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Google quase publicou 100 mil raios X com informações de pacientes

Raios X tinham informações que poderiam ser usadas para identificar pessoas, gerando problemas legais e de privacidade

Paulo Higa Por
15/11/2019 às 16h34

Mais um projeto de saúde do Google enfrenta problemas de privacidade: a empresa quase divulgou mais de 100 mil imagens de raios X de humanos, mas cancelou a publicação porque parte dos arquivos continha informações que poderiam identificar pacientes. A notícia chega na mesma semana em que o Google passou a ser alvo de uma investigação por coletar dados médicos sem autorização.

Raio X (Foto: Pixabay)

O incidente não se tornou público, mas o Washington Post conversou com uma pessoa próxima ao caso. Segundo a fonte, o Google recebeu uma ligação dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) dois dias antes do lançamento do projeto de raios X, previsto para meados de 2017. O conglomerado de centros de pesquisa do governo americano alertou que alguns arquivos continham informações pessoais, o que causaria problemas legais e de privacidade.

Apesar de ter cancelado a publicação dos arquivos de raios X, o Google está sofrendo pressão por supostamente não ter se preocupado com a proteção dos dados. De acordo com o jornal, nenhum dos pesquisadores do Google teve que assinar um contrato que cobrisse a privacidade das informações dos pacientes. Além disso, o Google teria se apressado em anunciar o projeto sem verificar previamente se os dados estavam seguros.

Em comunicado, o Google diz que já excluiu todas as imagens dos sistemas internos da companhia e não buscou novos trabalhos com o NIH, que havia fornecido os raios X. A empresa afirma que “toma muito cuidado para proteger os dados dos pacientes e garantir que as informações pessoais permaneçam privadas e seguras”. Segundo o Google, o projeto não violou nenhuma lei federal de privacidade.

O Google também enfrenta uma investigação devido ao Project Nightingale, que visa criar um prontuário digital avançado. Cerca de 150 funcionários teriam acesso a nomes de pacientes, datas de nascimento, resultados de exames, registros de hospitalização e histórico de diagnósticos, desde o final de 2018. Os dados vieram da Ascension, que responde por um dos maiores sistemas de saúde dos Estados Unidos, mas os pacientes não foram avisados sobre o acesso a seus prontuários por parte do Google.

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