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Cofundador do Facebook diz que empresa deveria ser dividida em várias

Para Chris Hughes, Facebook trouxe "poder descontrolado" e influência sem igual a Mark Zuckerberg

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09/05/2019 às 15h35

As críticas de ex-executivos do Facebook estão se tornando mais comuns. A última veio do cofundador da rede social, Chris Hughes, que esteva na empresa até 2007. Em artigo publicado no New York Times, ele defende a divisão da companhia.

Hughes entende que isso seria necessário por conta do que ele considera ser um “poder descontrolado” de Mark Zuckerberg. Ele afirma ainda que o CEO do Facebook possui influência “muito além do que qualquer outra pessoa no setor privado ou no governo”.

Chris Hugues / quem fundou o facebook

“Mark é uma pessoa boa e gentil”, diz Hughes. “Mas estou com raiva porque seu foco no crescimento levou-o a sacrificar a segurança e a civilidade por cliques”. O empresário entende que devia ter refletido, quando ainda estava no Facebook, sobre o peso que a rede social poderia alcançar.

“Estou desapontado comigo e com a equipe inicial do Facebook por não pensar mais sobre como o algoritmo do feed de notícias pode mudar nossa cultura, influenciar eleições e empoderar líderes nacionalistas”, continua. “E estou preocupado que Mark tenha se cercado de uma equipe que reforça suas crenças em vez de desafiá-las”.

O empresário também respondeu ao artigo de Zuckerberg publicado em março no Washington Post. Nele, o CEO do Facebook admite a necessidade de mais regulação em quatro áreas: conteúdo nocivo, eleições, privacidade e portabilidade de dados.

Para Hughes, no entanto, Zuckerberg deseja apenas evitar um processo antitruste contra o Facebook. O cofundador da rede social acredita que a companhia deveria ser obrigada a reverter aquisições como o WhatsApp e o Instagram.

As saídas de integrantes do Facebook

O Facebook tem lidado com perdas de peças-chave de sua equipe. Em alguns casos, elas são causadas por desentendimentos em relação aos rumos que a empresa deve tomar.

Chris Cox, por exemplo, um dos responsáveis pelo feed de notícias, confirmou em março que deixaria a empresa. À época, ele disse que a integração entre WhatsApp, Instagram e Messenger exigiria “líderes entusiasmados em levar a cabo essa nova direção”.

Em setembro, os cofundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, também anunciaram que saíriam da empresa. Eles reprovaram ações de Zuckerberg, que queria ter mais controle sobre a rede social, ainda que tenha prometido independência quando ela foi comprada.

A saída dos criadores do WhatsApp ocorreu há mais tempo. Jan Koum decidiu deixar o Facebook em maio de 2018. A decisão foi tomada após a empresa estudar enfraquecer a criptografia do mensageiro para facilitar o uso do WhatsApp Business.

Brian Acton, por sua vez, deixou a companhia em setembro de 2017 e, meses depois, investiu US$ 50 milhões no Signal, um aplicativo de mensagens com foco em privacidade. Com a revelação do caso Cambridge Analytica, ele chegou até mesmo a se juntar à campanha #DeleteFacebook.

Ao Tecnoblog, o Facebook afirmou entender que com o sucesso vem a responsabilidade, mas pontuou que ela não pode ser imposta por meio da exigência da cisão de uma empresa americana bem-sucedida.

“A responsabilidade das empresas de tecnologia só pode ser alcançada por meio da introdução diligente de novas regulações para a internet”, diz a nota assinada pelo vice-presidente de Global Affairs e Comunicações do Facebook, Nick Clegg. “Isso é exatamente o que Mark Zuckerberg tem pedido. Aliás, ele está se reunindo com líderes do governo nesta semana para dar continuidade a esse trabalho”.

Post atualizado às 14h57 de sexta-feira (10) com a resposta do Facebook.

Com informações: CNN.

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