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Marcos Pontes e presidente dos Correios não confirmam privatização da estatal

Jair Bolsonaro reafirmou intenção de privatizar Correios; ministro diz que processo deve contar "com a participação de todos"

Felipe Ventura Por

O ministro Marcos Pontes e o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto, esclareceram em uma audiência na Câmara dos Deputados que a privatização da empresa não começou nem foi aprovada, pelo menos por enquanto; e que o processo deverá contar “com a participação de todos” se realmente ocorrer. A estatal é vinculada ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação). Em outro evento, o presidente Jair Bolsonaro reafirmou a intenção de privatizar os Correios.

Foto por Marcos Oliveira/Agência Senado

Pontes disse na audiência que “não existe nenhum procedimento de desestatização ou privatização para nos preocupar neste momento”. Se a privatização for aprovada, ela deverá ser “feita da melhor forma possível, com a participação de todos”, afirmou o ministro.

“O que temos hoje de concreto é trabalhar para que os Correios sejam sustentáveis em termos econômicos e financeiros. De concreto, é isso que a gente tem de determinação”, disse Pontes. A audiência estava sendo acompanhada principalmente por funcionários da estatal.

Menos de uma hora depois, Bolsonaro afirmou em outro evento: “vamos privatizar os Correios”. Ainda na audiência, Pontes tentou explicar a aparente contradição: “estou transmitindo a informação dele de ontem”. O ministro havia questionado o presidente sobre o assunto no dia anterior, e ele disse que a privatização “está na minha cabeça, mas não significa que vai ser agora”.

O Ministério da Economia já realiza estudos sobre a venda dos Correios para o setor privado. Em junho, o general Juarez Aparecido da Paula e Cunha foi demitido da presidência da estatal após criticar a possível privatização da empresa. Para Bolsonaro, ele agiu “como sindicalista”.

Márcio Nascimento/ASCOM - MCTIC/Flickr

Marcos Pontes e Jair Bolsonaro

Presidente dos Correios dá opções de desestatização

Durante a audiência na Câmara, o presidente dos Correios reiterou que a privatização não foi aprovada. No entanto, ele mencionou duas “alternativas de desestatização”: uma delas é incluir a empresa diretamente no PND (Plano Nacional de Desestatização).

Isso requer uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e um projeto de lei ordinária a ser analisado pelo Congresso. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a privatização de qualquer estatal controlada pela União deve ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

A segunda opção é utilizar o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) para definir “cenários” sobre qual modelo de privatização adotar.

O PPI, vinculado à Casa Civil da Presidência da República, foi criado em 2016 “com a finalidade de ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada”, de acordo com o site oficial. O programa atua como órgão gestor de parcerias público-privadas federais e participa do Conselho Nacional de Desestatização.

Com informações: Estadão, UOL.

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SignaPoenae

Nessa mesma matéria:

"Ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que informações do instituto não são incorretas".

Pela BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49256294


"O ex-diretor disse ainda que o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ignorou alertas feitos por ele desde janeiro deste ano, de que
havia um problema de interlocução entre o Inpe e Salles (ministro do meio ambiente)."


"No dia seguinte, o diretor do Inpe concedeu entrevista defendendo as
informações produzidas pelo instituto e criticando as declarações do
presidente. Finalmente, na manhã da sexta-feira (02), Galvão foi
informado por Marcos Pontes de que seria demitido".

Ou seja, o cara foi demitido simplesmente porque os dados sobre o desmatamento foram questionados pelo presidente (que não entende nada de ciência) apenas por serem indesejáveis. Está claro que Pontes foi conivente com essa decisão, ao invés de defender os dados do instituto e deus cientistas e pesquisadores.

Rod

Ou seja, tá apoiando a socialização do prejuízo?

johndoe1981

Não falei isso, mas essa é a realidade pra quem mora na periferia da economia brasileira, quer você concorde ou não. E eu moro em uma capital do Nordeste pra deixar claro.

raphael_silva
Carlin

Justamente, é um projeto grande, porém necessário, não da pra continuar sendo refém das estradas, é necessário pensar em meios para rápidos, e seguros para escoar a produção/entregas pelo país!

Gustavo Souto

Resumindo, quem não mora no Sul/Sudeste tem mais é que se fuder, né?

Uriel Dos Santos Souza

Nossos problemas de violência é o êxodo rural. Que só gera violência e desemprego. Resultado de medidas ruins do passado.

Uriel Dos Santos Souza

Argumento fraco.

Uriel Dos Santos Souza

O motivo da liderança em serviço de encomendas é que são isentos de impostos.

O que as privadas não são!
Liderança em grandes cidades.

Pois nas pequenas só tem correios.

johndoe1981

Frete para os estados fora do Sul e Sudeste sempre foi caro e nem por isso as lojas faliram ou funcionários foram demitidos. Eu diria até que a parcela de consumidores online do Norte e Nordeste é desprezível comparado ao Sul e Sudeste.

Francisca Robéria

A verdade é que a privatização não atende aos interesses da população, pois os Correios mantém os preços acessíveis e com relativa qualidade, atendendo principalmente as localidades menos rentáveis, onde não há interesse de empresas privadas. Além da função social, os Correios ajudam à manter os preços justos e acessíveis no transporte de mecadorias, contribui com o controle da inflação.

André Wallisson

Os empregos nas fábricas localizadas nos grandes centros são resultado do consumo de pessoas que moram no c* do mundo também. Se essas pessoas que moram no c* do mundo não comprarem mais por causa do frete caro, as pessoas que não moram no c* do mundo vão perder seus empregos e vão tudo se fod**

André Wallisson

O problema é o seguinte: se uma empresa vende para o Brasil todo ela ganha mais e gera mais emprego onde suas instalações estão. Se os preços do frete para as demais regiões ficarem altos, o sul-sudeste venderá menos, produzirá menos e consequentemente não poderá manter os empregos de quem mora no sul-sudeste

Gedson Junior

Eles arrumam outra desculpa. Tipo “o governo dificulta a concorrência”.

André Wallisson

A maioria dos trabalhadores dos Correios são concursados. Os cargos dos políticos dentro da empresa são uma minoria.
A ideia é combater a corrupção e melhorar os serviços. E isso dá pra fazer sendo pública.

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