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Facebook e Google vão penalizar sites com notícias falsas

As duas empresas prometem bloquear anúncios de páginas que exibem conteúdo enganador

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1 ano e meio atrás
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Facebook

Notícias falsas circulam pela internet há muito tempo, mas essa prática se tornou mais perigosa com a popularização das redes sociais. Nelas, está cada vez mais difícil para muita gente diferenciar conteúdo legítimo de fictício. É por isso que Facebook e Google decidiram agir: ambas as companhias vetarão a exibição de anúncios publicitários em páginas que disseminam informações falsas.

Se o problema é tão antigo, por que só agora essa decisão foi tomada? Por pressão. Tanto o Facebook quanto o Google passaram os últimos dias recebendo críticas por serem, de certa forma, negligentes no combate ao conteúdo falso.

A gota d’água veio com a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Vários grupos de engajamento político e social acreditam que notícias falsas tenham beneficiado o candidato. Uma delas, que chegou a ser difundida no Brasil, dizia que o Papa Francisco estava apoiando a candidatura do republicano.

Talvez nem um estudo bastante aprofundado consiga confirmar se as notícias falsas na internet, de fato, ajudaram Donald Trump a ser eleito, mas as chances de que isso tenha acontecido são realmente grandes, especialmente no que diz respeito ao Facebook: estima-se que 44% dos cidadãos dos Estados Unidos usem a rede social para encontrar e ler notícias.

Donald Trump

Facebook e Google tentaram se desvencilhar das acusações, é claro. O próprio Mark Zuckerberg chegou a se manifestar dizendo que 99% do conteúdo do Facebook é legítimo. Mas, vendo que não seria suficiente, as duas companhias partiram para uma decisão mais enérgica (ainda que o Google tenha afirmado que a medida vinha sendo elaborada há muito tempo): o bloqueio de anúncios em páginas de notícias falsas.

Como isso será feito? A princípio, apenas com mudanças nos termos de uso das redes de publicidade de ambas as empresas. É possível também que ferramentas de bloqueio automático sejam implementadas, mas Facebook e Google não forneceram detalhes sobre isso.

Se é para combater conteúdo falso, o ideal seria impedir que páginas desse tipo sejam divulgadas e compartilhadas, mas fazer esse tipo de controle é muito difícil, beirando o inviável no curto prazo, dada a facilidade com que é possível criar sites ou compartilhar conteúdo nas redes sociais.

Notícia falsa exibida no Google durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos

Notícia falsa exibida com destaque no Google durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos

Enquanto sistemas de filtragem abrangentes não surgem, impedir a exibição de anúncios nessas páginas pode surtir efeito por conta de uma única razão: notícias falsas são um negócio muito rentável. Sites especializados nesse tipo de conteúdo usam estratégias muito eficientes para conseguir tráfego elevado.

Uma abordagem que é bastante aplicada é criar uma notícia chocante, com título chamativo, e exibí-la em uma página que se parece bastante com sites de notícias legítimos. Se o conteúdo parece verdadeiro, os próprios usuários inocentemente o compartilham. Com tráfego alto, sites do tipo conseguem obter receita significativa com anúncios.

Leia também: Tecnologia, eleições e a luta do Facebook contra a disseminação de boatos

Mas isso não quer dizer que o problema vai ser resolvido. Páginas que exibem conteúdo falso com objetivos políticos ou ideológicos, por exemplo, serão pouco ou nada impactadas pela decisão, assim como sites que publicam notícias falsas com intenções fraudulentas — convencer uma pessoa a comprar um remédio milagroso para emagrecimento, por exemplo.