofa sirva talvez na mão de alguns como um argumento contra a ideia de que videogames são arte, vejo-os como um necessário extremo do espectro. Assim como nem todo filme precisa ser Cidadão Kane, nem todo game precisa ter a direção artística ou a atmosfera soturna de Shadow of the Colossus.

Lembro de alguns games galhofa memoráveis. O meu primeiro contato com esse gênero, se é que posso categorizar isso como um gênero inteiro, foi Boogerman: um jogo com descrição tão ridícula que eu acreditei estar sendo ludibriado pelo meu colega de escola que me apresentou à ideia por trás do jogo. Para os incautos, Boogerman é um jogo de SNES em que o protagonista é um zelador que se transforma num super-herói cujas habilidades especiais envolvem funções fisiológicas e muco de nariz.

Outro jogo que definitivamente merece pertencer ao gênero é o antológico Conker’s Bad Fur Day, para o Nintendo 64. O jogo, que estrela o esquilo Conker (que teve sua estréia como coadjuvante em Diddy Kong Racing), era inicialmente um game de plataforma com visual e temática direcionados às crianças. Os desenvolvedores mudaram de ideia em relação ao jogo, o que causou uma mudança drástica no tom da produção (e atrasou o lançamento do jogo em vários anos. Quando CBFD saiu, em 2001, o Nintendo 64 já estava com o pé na cova).  

Mas valeu a pena. O que seria apenas mais um joguinho infantil de plafatorma pro N64 tornou-se um icônico game galhofa: referências a filmes (alguns até relativamente recentes na época, como Matrix, o que é bastante raro num game), humor derivado de funções fisiológicas, e muito palavrão. Era algo bastante estranho de se ver num console da Nintendo, aliás.


(Vídeo do YouTube)

Eu sinto falta de mais jogos como esses: games com tom de palhaçada, que não levam nada a sério (especialmente não a si mesmos) e que fazem valer a histeria que alguns grupos às vezes tocam em relação à suposta “má influência dos games”.

Qual o seu game galhofa favorito?

TB Respostas
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22 Comentários (Deixe o seu!)

  • Gaba
    1848c

    Boogerman foi o único. Bem galhofa mesmo kkk.

    Off: toda vez que olho pra sua foto, vejo o Leonard, do The Big Bang Theory, rsrsrs.

    • Caraca velho. Achei que era só eu que achava.

  • Pedro
    477c

    Meu Deus! Já joguei muito esse Boogerman! Bateu uma nostalgia total agora! hahaha

  • Quandt
    26c

    Carmageddon com certeza!

  • Yangm
    5265c

    Boogerman foi um dos primeiros jogos que eu já joguei na vida. Foi em um Windows 98, em um CD que tinha +-512 jogos, vendido em camelô que só roda em Windows 98, que eu pedi, cuja as trilhas sonoras do (se é que eu posso chamar aquilo de) launcher eu tenho até hoje. Eram em MID.
    Nunca mais encontrei uma cópia desse CD por ai, nem na internet.
    E esse é um dos meus traumas de infância.

    • Márcio

      Se era um CD de capa azul, eu tive. Tinha 512 jogos também mas eu rodava eles no Win95. Tinha os 3 primeiros Duke Nukem, Destruction Derby, Lemmings, Doom 3 Versão Paródia, Leisuite Larry(sei lá como escreve) entre oturos ótimos!! kkk

      • Yangm
        5265c

        Tinha alguns da Disney? E uns da WB? Disse “só Win98″ porque na época ele não rodava no avançado Windows XP. Mas nunca tentei rodar ele em um Win95.
        Se tiver ele ainda ai, faz uma iso dele e manda pra mim.

      • Yangm
        5265c

        O meu tinha cor de desbotado.

  • Sr. Sem Papo
    1297c

    Izzy, era o Boogerman que você passava mal ao jogar?

  • Musashi
    3c

    Acho que hoje o maior propagador desse gênero é o Suda51 mesmo. Afinal os 2 No More Heroes são ótimos nesse quesito.

    • De fato, estou jogando o primeiro e fazia tempos que não ria tanto. Fora que outro dia eu vi um vídeo com o Suda51 sentado numa privada com um Wiimote na mão apresentando as novidades do segundo título que também é hilário.

  • Mondego

    Brutal Legend pode ser considerado um “game galhofa”?

  • Luiz

    Olá Izzy,

    Estou jogando Saints Row: The Third e a proposta do jogo, creio eu, é justamente ser galhofa. Acho que é justamente neste ponto que este jogo cria sua identidade perante ao já consagrado GTA. Não sou muito fã deste gênero de jogo, mas confesso que este jogo me cativou. Caso você consiga entender um pouco de inglês para compreender os diálogos do jogo, vai chorar de rir o tempo inteiro durante o jogo. Considero o Saints Row: The Third um excelente jogo galhofa. Provavelmente você já conhece, mas se não, eu recomendo.

  • Só por que é arte, não quer dizer que precisa aspirar a serum Cidadão Kane. Filmes, livros ou seja lá mais o quê com o intuito de zoar com si mesmo também são obras artísticas. Estou lendo Guia do Mochileiro das Galáxias, por exemplo, e ele é uma espécie de livro galhofa, uma história que não se leva a sério em quase momento algum. E é pura arte.

    O que não pode acontecer em nenhum meio é criação de produtos com puro intuito de gerar mais renda com o menor risco possível, muitas vezes copiando outros, modificando pouco. Filmes estão sofrendo muito disso ultimamente, com nada além de sequências desnecessárias adaptações idiotas. Livros estão apelando para o público adolescente cada vez mais. Revistas em quadrinhos precisou de obras como Watchmen e outras zoadas para ganhar prestígio. Há quem diga que a fotografia sofre disso com o Instagram. a TV sempre foi assim.

    O que precisamos são mais obras arriscadas, que tentam fazer o que ninguém fez e portanto fazer-nos pensar em coisas que nunca pensamos antes. Chainsaw Lollypop está tentando pegar um mercad muito pouco explorado pelo público normalmente explorado pelos AAA e muito explorado pelos Indies.

  • klausmedeiros

    Cara… ja tem um tempo q eu to atrás do boogerman. Adorava esse! Alguém sabe onde eu consigo?!

  • Conker’s Bad Fur Day é o melhor jogo de N64.

  • Curto muito postal e postal 2…

  • Turdin
    3324c

    Meu game “galhofa” ( que diabo de palavra é essa? ) favorito seria o Saints Row: The Third, ali apelaram na falta de noção bonito, e ficou bem legal

  • Ander

    Earthworm Jim!

  • Nossaaa….galhofãoo mesmo, carros corriam tanto que voavam, alterava-se a gravidade, nossa, momento nostalgia.

  • A primeira vez que vi o trailer de Lollipop Chainsaw lembrei na hora de OneChanbara. É tudo muito igual: boazuda com pouca roupa descendo o sarrafo em zunbis.

  • Conker é SENSACIONAL!

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