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Nubank compra corretora Easynvest e quer simplificar investimentos

Corretora de investimento Easynvest tem 1,5 milhão de clientes e R$ 20 bilhões sob custódia; Nubank não informou valor da compra

Paulo Higa Por

O Nubank anunciou nesta sexta-feira (11) que fechou um acordo para comprar a Easynvest, corretora digital com 1,5 milhão de clientes. A aquisição marca a entrada do Nubank no mercado de investimentos e “acontece em um momento de franca expansão do setor”, diz o banco em comunicado. O negócio ainda precisa ser aprovado pelo Banco Central e pelo Cade.

Nubank

A compra da Easynvest pelo Nubank já era alvo de rumores nas últimas semanas. A corretora afirma ter mais de R$ 20 bilhões em custódia e 400 produtos financeiros, incluindo ações, opções, Tesouro Direto, fundos imobiliários e previdência privada; nenhum desses é oferecido atualmente aos quase 30 milhões de clientes do Nubank.

Por enquanto, nada muda para os clientes do Nubank ou da Easynvest, mas a intenção é “integrar” os produtos no futuro. “As empresas permanecem operando normalmente e de maneira independente. Um grupo de trabalho será formado para planejar os próximos passos de integração dos serviços, a ser iniciada após aprovação dos reguladores”, diz o Nubank.

Nubank promete simplificar investimentos no Brasil

Easynvest + Nubank

O Nubank, que começou oferecendo cartões de crédito sem anuidade em 2014, soma mais de 15 milhões de titulares. Além disso, 26 milhões de brasileiros utilizam a NuConta. O CEO David Vélez diz que o objetivo é replicar o modelo do Nubank também no mercado de investimentos, que “ainda é muito complexo, com produtos caros e muitas distorções”.

Segundo o Nubank, o mercado de investimentos está crescendo no Brasil, especialmente devido à redução na taxa básica de juros, que está em 2% ao ano, menor patamar da história. Com rendimentos menores na caderneta de poupança e renda fixa, mais pessoas têm optado por ações, o que elevou o número de investidores pessoa física na B3 em 76% entre dezembro de 2019 e agosto de 2020, para quase 3 milhões.

Outros bancos também tentam crescer no mercado de investimentos. O Itaú comprou 49,9% da XP Investimentos por R$ 6 bilhões em 2017. A Neon Pagamentos adquiriu a Magliano, corretora mais antiga da bolsa, em julho de 2020. E o Bradesco tenta fortalecer a corretora Ágora, que centralizou as operações de varejo de investimentos do banco.

Já o Nubank comemora o crescimento da base, principalmente nas faixas etárias mais avançadas, em meio à pandemia: “Mais de 30 mil pessoas acima de 60 anos abriram contas a cada mês desde o início do isolamento social. Entre abril e junho, o volume de novos clientes nessa faixa foi 50% maior do que no mesmo período do ano passado”, diz a fintech.

O valor da transação não foi divulgado. Em junho, o Nubank levantou US$ 300 milhões, ou cerca de R$ 1,6 bilhão, em uma rodada de investimentos, e fez mistério sobre o destino do aporte. A compra da Easynvest pelo Nubank ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central e pelo Cade.

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Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Caramba, a roxinha está on fire. Espero mesmo que consigam simplificar investimentos. Temos um potencial gigante pra isso, baseado em pessoas que nunca tiveram a menor ideia de como investir.

Guilherme da Silva Manso (@GuilhermeManso)

Não tem suporte a carteiras digitais e, por isso, parei de usar. Não carrego mais cartão para lugar nenhum. Isso, em 2020, é básico para mim.
Fora que no C6, que tem uma carteira de investimentos, o dinheiro rende 102% do CDI e ainda tem a conta global.

@Fabiofs

O problema é que no C6 não rende automaticamente, é preciso ficar investindo e retirando os investimentos

Gabriel Arruda (@gdarruda)

Eu acho que carteiras automáticas são bem legais, mas não parece tão popular. Na época dos juros altos, eu achava muito prático colocar o dinheiro na Vérios que simplesmente aplicava uma estratégia padrão e ia comprando/vendendo títulos e uma parte ia para S&P500 e Ibovespa. No final, eles pegavam 1% como um fundo e achava bem prático, acessível e não muito caro.

Hoje essa estratégia simples não deve render, mas agora o Itaú tem um fundo “padrão” multi-mercado que investe em vários coisas (nacionais e internacionais) e várias estratégias. Não é a mais rentável das práticas, mas certamente é a mais prática e para quem não dedica muito tempo para isso, mais prático que ficar separando manualmente os ativos e controlando tudo.

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)

Eu invisto pela Easynvest e depois de saber essa notícia hoje, acabei reativando minha conta da Nubank, dependendo dos benefícios oferecidos para quem é da Easy, até valha a pena transformar o Nubank no meu banco principal (Atualmente meu banco principal é o Santander).

João M. (@RonDamon)

A melhor estratégia pra mim é o bom e velho buy and hold, que não tem segredo nenhum e já é bem documentado há décadas. Essas carteiras e fundos só rola se a pessoa separar uma porcentagem pequena do patrimônio pra elas.

Breno (@bbcbreno)

Comprou só pq tá na mesma paleta de cores. Próximo passo é comprar a Vivo.

RevoluçãoRoxa nunca fez tão sentido

Eu gosto da Easyinvest, inclusive, foi onde comecei a investir. Espero q a Nubank consiga fazer uma boa integração entre os serviços e consiga popularizar o investimento pro brasileiro geral, que ainda prefere a poupança.

Gabriel Arruda (@gdarruda)

Sim, mas dá mais trabalho e baixa diversificação, não é recomendado deixar tudo em ações do Brasil por exemplo. A ideia do fundo é tipo, exceto reserva de emergência e previdência talvez, você deixa que ele segue uma carteira recomendada para seu perfil de risco e você só vai aportando quanto quiser.

Não é a melhor opção de rendimento, mas seria bom ter essa opção em toda corretora/banco. Quando você entra na própria Easynvest, é só uma lista de infinitas opções de fundos, COE, CDB, Tesouro, Ações, etc. Sobra aquele dinheiro no final do mês, aí dá preguiça ficar decidindo onde faz sentido.

João M. (@RonDamon)

O problema é o custo. O que vc paga pra eles dá pra comprar mais ações. Hoje em dia tem vários serviços em português e que permitem depósito em real pra compras de ações nos EUA, como Passfolio e Avenue.

Gabriel Arruda (@gdarruda)

Ah sim, tem o custo, mas padrão de fundos de investimentos que a ideia é justamente pagar pela administração do seu dinheiro. Só que fundos é um negócio pouco acessível, entre aportes iniciais altos, baixa liquidez e mal divulgado. Para quem é rico, as condições são ótimas e vão atrás de você, o cliente só paga taxa se tiver um ganho muito alto.

Para mortais, na própria Easynvest é uma lista interminável e geralmente são desenhados com objetivos específicos (e.g. Renda Fixa, Moeda, Quanti, Fundamentalista). Mesmo que você aceite uma mordida no rendimento, não é simples escolher. Acredito que NuBank possa seguir essa linha de facilitar o investimento, com base em perfil e objetivos.

Esse fundo genérico do Itaú para o perfil tem de tudo: ouro, moeda, várias bolsas, múltiplas estratégias de ações, renda fixa nacional e estrangeira. Não daria para uma pessoa cuidar de tanta coisa com facilidade.

@Fabiofs

Apesar de não investir muito, pelo que estudei também achei ser a melhor estratégia.
Nesse caso como você faz, compra as ações por conta? Sem utilizar fundos nem nada?

João M. (@RonDamon)

Sim. Qualquer corretora hoje permite comprar ações. Tem que ter uma carteira (que nada mais é comprar várias ações de setores diferentes) diversificada e também uma outra carteira estrangeira (comentei antes dois serviços que permitem isso gratuitamente, ganham apenas o spread cambial). Clear e o banco Inter tem corretagem gratuita pra comprar ações.

ochateador (@ochateador)

Nubank + easyinvest = robinhood do brasil ?

LekyChan (@LekyChan)

Já eu mesmo tendo um celular com suporte a NFC, ainda carrego minha carteira, pois infelizmente ainda é comum dar algum erro na hora do pagamento, hoje mesmo fui num atacadista aqui perto de casa comprar sabão liquido e na hora de pagar via NFC, ficava dando erro de que eu afastei o celular, mesmo eu tocando a maquina com o celular e mantendo ele, acabei tendo que usar o cartão fisicamente.
Em questão de conta global eu preferi ir de BS2 pois o C6 cobra taxas até mesmo na emissão da 1ª via do cartão, e caso eu fique sem usar por algum motivo ele cobrará taxa por inatividade, coisa que o Bs2 não faz.

Guilherme da Silva Manso (@GuilhermeManso)

Eu já passei por esses problemas, mas o fato do meu celular oferecer o MST (patenteada pela Samsung) ajuda um pouco nesses casos. Fora que aqui em Vitória (ES) muitos estabelecimentos aceitam PicPay.

Sobre as taxas do C6, só tenho conhecimento da taxa de emissão do cartão que, em época de dólar a 6 reais, é bem pesada.