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Falha no ICANN revela domínios secretos de empresas de internet

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8 anos atrás

Preços de alguns domínios especiais, como .food ou .gay, podem ficar mais caros depois que uma falha no sistema de gerenciamento de pedidos do ICANN, a instituição americana que controla e organiza os domínios da internet mundial, permitiu que empresas de internet interessadas nos tais domínios descobrissem o que seus concorrentes pretendem registrar. No mundo digital, dá para dizer que o ICANN, graças à brecha, fez o favor de revelar segredos industriais para inimigos.

No início do ano iniciou-se o período de três meses para que empresas de internet e empresas especializadas no registro de domínios informassem quais sufixos gostariam de operar. Existe a expectativa no mercado de que companhias como Google ou Microsoft utilizem os endereços com final .google e .microsoft para manter sites próprios. Entre os motivos pelos quais domínios deste tipo foram aprovados está listado o maior e melhor controle por parte de proprietários de marcas. Instituições financeiras como Visa poderiam usar o .visa para todos os sites que possuem, tornando a identificação de páginas falsas mais fácil.

O ICANN pediu muitas desculpas pela brecha, descoberta no início deste mês. A instituição afirma que não se trata de um hack, mas uma falha que, acredite se quiser, fora documentada pelo responsável pelo software. Ainda assim, deu pau e fez com que uma empresa A visse informações da empresa B para o registro de um domínio que ambas gostariam de operar. Em caso de disputa para domínios concorridos, o ICANN pode recorrer à velha mecânica de leilão, na qual quem paga mais leva o produto -- ou o direito de operar o domínio.

Pelo menos as marcas estão garantidas. Não há dúvidas de que a Apple terá o sufixo .apple e eBay permanecerá com o .ebay. Da mesma forma, empresas brasileiras poderiam garantir seu espaço próprio na rede, desde que concordem em pagar custos que podem chegar aos US$ 500 mil no primeiro ano.

Um executivo do ICANN disse que atualmente a organização cruza 500 GB de dados dos processos para reserva de domínio, a fim de determinar quais informações foram expostos para quem. O passo seguinte é avisar empresas que tiveram formulários revelados, bem como funcionários de empresas que receberam e visualizaram as informações. O ICANN promete levar essa situação em consideração para julgar conflitos no futuro.

E é assim que vamos caminhando para uma internet com sufixos também para marcas ou assuntos (.amazon ou .men, para exemplificar). Será divertido ver as empresas anunciando na televisão os endereços .itau ou .bradesco. Talvez .banco, vai saber. E  nós, internautas, teremos que nos acostumar com essa profusão de possibilidades, além dos batidíssimos .com, .com.br ou .net (adotado por este humilde Tecnoblog).

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