A AMD renovou sua linha de processadores no início do ano com a família Kaveri: chips com socket FM2+ e fabricação em 28 nanômetros voltados para máquinas de entrada e intermediárias. Recentemente, a empresa colocou mais um membro na família, o A10-7800. Embora seja a segunda melhor APU da série A, o foco é diferente: em vez de priorizar o desempenho, a AMD colocou tudo em um chip de alta eficiência energética com TDP configurável de 65 ou 45 watts.

O A10-7800 é um “processador acelerado”, como a AMD gosta de chamar, que acompanha uma CPU quad-core de 3,5 GHz (até 3,9 GHz com Turbo Core) e uma GPU Radeon R7 de oito núcleos. Acima dele, há apenas o A10-7850K, que possui uma CPU com frequência maior (3,7 GHz) e naturalmente entrega mais desempenho, mas com um TDP significativamente mais alto, de 95 watts.

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Nos Estados Unidos, a APU foi lançada por US$ 155. Isso coloca o A10-7800 como concorrente direto do Core i3-4330, que tem preço sugerido de US$ 147. No Brasil, nem AMD e nem Intel divulgam seus preços — as fabricantes afirmam que não estipulam os valores e declaram que eles variam de região para região. Mas é possível encontrá-los por algo entre 400 e 500 reais em lojas especializadas.

O A10-7800 entrega o que promete?

Mantle e HSA

Este é o primeiro review de processador que você está lendo aqui, então talvez seja bom passar as coisas a limpo e explicar pelo menos duas tecnologias que a AMD faz questão de destacar em suas apresentações: Mantle e HSA (Heterogeneous System Architecture).

O Mantle é uma API gráfica da AMD para tornar os jogos para PCs mais rápidos. O que os desenvolvedores normalmente fazem é produzir os games com código “simplificado” que é convertido dinamicamente no momento da execução. Isso funciona, mas gera um trabalho extra para a CPU. A ideia do Mantle é permitir que os jogos se comuniquem diretamente com a GPU. Menos burocracia, mais velocidade, todos felizes.

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Mas como nada é tão fácil, para que os jogos se beneficiem do Mantle, eles precisam ser desenvolvidos com a API gráfica da AMD em mente. A lista de games com suporte ainda não é muito grande, mas já inclui vários títulos distribuídos pela EA, como Battlefield HardlineDragon Age: InquisitionPlants vs. Zombies Garden Warfare e o motor CryEngine.

Já a HSA é uma tentativa de tornar a GPU mais útil. Hoje, a GPU é usada principalmente para processar gráficos. De fato, ela é mais adequada que a CPU para isso, mas esta não é sua única capacidade: outras tarefas com processamento paralelo intensivo também se beneficiam das características da GPU. Algumas tarefas específicas (mineração de Bitcoins!) já são feitas pela GPU, mas a situação poderia ser melhor.

HSA Foundation é uma fundação criada justamente para tentar popularizar a HSA. Além da AMD, outras grandes empresas, incluindo ARM, LG, MediaTek, Qualcomm e Samsung, incentivam a tecnologia — por falar nisso, impossível não notar a ausência das duas principais concorrentes da AMD: Intel e Nvidia.

O A10-7800 e outras APUs da série A, portanto, foram produzidas com essas duas ideias em mente.

Plataforma

Para brincar com o A10-7800, a Gigabyte enviou uma G1.Sniper A88X que, junto com a GA-F2A88X-UP4, é uma das melhores placas-mãe da empresa.

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A G1.Sniper A88X tem o que esperamos de uma placa-mãe topo de linha. Com chipset AMD A88X e formato ATX, ela traz sete portas USB no painel traseiro (cinco USB 2.0 e duas USB 3.0); uma Gigabit Ethernet; saídas de vídeo VGA, DVI e HDMI; a velha PS/2 para teclado ou mouse; cinco conectores de áudio banhados a ouro e uma saída óptica S/PDIF. Você pode conectar até quatro módulos de memória DDR3 de 2.400 MHz e duas placas de vídeo nos slots PCI Express x16 (mas a segunda opera a x4).

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É uma placa-mãe bem construída, com detalhes em verde nos slots DDR3 e PCI Express e nos dissipadores de calor. Ao ligar a máquina, um mimo: há uma iluminação verde próxima aos capacitores da placa de som.

Para o que oferece, a G1.Sniper A88x é relativamente acessível, custando cerca de 450 reais, mas talvez seja exagero para o público que montaria um PC com o A10-7800 — ela ficaria muito mais interessante com um processador AMD FX (que não é compatível com o FM2+) e uma placa de vídeo dedicada. De qualquer forma, há opções bem mais simples que suportam a APU; a própria Gigabyte vende algumas por menos de 200 reais.

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Além da G1.Sniper A88X, o A10-7800 foi testado com o Kingston HyperX Beast (dois módulos DDR3 de 4 GB rodando a 1.600 MHz), um SSD Plextor M5 Pro de 256 GB e sistema operacional Windows 8.1.

Benchmarks

O Cinebench R15 é um benchmark que usa o poder da CPU para renderizar uma imagem fotorrealística em 3D. Ele testa tanto o desempenho com apenas um núcleo da CPU quanto com todos os núcleos.

O PCMark 8 possui baterias de testes que tentam imitar o uso real. No Creative, o benchmark simula edição de foto, edição de vídeo, decodificação de mídia e jogos. Já no Work, o foco está em navegação na web, edição de documentos e criação de planilhas. Os testes podem ser feitos do modo convencional ou com aceleração (ou seja, com uma ajudinha da GPU).

O 3DMark é um benchmark que usa o poder da GPU para renderizar gráficos tipicamente encontrados em jogos. Há uma série de cenários de teste; o mais pesado deles é o Fire Strike, voltado para PCs de alto desempenho, que usa DirectX 11.

Conclusão

Pelos números, fica claro que o forte do A10-7800 não é a CPU. Em tarefas de processamento bruto, os números ficam de 20% a 30% menores que os do seu principal concorrente, o Core i3-4330. Já quando se adiciona a aceleração da GPU, a coisa fica bem mais equilibrada. É nesse cenário que a AMD aposta, o que faz até certo sentido: assim, é possível projetar chips mais eficientes energeticamente. O problema é que apenas aplicativos otimizados se beneficiarão do poder extra.

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Mas se a CPU não faz milagres, não dá para questionar a GPU. O A10-7800 avança um pouco mais na história de mudar o que pensamos de GPUs integradas. Antigamente, elas não serviam para muito mais do que assistir a vídeos ou executar jogos bem leves. Hoje, a AMD mostra que dá sim para colocar um chip gráfico decente em um pequeno processador.

Nos meus testes, GRID Autosport rodou com uma média de 31 fps (1920×1080 pixels com os gráficos no médio e 4xMSAA), o que é uma marca ótima para uma GPU integrada. Em Bioshock Infinite, o resultado também é bom: 37,5 fps com os gráficos no médio e 28,5 fps no alto, ambos em HD (1280×720 pixels). Não são números gigantes, mas são suficientes para boa parte dos usuários.

O A10-7800, portanto, é um chip equilibrado, que provavelmente não irá satisfazer os usuários que dependem de processamento intenso (afinal, este nem é o propósito da APU), mas que entrega um bom desempenho de CPU e GPU. Quem fizer questão de gráficos no máximo e resoluções altíssimas pode comprar uma GPU dedicada, mas quem decidir ficar com a GPU integrada deverá ficar satisfeito.

A AMD ainda não está conseguindo bater os equivalentes da Intel em processamento bruto, mas é bom saber que está usando muito bem a GPU, hoje sua arma mais forte, para oferecer chips com custo-benefício bastante atraente.

Comentários

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Anayran Pinheiro
Higa, meio tarde para comentar, penso. Mas saberia dizer qual modelo é este de placa mãe de 200 reais compatível com este processador? Grato!
Elias Barnard
Cade ele pra vender no brasil? Nao acho em lugar nenhum.
Elias Barnard

Essa apu mal dá pra achar nos sites gringos pra vender. Não da pra entender essa amd. Alguem sabe onde vende no brasil?

Rafael Luik
Essas análises de APUs são boas de se ver, mas será que não era melhor tentar representar um cenário real? Por que por pra rodar no low / medium em 1080p!? Seria melhor um medium ou high em resolução menor 720p ou menos e talvez com algum Antisliasing ou não. Ninguém vai usar uma APU pra jogar em 1080p... Esses benchmarks irreais não são problemas exclusivos seus ou do Tecnoblog é claro. Apenas uma dica ou sugestão, seria um diferencial se vocês mostrassem cenários reais. :)
Rafael Luik
Hoje em dia o cenário tá diferente já. A AMD lançou o Athlon X4 860K (FM2+) e acho que eles batem de frente com esses Intel Pentium g3258 (se não em performance pura em preço com certeza). O 760K já chegava perto... Não encontro vendendo na internet aqui no Brasil mas com certeza é uma opção ótima no intermediário pra quem puder importar.
Marcos Almeida
Que review espetacular! Parabéns, muito bem feito! Aliás , todo o blog está com o aspecto extremamente profissional , nada deve á outros do segmento.
Caio Everton
Depende do uso. Tô pensando em montar um HTPC e com uma APU de entrada eu economizo na VGA e ainda consigo jogar games mais antigos sem engasgo que teria com uma CPU Intel. A economia de energia conta também nesse caso. Mas claro, pra um PC gamer ainda não acho que valha a pena trocar um CPU mais parrudo com uma VGA dedicada.
Chris Souza
Grande coisa, eu não posso comprar.
Edmilson_Junior
O review foi bem completo, me fez sentir saudades do tempo de desktop mas eu gostei mesmo foi das fotos, ficaram lindas! Não entendo quase nada de fotografia mas sei que essas me ajudariam a querer a placa :D
Vinicius Bastos
Parabéns Paulo. Espero que venham outros reviews. Simplificou e resumiu muito bem !
João Paulo Rochel
Tem que ver as proximos lançamentos, como vai se comportar em um sistema com DDR4 vai ser muito louco XD
João Paulo Rochel
Sim, eu tenho um G3320 3,0ghz com R7 260x e rodo Sniper Elite 3 no ultra em 60 fps, não cravados, as vezes fica 40, 50 etc.. no brasil não vale a pena montar um pc APU, pelo preço memoria+placa mae+apu sai um pouco mais caro ou o mesmo preço de um pc que rode 1080p no high/ultra
Douglas Teles
Quando a AMD conseguir fazer com que essa APU tenha desempenho equivalente à um CPU normal e otimizar mais a GPU integrada, ai sim... Pode-se dizer que a Intel vai sentir bastante.
Black Cat

Acredito que um pentium g3258 + R7 260X seja mais interessante, pouca coisa mais caro e com MUITO mais desempenho.

Senju Hashirama
Acredito que um pentium g3258 + R7 260X seja mais interessante, pouca coisa mais caro e com MUITO mais desempenho.
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