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Moto Z2 Force: resistente, mas não muito atraente

Por
1 ano atrás
8

Prós

  • Bom desempenho e RAM de sobra
  • Efeitos de profundidade na câmera dupla funcionam bem

Contras

  • Bateria com duração medíocre
  • Design com bordas grandes
  • Sem entrada tradicional para fone de ouvido

O Moto Z2 Force é o dispositivo premium da Motorola para 2017: ele tem especificações de sobra, incluindo um processador potente e 6 GB de RAM, que não fazem feio em relação à concorrência. Além disso, ele se destaca pela tela ShatterShield, que não trinca nem estilhaça.

A Motorola também colocou aqui um corpo feito de alumínio resistente, e uma câmera dupla para efeitos de profundidade, e que consegue tirar fotos preto-e-branco.

A empresa ainda aposta forte no conceito de módulos: você pode encaixar uma bateria extra, projetor, caixa de som ou outros acessórios compatíveis (e vendidos à parte).

Será que isso é o suficiente para disputar espaço entre os smartphones premium? A câmera dupla cumpre o que promete? E a bateria relativamente pequena, aguenta o tranco? Testamos o Moto Z2 Force por algumas semanas; confira as respostas a seguir em nosso review.

Em vídeo

Design

O Moto Z2 Force mantém os principais elementos de design da Motorola para 2017: a câmera traseira fica em um módulo circular, o leitor de digitais está na parte frontal, e as bordas continuam grandes.

Claro, os conectores magnéticos para módulos seguem presentes: um dos diferenciais na linha Moto Z são os Snaps, que permitem ampliar as funcionalidades do aparelho com projetores, câmeras 360 graus e gamepads.

Enquanto o Moto Z de primeira geração tem metal e vidro na traseira, o Z2 Force adota uma superfície de alumínio série 7000, mais resistente. O aparelho dá uma sensação sólida mas não parece pesado na mão; ele tem 143 g. São apenas 6 mm de espessura, mas as bordas chanfradas têm uma boa pegada e não escorregam.

Ao contrário do Moto Z2 Play — que tem a mesma espessura — ele não inclui uma entrada tradicional 3,5 mm, apenas a porta USB Type-C. O Z2 Force vem acompanhado por um fone de ouvido com conector P2 — e um adaptador, é claro. Eu sou dono de um Moto Z e estou acostumado: tenho um fone para o computador, e outro para o celular que vive com o adaptador. Claro, isso pode ser inconveniente.

Temos aqui apenas um alto-falante: ele é usado para ligações e para áudio em geral, e emite som um pouco mais baixo do que eu gostaria. O leitor de digitais fica na parte inferior (mais sobre ele a seguir).

A lateral direita abriga os botões de volume e liga/desliga; enquanto a parte superior tem a bandeja híbrida — você pode usar dois chips, ou um chip e o cartão de memória. Por dentro, há um nanorrevestimento que repele água, mas o aparelho não é à prova d’água.

Tela

A tela do Moto Z2 Force tem 5,5 polegadas com resolução Quad-HD, com as cores vivas que você esperaria de um painel OLED. Trata-se aqui da tecnologia POLED, feita de plástico em vez de vidro para não quebrar.

Relatos iniciais diziam que essa tela “inquebrável” riscava com facilidade: ela sofria pequenos danos permanentes até mesmo se você passasse a unha, porque o plástico era muito macio e flexível. Parece que a Motorola amenizou esse problema, pelo menos em minha unidade de testes.

Eu tentei deixar arranhões com a unha, mas não consegui. Não surgiram marcas na tela nas primeiras semanas, mas agora consigo notar algumas por cima do logotipo, próximo ao leitor de digitais. Elas não ficam muito perceptíveis no uso diário, mas se você quiser se prevenir, é melhor usar uma película (não inclusa com o aparelho).

Duas coisas me irritam, no entanto. A superfície da tela é ligeiramente elevada em relação ao restante do aparelho, ou seja, seu dedo vai “raspar” nas bordas toda vez que você acessar algo nas extremidades da interface.

Isso também é um problema para usar os gestos de navegação no leitor de digitais: você poderia ver os apps recentes deslizando para a direita, ou voltar deslizando para a esquerda, por exemplo. No entanto, seu dedo vai ficar raspando nas bordas do sensor — algo tão inconveniente que eu desisti de usar.

Outro problema é o “jelly scrolling”, isto é, um efeito estranho que estica e condensa os elementos da interface durante a rolagem. Por exemplo, quando eu leio uma notícia no Tecnoblog ou em qualquer outro site, o espaço entre as linhas parecia crescer à medida que eu descia no texto; e voltava ao normal quando eu parava. Isso era bastante perceptível nos primeiros dias, mas eu acabei esquecendo disso com o tempo.

Software

Não há muitas surpresas no software do Moto Z2, o que eu prefiro. A experiência é bem próxima do Android puro: ele roda Nougat 7.1.1 com atualização confirmada para Oreo, e os apps pré-instalados são quase todos do Google (Gmail, suíte Docs, Duo).

A exceção fica para o app Moto. Ele tem três partes principais: a Moto Tela exibe notificações na tela de bloqueio, e permite configurar o modo noturno, que reduz a luz azul à noite.

Por sua vez, as Moto Ações permitem girar o aparelho duas vezes para abrir a câmera; fazer o movimento de “corte” para ligar a lanterna; entre outros gestos que você já conhece. Aqui, ao passar a mão por cima do dispositivo, a tela se acende sozinha; no entanto, isso está menos sensível que no Moto Z de primeira geração.

E, com a “navegação em um toque”, você pode usar o leitor de digitais para substituir os botões Voltar/Home/Multitarefa do Android. No entanto, como eu expliquei acima, isso é desconfortável por causa da tela elevada: você vai raspar o dedo nas bordas do sensor o tempo todo — então preferi não usar.

Por fim, o Moto Voz se tornou algo separado do Google Assistente. O recurso é ativado ao dizer “me mostra”; você não pode mais configurar seu comando personalizado. Basicamente, é possível apenas ver sua agenda (“me mostra meu dia”), a previsão do tempo (“me mostra o clima agora”), e abrir um app (“me mostra o Gmail”).

E ele não entende comandos mais complexos, como “me mostra a previsão do tempo no Rio de Janeiro” — ele só exibe as condições para sua cidade atual. O Moto Voz funciona mesmo com a tela desligada, mas sinceramente, eu meio que me esqueci dele.

Ainda é possível usar o “OK Google” com a tela desligada indo em Configurar > Segurança > Smart Lock > Voz de confiança. No entanto, você precisará permitir que sua voz desbloqueie o aparelho, o que não é muito seguro.

É um retrocesso em relação ao que tínhamos desde o primeiro Moto X, lançado em 2013; mas confesso que mantenho esse recurso desativado no meu Moto Z (por consumir muita bateria nele).

Câmeras

A Motorola decidiu colocar uma câmera dupla no Z2 Force: são dois sensores de 12 megapixels com abertura f/2,0; um deles é colorido, e o outro é monocromático. A ideia é melhorar o alcance dinâmico e a nitidez das fotos.

Em especial, o sensor duplo permite usar o “modo profundidade”, para borrar o plano de fundo. Felizmente — e ao contrário do Moto G5S Plus — este recurso funciona bem na maioria das vezes. Aqui temos nosso modelo profissional Paulo Higa; repare como o algoritmo detectou bem o plano de fundo (exceto pelo apoio da cadeira).

Aqui estou eu de volta ao Parque Ibirapuera, e desta vez a câmera me reconheceu perfeitamente:

Ela também conseguiu identificar corretamente esta placa:

E se saiu bem até em condições mais difíceis, identificando com alguma precisão este marreco nadando no lago:

Claro, a câmera pode errar às vezes: aqui ela cortou um pedaço de mim. Eu recomendo tirar pelo menos duas fotos de profundidade, para garantir que você consiga uma imagem boa; o Z2 Force é rápido em fazer o processamento.

Graças ao sensor monocromático, você também pode tirar fotos preto-e-branco sem aplicar filtros:

Voltando a atenção para os modos tradicionais da câmera, temos aqui um aparelho que tira fotos muito boas quando há iluminação o suficiente; mas acaba trazendo resultados meio borrados em pouca luz.

Eu gostei da nitidez das fotos com boa iluminação:

oi bb

tchau bb

As cores são um pouco mais vivas que no mundo real, especialmente no modo HDR:

Com HDR

Sem HDR

Como não há estabilização óptica de imagem, a câmera aplica um filtro de sharpening para deixar as fotos mais nítidas, sem prejudicar sua qualidade:

À noite ou sob pouca luz, você pode tirar fotos boas se tiver paciência. O Z2 Force é capaz de tirar fotos nítidas, mas geralmente não na primeira tentativa. Se você capturar mais de uma imagem, pode acertar no foco. Eis alguns exemplos:

A câmera frontal de 5 megapixels tem abertura f/2,2 e tira fotos boas quando há iluminação suficiente. Sob pouca luz, as selfies costumam sair borradas; o flash LED duplo às vezes ajuda, mas pode deixar o brilho estourado.

Desempenho e bateria

O Moto Z2 Force tem processador octa-core Snapdragon 835, que garante um desempenho rápido na maior parte do tempo. Você não terá problemas com jogos mais pesados, como ShadowGun, Real Racing 3 e Batman: The Enemy Within. No entanto, eu reparei em pequenos engasgos em transições na interface, talvez devido ao throttling do processador; é algo raro, mas como o desempenho é geralmente fluido, isso se torna algo perceptível.

O aparelho esquenta sob tarefas mais intensas, como jogos. Você vai sentir isso nas bordas inferiores e especialmente nos conectores magnéticos dos Moto Snaps. Ele não fica impossível de usar nem fecha apps automaticamente, mas também é algo perceptível.

É possível manter vários apps abertos com os 6 GB de RAM. O armazenamento interno é de 64 GB, que você pode expandir com um cartão de memória de até 2 TB — você terá que escolher entre dois chips ou um chip e um cartão microSD.

Pontuação no AnTuTu 6.2.7, Geekbench 4.1.3 e 3DMark

A bateria tem 2.730 mAh, o que é pouco se comparado a outros flagships atuais, como o Galaxy S8 e o LG G6. Ela durava cerca de 22h com uso moderado: navegando na web, batendo papo no WhatsApp e Telegram, usando o Google Maps, ouvindo música no Spotify e jogando de vez em quando.

À noite, o Z2 Force geralmente estava em cerca de 20%. Ele cumpre a promessa da Motorola de “bateria que dura o dia inteiro”, mas você precisa mesmo carregá-la diariamente — e ela pode acabar mais rápido se você quiser jogar ou tirar muitas fotos.

Claro, para esse problema há uma solução: usar o Snap de bateria. O Moto Power Pack tem capacidade de 2.200 mAh, mas oferece carga efetiva de apenas 1.100 mAh — o restante é perdido na transferência para os conectores.

O Z2 Force vem com um carregador TurboPower de 15 watts, que leva a bateria a 100% em cerca de uma hora. O carregamento do Snap de bateria, no entanto, é mais lento.

Vale notar aqui que a Motorola decidiu não incluir sequer uma capinha Style Shell para esconder os conectores da traseira: se você quiser uma, precisa comprá-la à parte. (O Moto Z vinha com uma capinha de couro.)

Conclusão

O Moto Z2 Force talvez seja o aparelho ideal para um tipo bem específico de consumidor: que quer um aparelho premium com a experiência pura do Android e não quer lidar com importação; ou que realmente gosta dos Moto Snaps.

Se você não se importa em ter o Android puro, o Galaxy S8 é claramente uma opção melhor. Tudo nele é superior, incluindo design, câmera e bateria — e o preço é bem semelhante. Além disso, a Samsung costuma atualizar a linha Galaxy S por duas gerações do Android (tal como a Motorola faz com seus tops de linha). Até mesmo o Galaxy S7 é um forte concorrente.

Mas se você realmente precisa do Android puro, ou dos Moto Snaps, há uma opção que eu recomendaria mais: o Moto Z2 Play. O desempenho é excelente, a bateria é um pouco maior, e a entrada de fone de ouvido segue presente. Você não terá os efeitos de profundidade na câmera, mas dá para viver sem eles. Fora que o preço é bem menor!

O Moto Z2 Force não tem o bastante para se destacar entre os smartphones premium de 2017. O design repleto de bordas está ultrapassado, a câmera é muito boa mas não excelente, a bateria dura pouco, e não há resistência contra água e poeira. O desempenho é bom, só que a concorrência oferece mais pela mesma faixa de preço — ele foi lançado por R$ 2.999.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 2.730 mAh;
  • Câmera: 12 MP + 12 MP na traseira e 5 megapixels na frente;
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.2, NFC, GPS, GLONASS, USB Type-C;
  • Dimensões: 155,8 x 76 x 5,99 – 8,39 mm (na câmera)
  • GPU: Adreno 540 de 670 MHz;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 64 GB (45 GB livres);
  • Memória RAM: 6 GB;
  • Peso: 143 gramas;
  • Plataforma: Android 7.1.1 Nougat;
  • Processador: octa-core Qualcomm Snapdragon 835;
  • Sensores: impressões digitais, acelerômetro, giroscópio, proximidade, luminosidade, bússola;
  • Tela: P-OLED de 5,5 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels e Moto ShatterShield.

Notas Individuais

Design
7
Tela
9
Software
8
Câmera
8
Desempenho
9
Bateria
7
Conectividade
8