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Polícia terá acesso a rastreamento de COVID-19 em celulares em Singapura

Dados de app para rastreamento de contato poderão ser usados em investigações; decisão gera dúvidas sobre privacidade

Victor Hugo SilvaPor

No início da pandemia do novo coronavírus, o governo de Singapura criou um aplicativo de rastreamento de contato. A ferramenta foi criada para conter o avanço da COVID-19, mas, agora, passará a ser usada por agentes da polícia em investigações criminais. A decisão gerou questionamentos sobre como a privacidade dos usuários será garantida.

TraceTogether, app de rastreamento de contato de Singapura (Imagem: Reprodução)

TraceTogether, app de rastreamento de contato de Singapura (Imagem: Reprodução)

A polícia de Singapura terá acesso aos dados do TraceTogether, app lançado pelo governo em março de 2020. Segundo o ministro de Assuntos Internos de Singapura, Desmond Tan, os policiais têm autonomia para obterem qualquer tipo de dado, incluindo os do aplicativo, para suas investigações criminais.

O anúncio sobre o acesso da polícia aos dados do TraceTogether foi feito na segunda-feira (4). No mesmo dia, o aplicativo mudou sua política de privacidade. O texto indicava que as informações seriam usadas somente para fins de rastreamento de contato por pessoas que foram possivelmente expostas à COVID-19.

Agora, a política do app indica que os dados poderão ser obtidos por órgãos de segurança. “Queremos ser transparentes com você. Os dados do TraceTogether podem ser usados em circunstâncias em que a segurança e a proteção dos cidadãos é ou foi afetada”, diz a nova versão do texto. Os dados sobre outros dispositivos próximos, porém, seguirão armazenados localmente e não poderão ser acessados por terceiros.

App é usado por 80% da população de Singapura

A polícia de Singapura não detalhou quais informações do aplicativo poderão ser usadas em investigações. O TraceTogether informa que coleta o número do celular, detalhes de identificação e um ID aleatório para cada usuário — a ferramenta diz que não tem acesso a nenhum dado sobre localização, por exemplo.

De qualquer forma, ativistas pela privacidade apontam que a nova fonte de dados cria um risco do uso indevido de informações, o que pode afetar boa parte de Singapura. O app é usado por quase 80% da população do país, o que equivale a cerca de 4,5 milhões de pessoas, e se tornou obrigatório para entrar em locais como shoppings.

Com informações: Reuters, MIT Technology Review.

Comentários da Comunidade

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@Diego1

O corona vírus abriu as portas do autoritarismo.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Alguém tinha dúvida ?

Esse foi um dos grandes motivos para muitos países e cidades não adotarem o modelo fornecido por Apple e Google, que impede esse tipo de situação.

² (@centauro)

Surpresa zero.

Duas perguntas importantes são, primeiro se os dados antes dessa mudança de política também estarão disponíveis para a polícia?
Se sim, isso abre um precedente gigantesco e perigoso.
Se não, menos pior, mas péssimo ainda.

Segundo, esse aplicativo é obrigatório não só no sentido de ser legalmente obrigatório mas de ser praticamente obrigatório (tem coisa que você só consegue fazer se tiver esse aplicativo)?
Se sim, um grande problema.
Se não, menos pior, mas ainda problemático porque é muito fácil defender o discurso de que todos deveriam usar o aplicativo pelo bem da saúde pública independente do estrago à privacidade o escambau e esquecer do fato de que é possível ter um sistema desse rastreamento de contato que seja bem menos nocivo à privacidade.

Senhor ranz (@Duko)

ou seja é puro 1984, governo bolsonaro vai adorar usar isso para vigiar os opositores.

@doorspaulo

Já vou fazer meus chapéus de papel alumínio.