Início » Negócios » Theranos fecha as portas após fraude em tecnologia de exames médicos

Theranos fecha as portas após fraude em tecnologia de exames médicos

Fundada por Elizabeth Holmes, Theranos prometia tecnologia capaz de fazer mais de 200 exames médicos com poucas gotas de sangue; era tudo fraude

Emerson Alecrim Por
1 ano atrás

Em 2014, a Theranos era uma startup que valia US$ 9 bilhões. A sua fundadora, Elizabeth Holmes, era presença garantida na capa de grandes revistas e palestrou até em uma edição do TED. Nesta semana, porém, a Theranos avisou aos seus acionistas que está fechando as portas. A companhia não conseguiu lidar com as consequências de ter enganado investidores, médicos e pacientes.

Elizabeth Holmes

Elizabeth Holmes

Já contamos a vergonhosa história da Theranos, mas aqui vai um breve resumo: Elizabeth Holmes fundou a empresa em 2003 com a intenção de criar uma tecnologia capaz de revolucionar os exames médicos; cerca de dez anos depois, ela anunciou um equipamento capaz de fazer mais de 200 tipos de exames com apenas algumas gotas de sangue.

Como efeito, a Theranos acabou chamando atenção — que investidor não iria querer apostar em uma tecnologia capaz de revolucionar um mercado que, apenas nos Estados Unidos, movimenta mais de US$ 70 bilhões por ano? Só tinha um detalhe: tudo o que a companhia prometeu era mentira.

Apesar da empolgação do mercado, o tal do equipamento — de nome Edison — nunca foi apresentado publicamente, a Theranos sempre se desvencilhava de questionamentos sobre seus métodos e autoridades encontraram, em inspeções surpresa, procedimentos que até colocavam pacientes em risco.

Eis a consequência: as ações da Theranos despencaram e, agora, a empresa coleciona processos judiciais. Elizabeth Holmes, outrora comparada a Steve Jobs e Bill Gates, agora é vista como um exemplo do que não fazer no mercado. Ela teve que pagar multa e deixou o controle da Theranos como parte de um acordo com a SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos.

Elizabeth Holmes (Foto: Forbes)

Mas não é só: Holmes está impedida de comandar empresas de capital aberto por dez anos e foi indiciada criminalmente por fraude. Se condenada, ela poderá pegar até 20 anos de cadeia e está sujeita a uma multa de US$ 250 mil por cada um de seus delitos.

David Taylor, que assumiu o cargo de CEO após o a afastamento de Holmes, tentou fazer a Theranos ser vendida, mas não teve sucesso. Não surpreende: quem estaria disposto a assumir uma companhia tão desacreditada e, eventualmente, ter que lidar com problemas oriundos da fraude?

Em email enviado aos acionistas, Taylor comunicou o fechamento da Theranos e explicou que os ativos restantes serão utilizados para pagar credores, tanto quanto possível. A maioria dos funcionários que continuavam na empresa após o escândalo ter vindo à tona foi desligada na semana passada.

Com informações: Wall Street Journal