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Ubuntu vai manter suporte a pacotes de 32 bits após recuo da Canonical

Ao decidir pelo fim do suporte a pacotes de 32 bits no Ubuntu, Canonical não esperava uma reação contrária tão forte

Emerson Alecrim Por

Na semana passada, a Canonical revelou a decisão de encerrar o suporte a aplicativos de 32 bits (i386) no Ubuntu, começando já pela próxima versão oficial, o Ubuntu 19.10 (a ser lançado em outubro). Mas a reação contrária foi tão forte que a empresa soltou um comunicado para dizer que não é bem assim.

Pelo menos desde 2014 que os desenvolvedores pensam em encerrar o suporte aos pacotes i386 no Ubuntu. Uma das principais razões está no fato de que as atualizações para a arquitetura de 32 bits demandam muitos esforços e tempo, tanto quanto o suporte às aplicações de 64 bits, só que estas contam com o diferencial de ter uma base cada vez maior de usuários.

Nos últimos anos, as discussões sobre o assunto não geraram nenhuma reação acalorada, o que levou os desenvolvedores a acreditar que este seria o momento certo para tomar a decisão, explica a Canonical no comunicado.

Não que aplicativos i386 se tornariam incompatíveis com o Ubuntu de uma hora para outra, mas versões de bibliotecas de 32s bits deixariam de ser fornecidas, o que poderia, por exemplo, ocasionar problemas de compatibilidade em determinados softwares.

Ubuntu 19.04

Mas as manifestações contrárias foram numerosas e, em alguns casos, bastante enérgicas. O que contribuiu com isso foram os possíveis efeitos colaterais: distribuições e projetos baseados no Ubuntu também passariam a ter restrições para aplicativos de 32 bits, consequentemente.

Dois exemplos notáveis são os do Wine e do Steam. Depois do anúncio da Canonical, desenvolvedores de ambas as plataformas sinalizaram com a intenção de abandonar o suporte ao Ubuntu.

No caso do Steam, Pierre-Loup Griffai, um dos principais desenvolvedores do serviço, declarou que a Valve (você sabe, a dona do Steam) já está considerando direcionar o seu foco para outra distribuição e pensando em formas de amenizar os transtornos para os usuários atuais.

Pelo jeito, a pressão deu certo. Em seu comunicado, a Canonical deu a entender que, com base no feedback obtido, não irá mais encerrar o suporte a pacotes i386, mas permitir que eles sejam aplicados onde for necessário — haverá um trabalho de comunidade para decidir quais são importantes para a manutenção de softwares legados.

A companhia alertou, porém, que pacotes de 32 bits, de modo geral, são pouco usados atualmente e, por isso, passam por testes e correções menos frequentes, situação que aumenta as chances de problemas de segurança surgirem.

Com informações: SlashGear.

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Genilson da Silva
O problema é que vários jogos que você conhece, nem sabe que precisa de bibliotecas 32 bits. Você pode exigir que um desenvolvedor atualize para 64, algo que vai ser difícil de ser atendido. Agora, não pode ficar rebatendo usuários que dependem desses softwares, ou desenvolvedores do Wine ou do Steam. São esses os que estão reclamando e não os criadores dos jogos, que provavelmente nem sabem o que está acontecendo. Virtualização não resolve o problema, já que a reclamação se baseia no risco das bibliotecas não serem mais atualizadas. O Ubuntu (pelo apt e dpkg) não permite incluir no mesmo repositório versões diferentes de pacotes 32 e 64 bits.
Anderson Silva
No caso do IPv6, eu ficaria tranquilíssimo! Pra mim, o impacto de perder o v4 vai ser bem pequeno pois além de conectividade nativa eu também tenho um NAT64 só esperando pra rodar aqui na minha rede quando eu achar que é viável o suficiente. Mas voltando ao assunto...Em relação à abandonware, já comentei num outro canto aqui; do restante, é por isso que eu to reclamando desse pessoal que podia migrar pra 64-bit e não migra - tem que esperar parar de funcionar e começar a perder dinheiro... perder clientes... perder credibilidade pra só daí correr atrás do prejuízo. É uma decisão um tanto abrupta por parte da Canonical? Sim, mas se ninguém bater na mesa e falar "Vamo mudar essa *(&$!(ˆ$!", aí é que ngm. vai fazer! OK que vão repensar a estratégia mas tomara que não esqueçam do propósito como um todo: Evoluir!
Diamons Are Forever
Se a partir de hoje seu navegador decidisse não abrir mais site IPv4. O que você faria? Esperaria que todos os seus sites migrassem para IPv6? Eu procuraria outro navegador ao invés de esperar que coisas que não estão sob o meu controle mudem. O mesmo vale para esse galera que está reclamando. A Steam vai ter que ouvir reclamações (justas) de quem comprou jogos que agora não são mais compatíveis, já que a Valve não pode obrigar empresas de terceiros a atualizarem seus jogos. Como o Wine vai tentar emular o Windows que ainda roda coisas 32-bits sem as libs de 32-bits?O que eu quero dizer é: Concordo que que as coisas devam ir para 64-bits, mas não é puxando o tapete como a Canonical fez. É através de um esforço gradual e coletivo. Vide o Adobe Flash, ele não é um software nem perto de ser essencial e vem morrendo naturalmente há anos. Considero um exemplo de evolução bem sucedida, pois a mudança foi tão transparente que nem lembro de um site meu quebrar quando deixei de usar o Flash.
Diamons Are Forever
Atualizar a Steam é o menor dos problemas. O problema mesmo é os outros desenvolvedores reescreverem seus jogos. E na hora de reclamar, quem comprou os jogos incompatíveis vai reclamar à própria Valve.
Anderson Antonio Santos Costa
Pressão do Steam para isso...Pena que a Steam não atualiza seu app para 64-bit.
Qohen Leth
Usuário Windows não tem tempo para ficar com este tipo de mimimimi porque está cheio de jogos enfileirados no STEAM para jogar... ;)
Fábio Nascimento
Parece q o pessoal não quer evoluir ... IPV6 não vai para frente porque muitos sites não se preparam para mudança, SO não são puramente 64bits porque desenvolvedores estão parados no tempo. Bora ai galera se mexe as coisas mudam que venha IPV6 que venha SOs 64bits.
Matheus Fantinel
Virtualização sempre tem queda grande de performance, além de simplesmente não ser uma experiência nativa.No caso do Linux formatos de aplicativo como Flatpak resolvem o problema, pois são containerizados. O Steam inclusive já é distribuído nesse formato (não no Ubuntu, pra variar). O maior problema é o Wine
Anderson Silva
Até entendo em relação aos "abandonware" mas o lado que mais pesa na minha crítica é q tem dev lançando coisa, atualizando coisa e tudo ainda 32-bit - os jogos da própria Valve, pra dar um bom exemplo: todos 32-bit e todos recebem atualizações pelo menos 1x por mês pra corrigir um ou outro bug.Se fosse um dev sozinho, sem muito recurso ou tempo pra focar.Ah, e tem mais uma coisa que lembrei agora: E se o SO parar de atender X demanda, por que não virtualizar uma versão anterior? Hoje em dia qualquer PCzinho fuleirinho do milhão é bem capaz de rodar um VirtualBox ou VMware Player com um WIndows 7 ou Ubuntu antigo, que seja...
Anderson Silva
Mohjangg
Robert Rey
Existe jogos no Linux? Edit: Tem Tux Kart!
Mike Cross
Isso não é de hoje. Games sempre foram vítimas desse problema de não poder preservar sua história tão facilmente. Muito jogo se perde pois envolvem licenças já expiradas e devs que já faliram, estando fadados a estarem presos na sua plataforma original (isso de forma legitma). E isso tbm acontece muito no PC. Muitos games da LucasArts simplesmente não podiam ser adquiridos legalmente por um bom tempo, até que finalmente eles foram remasterizados.Por essas e outras que há uma discussão forte em relação a considerar a distribuição livre de abandonwares como pirataria ou não.
Avatar
Maldade KKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Matheus Fantinel
Felizmente há a existência dos Flatpaks, os quais até onde sei esse tipo de medida não afetaria. Mas como é uma tecnologia jovem ainda tem umas limitações.
José Vieira
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Pior!
lobisomem
exatamente isso. Não sei se encaixa nisso, mas a preservação histórica de uma comunidade gigantesca, de emuladores, softwares antigos etc, que dedicam horas e horas estariam em risco, se essas medidas começassem a se popularizar. Ainda mais numa comunidade tão aberta quanto a do Linux.
Fernando Val
Estou esperando um usuário Windows, espantado com esse artigo, questionar a existência de jogos no mundo do pinguim.
Matheus Fantinel
Não é bem isso; a grande maioria dos apps que usamos no desktop são 64-bit já, incluindo o Steam (no Ubuntu, pelo menos).O problema todo é com software legado: jogos, ao contrário dos demais aplicativos, geralmente são abandonados logo após o lançamento. Mesmo o Steam 64-bits não iria conseguir rodar esses jogos mais antigos.O Wine também, visto que utiliza bibliotecas 32-bits dos programas de Windows.O maior problema em si é esse.Edit: comecei a escrever antes de ver o comentário do Mike.
Mike Cross
Bem, dando uma de advogado do diabo, tanto a Steam como o Wine exigem suporte pra 32 bits muito por conta do fato deles rodarem conteúdos que tem apenas essas versões disponíveis (no caso da Steam seriam jogos mais antigos e no caso do Wine muitos programas legado de Windows).A propósito, sistemas legados vira e mexe sempre viram pauta de discussões acaloradas. Pelo visto ainda há muita coisa em tecnologia que não é pensada pra ser future-proof...
Anderson Silva
Ao invés dessa galera tomar vergonha na cara e atualizar seus apps para 64-bit, consequentemente melhorando a performance e abrindo suporte a tudo o que essa arquitetura permite de maior, não... "vamos boicotar a plataforma pois ela não favorece mais que permanecemos no estado de inércia do desenvolvimento de nossas ferramentas"!Sabe o q é mais curioso? a Apple tá fazendo a mesmíssima coisa agr. (desativando totalmente o suporte a 32-bit) no BETA do macOS Catalina e ngm. falou um nada, muito pelo contrário; to vendo um movimento cada vez maior de desenvolvedores ajustando-se pra não deixar de rodar seus apps no próximo macOS.E diga-se de passagem, o próprio Steam ainda tem o launcher do app, no macOS, em 32-bit. Eles vão esperar parar de funcionar e boicotar a Apple, também?