Um projeto-piloto na cidade de São Paulo vai testar a migração de livros didáticos para um formato digital. Eles ficarão armazenados no celular de cada aluno, e serão totalmente interativos. Será que dá certo?

Inicialmente, o projeto vai envolver cerca de 8.200 alunos do 1º ano do ensino médio, em 39 escolas da capital paulista. Eles receberão o livro de matemática no formato digital e também impresso, porque ainda se trata de um teste. Se vingar, isso será expandido para mais escolas no estado de SP.

Foto por Charlotte Kesl/World Bank/Flickr

O livro digital terá o mesmo conteúdo do impresso, e permitirá que os alunos respondam às questões diretamente nele. Será possível usá-lo em smartphones e na web; caso o aluno use o app, o conteúdo ficará disponível offline. Isso inclui vídeos, áudios, animações, simulações de objetos 3D e jogos educativos.

O professor poderá visualizar as respostas dadas para cada exercício, quanto tempo o aluno passou em uma página, e quais conteúdos ele estudou. Esses dados ficarão armazenados na plataforma de nuvem Microsoft Azure.

Esta plataforma foi desenvolvida em parceria com a Microsoft e a Digital Pages. Esta última fornece serviços para empresas educacionais, digitalizando o conteúdo do Etapa e do Anglo, do curso de idiomas CCAA, e das faculdades Estácio.

O vídeo abaixo demonstra o app Etapa Digital, que oferece recursos de busca, marca-texto, entre outros:

A Estácio, por sua vez, oferece seu material didático de forma digital desde 2011, dentro do sistema Didá[email protected], juntamente a tablets da Semp Toshiba e da Positivo.

Enquanto isso, as escolas de SP vão contar com os smartphones dos próprios alunos. Em novembro, o uso do celular foi liberado em sala de aula para fins pedagógicos.

Há algumas questões que precisam ser respondidas. Os alunos não tendem a ficar mais distraídos com o smartphone em aula? O tamanho do dispositivo é adequado para exibir um livro digital? E quem não tem smartphone, ou não tem espaço disponível para guardar o app, como fica? Tudo isso deve ser esclarecido, eu espero, com os testes nas escolas.

Em comunicado, o governo de SP explica porque o projeto-piloto envolve matemática. O ensino médio do estado teve queda nas avaliações dessa disciplina entre 2015 e 2016; a ideia é ver se a tecnologia pode ajudar a reverter isso.

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Jóckisan
Hahaha Foi a mesma coisa com minha irmã.
Lairton Gomes
logo no ano que entrei deixaram de distribuir, que bosta.
Jóckisan
Meu pai comprou um para mim de um ex-aluno. Ele durou uns 5 anos (4 anos comigo e mais ou menos 1 ano com o antigo dono). Deixou de funcionar semana passada.
JN Marcos
Ainda peguei a época da disponibilização dos "tablets" ou "PCs sempre desconectados". Pena que o meu já se foi.
Bruno
Eles poderiam substituir esses Apps por um ensino de qualidade, por exemplo.
Jóckisan
Essa questão dos professores é outra coisa que deve ser colocado em consideração. Aqui em Pernambuco o governo fez em anos passados (hoje não mais) um programa que dava "tablets" para os alunos do Ensino Médio, como uma forma de modernizar o ensino. Na verdade eles eram netbooks de 10'' com Windows 7 e a tela era de toque, mas era daquelas LCDs antigas que só funcionava com canetinha. Mas o problema é que esses netbooks não eram usados nas aulas. Minha irmã dizia que todo mundo levava para a escola para ficar na internet pelo wi-fi da escola no intervalo. Os professores não receberam nenhum tipo de treinamento para usar essa tecnologia. No fim de tudo esses "tablets" (que era como o governo chamava) só serviram para fazer propaganda eleitoral e para manter o partido no poder, porque esse foi um programa popular (assim como todos os programas que dão coisas de graça para as pessoas são). No caso desse programa do Governo de São Paulo, para dar certo na prática os poderes têm que ser treinados. E o livro precisa ser dinâmico, porque se for só uma mera versão digital do livro impresso de visualização ruim, não vai funcionar.
Cérebro
Independente de apps, jogos ou sei lá o quê, eu acredito que livros em PDF em vez de livros impressos já seriam uma grande ajuda para o aluno não ter que levar um monte de peso pra escola.
Anayran Pinheiro
Se o professor se adequar a como usar o material digital, ele se torna um aliado. Porém este deve ser construído de forma a manter o suporte e mostrar coisas que o livro não é capaz de mostrar, como resolução de problemas de forma mais lúdica ao aluno. A geração de alunos que vem aí é diferente da nossa geração, temos que entender este ponto também.
Ulisses 8 Bits
Claro. Notas ruins em Matemática e a solução é... enfiar computadores nos alunos. É fácil, não precisa se preocupar com ensino de qualidade nem com o professor. É exatamente a mentalidade estúpida de pais que colocam a TV ou o computador para "educar" seus filhos, para servir de babá eletrônica. Será que é tão difícil de entender que estudar é um ato analógico de papel e caneta/lápis nas mãos e bunda na cadeira? Ah! mas isso é chato, leva tempo é preciso fazer força mental, isto é, estudar, e estudar de verdade ninguém quer né? Neste ponto aí o aluno é vítima de uma tentativa infeliz de escapismo, fuga da responsabilidade em treinar e pagar bem os professores e exigir do aluno que ele faça o mínimo. Estudar. E dar ao aluno as ferramentas necessárias para isso. Uma ótima sala de aula, um professor motivado e treinado e um ambiente com disciplina. Mas isso no Brasil é praticamente uma obra de ficção, algo beirando o impossível. Estudar Matemática exige o ato braçal de resolver exercícios. Ninguém aprende Matemática com o teclado. O tamanho dos livros didáticos não são por questões de estética e moda, eles precisam ter um tamanho maior, assim como um atlas humano o um livro de Geografia, faz parte do conforto visual e da concentração no estudo. Tem coisas que um PDF jamais poderá substituir. PDF´s podem ajudar, principalmente no ensino superior, que em tese, o aluno é mais independente e deveria saber estudar sozinho. Mas o pessoal que está no ensino médio para baixo precisa do ferramental titular que são os livros tradicionais. sabe quando que PDF´s vão substituir com êxito um bom livro? Nunca.
Felipe
Durante esse ano eu usei um material de um sistema de ensino da SOMOS, que é a "dona" do Anglo, então se o app for o mesmo que eu usei, sinceramente, não vale a migração não. Marcar trechos do texto, exercícios, até o passar das páginas era lento e nada perto da experiência com o papel. Sobre as dúvidas mencionadas: não, celulares não são confortáveis para ler um livro didático (eu usava mais nos casos de preguiça de carregar um material enorme pra só uma aula e pra se eu esquecesse) e não achei que o celular me distraia, se o foco tá na aula ele ta na aula independente de onde ela for, e se ta distraído eu acho que vai estar distraído independente de como for o livro. Só acho que esses livros digitais são legais e tals mas ainda muito distante de uma verdadeira modernização das aulas...