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O Ubuntu Linux é tão popular que tem vários “sabores”; veja quais são

O Ubuntu Linux é seguido de perto por distribuições derivadas, como Kubuntu e Xubuntu; conheça as principais variantes

Emerson Alecrim
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Os vários sabores do Ubuntu Linux (imagem: Guilherme Reis/Tecnoblog)
Os vários sabores do Ubuntu Linux (imagem: Guilherme Reis/Tecnoblog)

É tradição. A Canonical sempre lança uma versão do Ubuntu em abril e em outubro. O que também é tradição é o fato de essa distribuição Linux ter variantes. Muitas variantes. Algumas são muito conhecidas, como o Kubuntu e o Xubuntu. Mas os outros “sabores” são tão ou mais interessantes. É o que você descobrirá nas próximas linhas.

Você também vai descobrir que a maioria desses projetos é respaldada pela própria Canonical e por colaboradores da versão original. Esse é um fator que contribui bastante para existir um ecossistema em torno do Ubuntu.

Antes de prosseguirmos, saiba que as palavras “sabor” e “sabores” aparecerão com frequência no texto para designar as variantes reconhecidas oficialmente. Não gosto muito desses termos, mas eles são usados, em inglês (flavour, flavours), pela própria Canonical e pela comunidade. Convém seguirmos pelo mesmo caminho.

As variantes vêm dos primórdios do Ubuntu

A primeira versão oficial do Ubuntu, a 4.10 (codinome Warty Warthog), foi lançada em outubro de 2004, com base no Debian. A numeração indica o ano e o mês de lançamento (4 em alusão ao ano de 2004; 10 sobre o mês de outubro). Essa é a razão para a sequência não ter começado com 1.

Naquela época e nos anos seguintes, era comum o Ubuntu ser distribuído em CDs. Essas mídias podiam ser encontradas em encartes de revistas ou em eventos sobre software, por exemplo. Também era possível pedir CDs no site da distribuição, gratuitamente.

Imagino que os CDs contribuíram para o Ubuntu se tornar popular. Era legal ter uma mídia original em mãos. Porém, pouca gente sabe que alguns sabores do Ubuntu também chegaram a ser distribuídos em mídia física.

CDs do Ubuntu e variantes; o Edubuntu é um sabor descontinuado (imagem: Bartosz Senderek/Wikimedia)
CDs do Ubuntu e variantes; o Edubuntu é um sabor descontinuado (imagem: Bartosz Senderek/Wikimedia)

Isso porque as primeiras variantes, a exemplo do Kubuntu, surgiram pouco tempo depois do lançamento da distribuição original. A ideia de criar projetos paralelos é mantida até hoje, afinal, essa é uma forma de fazer o Ubuntu atender a um público variado. A lógica é um tanto óbvia: cada sabor oferece experiências diferentes em relação aos demais.

Sem mais demora, vamos às principais variantes, começando pelas mais antigas. Em comum, praticamente todas trazem a característica de serem atualizadas simultaneamente ou pouco tempo depois de o Ubuntu original ganhar uma nova versão.

Kubuntu: com KDE e bastante personalizável

Lançado em 2005, provavelmente, o Kubuntu ocupa o posto de projeto derivado do Ubuntu mais popular que existe. A letra ‘K’ no nome aponta o motivo: essa distribuição traz o ambiente de desktop KDE Plasma como padrão.

O Ubuntu original tem como base o Gnome, um ambiente de desktop focado em facilidade de uso e que vem com diversas ferramentas direcionadas ao usuário doméstico.

Não é diferente com o KDE Plasma. Esse ambiente também é de fácil utilização e oferece ferramentas interessantes, além de, na minha opinião, ter um visual bastante agradável.

Mas os numerosos recursos de personalização talvez sejam o ponto mais forte do Kubuntu. É fácil modificar elementos estéticos e funcionais do ambiente para deixar a distribuição com a sua cara.

Kubuntu 22.04 (imagem: divulgação/Kubuntu)
Kubuntu 22.04 (imagem: divulgação/Kubuntu)

Lubuntu: quase minimalista

Se o Kubuntu aparece com uma alternativa para quem não curte o Ubuntu com Gnome, o Lubuntu persegue um objetivo mais prático: ser leve e focado em funcionalidades essenciais. Por conta disso, essa é uma opção interessante para uso em computadores antigos ou com poucos recursos de hardware.

Para você ter ideia, há relatos de que o Lubuntu roda relativamente bem em máquinas com apenas 1 GB de RAM (mas é claro que uma quantidade maior é desejável).

Em grande parte, isso é mérito do ambiente de desktop do Lubuntu. O LXQt, como é chamado, foi desenvolvido justamente para ser leve e priorizar os recursos mais importantes. Podemos dizer que há pouco ou nenhum espaço para “perfumaria” aqui.

A primeira versão do Lubuntu surgiu em 2009.

Lubuntu 22.04 (imagem: divulgação/Lubuntu)
Lubuntu 22.04 (imagem: divulgação/Lubuntu)

Xubuntu: ainda mais leve

A essa altura, você deve ter reparado que as principais variantes trazem o nome Ubuntu precedido de uma letra que faz referência ao ambiente de desktop. O Xubuntu não é exceção. Essa distribuição se destaca por trazer o Xfce como padrão.

Com mais de 25 anos de existência, esse é um ambiente leve (provavelmente, mais do que o LXQt) e ainda mais focado em recursos básicos. Tanto é assim que você pode ter a impressão de estar diante de um sistema operacional lançado nos anos 2000.

Isso não chega a ser um problema, que fique claro. Na verdade, a simplicidade do LXQt contribui para o Xubuntu ser uma distribuição não só leve, mas também bastante estável, mesmo se você executá-la em um computador antigo.

O Xubuntu surgiu em 2006.

Xubuntu 22.04 — simplicidade é a palavra de ordem aqui (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
Xubuntu 22.04 — simplicidade é a palavra de ordem aqui (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Ubuntu Mate: bonito, leve e funcional

Aqui, a distribuição poderia ter recebido o nome “Mubuntu”. Mas alguém pode ter achado que essa brincadeira perdeu a graça, afinal, o nome escolhido foi Ubuntu Mate.

Convenhamos que é um nome interessante. Mas o que importa é saber que o Mate é um ambiente de desktop baseado no Gnome 2. Por essa razão, o Ubuntu Mate traz um visual mais clássico, por assim dizer, mas ainda bonito e funcional.

O projeto foi lançado em 2014.

Ubuntu Mate 22.04 (imagem: divulgação/Ubuntu Mate)
Ubuntu Mate 22.04 (imagem: divulgação/Ubuntu Mate)

Ubuntu Budgie: lembra o macOS, mas não muito

Lançada em 2016, o Ubuntu Budgie é uma das variantes mais recentes do Ubuntu. O projeto tem como base um ambiente de desktop chamado… Budgie. Este, por sua vez, faz parte do Solus, uma distribuição Linux que não tem ligação com o Ubuntu.

O ambiente de desktop faz o Ubuntu Budgie lembrar, ainda que vagamente, o macOS. Isso porque a distribuição tem uma barra de aplicativos na parte inferior (mas que pode ser reposicionada) que lembra o Dock do sistema operacional da Apple. Os ícones na ponta superior direita também remetem ao macOS.

Ubuntu Budgie (imagem: divulgação/Canonical)
Ubuntu Budgie (imagem: divulgação/Canonical)

Ubuntu Kylin: direto da China

O Ubuntu Kylin é uma variante criada em 2013 para atender aos interesses de usuários chineses. Esse direcionamento vai além do suporte ao idioma. A distribuição traz aplicativos nativos que são pensados justamente para usuários do país.

Aqui, o ambiente de desktop é o UKUI (Ubuntu Kylin User Interface), uma variação do Mate. E, sim, a versão atual lembra o Windows 11 ou até o Windows 10, mas só na área de trabalho.

Ah, apesar do foco no público chinês, o Ubuntu Kylin é compatível com inglês e outros idiomas.

Ubuntu Studio: para os criativos de plantão

Eis a variante do Ubuntu que eu mais admiro. Eu não a uso, mas considero o projeto muito interessante. Motivo: a distribuição é direcionada a quem trabalha com imagem, áudio ou vídeo. O nome já dá uma pista, né?

Para atender a esse público, o Ubuntu Studio traz uma série de ferramentas de edição e criação. Na parte de áudio, por exemplo, há sequenciador, sintetizador, mixador, entre outros.

Entre os vários softwares disponíveis, encontramos:

  • FFmpeg (framework de mídia)
  • Openshot (edição de vídeo)
  • Darktable (tratamento de fotos)
  • Blender (modelagem 3D)
  • Inkscape (vetorização)
  • Gimp (edição de imagens)
  • Audacity (edição de áudio)
  • Guitarix (amplificador virtual)

Além de trazer uma série de ferramentas específicas para criadores ou editores, o Ubuntu Studio tem um kernel low latency (baixa latência), que é próprio para aplicações que exigem menor tempo de resposta no processamento de tarefas.

Lançada em 2007, hoje, a distribuição tem como base o ambiente de desktop KDE.

Ubuntu Studio: para criativos (imagem: divulgação/Ubuntu Studio)
Ubuntu Studio: para criativos (imagem: divulgação/Ubuntu Studio)

Algumas variantes “não oficiais”

Podemos dizer que o Ubuntu tem dois tipos de projetos derivados. No primeiro tipo encontramos os “remixes”, ou seja, as distribuições que mantêm o Ubuntu como base, mas mudam elementos visuais e funcionais.

O segundo tipo envolve projetos que são baseados no Ubuntu, mas que resultam em em uma distribuição praticamente nova. Um exemplo notável é o Linux Mint 20.3, que tem como alicerce o Ubuntu 20.04 LTS.

Para muita gente, reximes são interessantes por terem propostas diferentes, mas preservarem a essência da distribuição da Canonical. Até o nome Ubuntu costuma ser mantido, de uma forma ou outra, como você deve ter percebido.

A parte mais interessante é que a maioria dos projetos derivados oficiais começou de modo independente. O reconhecimento pela Canonical e a comunidade do Ubuntu como “sabor oficial” veio depois.

Tomemos como exemplo o Ubuntu Budgie. Em novembro de 2016, os desenvolvedores do projeto anunciaram o reconhecimento da distribuição como sabor:

A equipe do budgie-remix tem o prazer de informar à comunidade que o Ubuntu Technical Board concedeu à nossa distribuição o status oficial de sabor. Temos a satisfação de nos juntar e fazer parte da grandiosa família Ubuntu. A partir de hoje, a distribuição será conhecida como Ubuntu Budgie.

Há mais projetos que podem seguir por esse caminho. Dois que destacam são o UbuntuDDE Remix e o Ubuntu Cinnamon Remix.

UbuntuDDE Remix: desktop simpático

O UbuntuDDE Remix surgiu em 2020, na ocasião, com base no Ubuntu 20.04 LTS. O projeto é mais um que segue a proposta de manter a distribuição original como base, mas colocar sobre ela um ambiente de desktop diferente.

Aqui, o ambiente em uso é o Deepin Desktop Environment (DDE), que tem as suas origens em outra distribuição Linux: o Deepin, projeto de uma empresa chinesa.

Na atual fase, o UbuntuDDE Remix chama a atenção por ter um visual bastante agradável, que mistura ícones bem feitos, menus organizados e efeitos de transparência, por exemplo.

O simpático UbuntuDDE (imagem: divulgação/UbuntuDDE)
O simpático UbuntuDDE (imagem: divulgação/UbuntuDDE)

Ubuntu Cinnamon Remix: personalizável e estável

Eis outra distribuição relativamente nova. A primeira versão do Ubuntu Cinnamon Remix foi lançada em 2019, com base no Ubuntu 19.10. Para quem conhece o já mencionado Linux Mint, Cinnamon não é um nome estranho. Trata-se do ambiente de desktop da distribuição.

Pois bem, a proposta do Ubuntu Cinnamon Remix é dar espaço para o ambiente padrão do Linux Mint, mas mantendo o Ubuntu como base. A distribuição não é tão bonita quanto o UbuntuDDE Remix. Por outro lado, os recursos de personalização e o bom desempenho aparecem como pontos positivos.

Ubuntu Cinnamon (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
Ubuntu Cinnamon (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Ubuntu Unity: a resistência

Eu quase deixei o Ubuntu Unity de fora desta seleção, por puro esquecimento. Não seria justo. Esse também é um remix que vale a pena ser mencionado. Lançado em 2020, o projeto tem a proposta de manter acessa a chama da interface Unity.

Talvez eu tenha sido romântico demais, mas explico a dramatização. O Unity foi desenvolvido pela própria Canonical como alternativa ao Gnome, em 2011. A ideia era oferecer uma experiência de uso unificada, tanto em desktops quanto em celulares e tablets. Mas o projeto foi abandonado em 2017.

A Canonical pode até ter desistido da interface, mas muitos desenvolvedores e usuários permaneceram fiéis ao projeto. O resultado é o Ubuntu Unity, que traz a interface como recurso padrão.

Ubuntu Unity (imagem: divulgação/Ubuntu Unity)
Ubuntu Unity (imagem: divulgação/Ubuntu Unity)

Com qual Ubuntu eu vou?

Com tantas opções, fica difícil escolher uma distribuição Ubuntu para usar. Da minha parte, fazer uma recomendação também é difícil, afinal, necessidades e gostos pessoais precisam ser levadas em conta aqui.

Mas, com base nas experiências que já tive, acredito que posso dar algumas dicas. A primeira é: opte pelo Ubuntu original se você for iniciante nesse ecossistema. Assim, você conhece a proposta da distribuição e, depois, se experimentar variantes, conseguirá fazer comparações mais precisas.

Só para constar, o Ubuntu original, versão 22.04 (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
Só para constar, o Ubuntu original, versão 22.04 (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Para quem não gosta do Ubuntu com Gnome, mas faz questão de algo consolidado, o Kubuntu tende a ser a melhor alternativa. Mas, para quem quer dar sobrevida a um PC antigo ou com hardware “mais ou menos”, Lubuntu, Xubuntu e Ubuntu Mate aparecem como as opções mais interessantes.

Agora, se você quer experimentar algo mais ousado, o Ubuntu Budgie, o Ubuntu Kylin e o UbuntuDDE Remix podem valer a pena. Admito ter muita simpatia por este último.

É claro: se você conhece ou usa alguma das distribuições mostradas aqui, não deixe de contar a sua experiência na comunidade do Tecnoblog (link abaixo).

Emerson Alecrim

Autor / repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais, negócios e transportes. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém um site chamado InfoWester.

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