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Dólar Apple de R$ 13 é prenúncio de iPhones ainda mais caros

Novo iPad Pro, iMac colorido, Apple TV 4K e AirTag têm taxa de conversão de R$ 13 no Brasil; iPhone 12 roxo usa dólar Apple de R$ 10

Felipe Ventura Por

Escondido entre os anúncios do novo iPad Pro, iMac colorido, Apple TV 4K e AirTag, ficou um detalhe preocupante para os brasileiros: de acordo com um levantamento do Tecnoblog, o “dólar Apple” nesses produtos – taxa de conversão usada pela empresa em relação aos preços dos EUA – está em R$ 13. Isso indica que o iPhone 13 deste ano deve custar ainda mais caro que seu antecessor.

iPhone 12 Mini, 12, 12 Pro e Pro Max (Imagem: Divulgação/Apple)

iPhone 12 Mini, 12, 12 Pro e Pro Max (Imagem: Divulgação/Apple)

Reunimos 15 modelos dos produtos anunciados pela Apple nesta semana, incluindo versões de 128 GB e 2 TB do iPad Pro, kit com quatro AirTags, e variantes do iMac colorido. Comparando os preços cobrados nos EUA com o que será praticado no Brasil, a taxa média de conversão é de exatos R$ 13,00.

Enquanto isso, o iPhone 12 Mini e 12 padrão na nova cor roxa mantêm os preços praticados antes, de R$ 6.999 e R$ 7.999. Nos EUA, eles custam US$ 699 e US$ 799, levando a um dólar Apple de R$ 10.

No entanto, futuros iPhones podem adotar a taxa de conversão de R$ 13. Vale lembrar que, no ano passado, o “dólar Apple” sofreu reajuste: a empresa aumentou os preços do iPhone SE, XR e 11 e lançou o iPhone 12 mais caro do mundo no Brasil.

Por que dólar Apple está em R$ 13?

Alta do dólar frente ao real ao longo dos anos (Imagem: Reprodução / TradingView)

Alta do dólar frente ao real ao longo dos anos (Imagem: Reprodução / TradingView)

Por que a Apple cobra tão caro por seus produtos no Brasil? Um dos motivos é a própria cotação do dólar, que girava em torno de R$ 4 até 2019 e saltou para oscilar em torno dos R$ 5,50.

Isso afeta os custos de importação, tanto das peças para montagem local (caso do iPhone 11, XR e novo SE) como dos aparelhos fabricados no exterior. O imposto de importação, que pode chegar a 60%, também tem seu peso.

Além disso, este é um efeito do posicionamento de marca. No Brasil, produtos da Apple são vistos como símbolo de status, então há pessoas o bastante que estão dispostas a pagarem um valor mais alto. Caso contrário, a empresa já teria reduzido preços ou desistido de vender oficialmente por aqui. Em vez disso, o iPhone costuma ocupar o 5º lugar em vendas de smartphones no país.

Preços do iMac colorido, iPad Pro e rastreador AirTag

Evento da Apple teve lançamento de iMac colorido, AirTags, iPhone roxo e mais (Imagem: Reprodução/Apple)

Evento da Apple teve lançamento de iMac colorido, AirTags, iPhone roxo e mais (Imagem: Reprodução/Apple)

O Tecnoblog reuniu abaixo o preço – no Brasil e nos EUA – dos principais produtos revelados no evento Spring Loaded, com seu respectivo “dólar Apple”.

Produto Modelo Preço no Brasil Preço nos EUA Dólar Apple
AirTag pacote com 1 R$ 369 US$ 29 R$ 12,72
pacote com 4 R$ 1.249 US$ 99 R$ 12,62
Apple TV 4K 32 GB R$ 2.399 US$ 179 R$ 13,40
64 GB R$ 2.599 US$ 199 R$ 13,06
iPad Pro de 11 polegadas Wi-Fi de 128 GB R$ 10.799 US$ 799 R$ 13,52
Wi-Fi + Cellular de 2 TB R$ 25.999 US$ 2.099 R$ 12,39
iPad Pro de 12,9 polegadas Wi-Fi de 128 GB R$ 14.799 US$ 1.099 R$ 13,47
Wi-Fi + Cellular de 2 TB R$ 29.999 US$ 2.399 R$ 12,50
iMac 256 GB sem portas USB 3 R$ 17.599 US$ 1.299 R$ 13,55
256 GB com portas USB 3 R$ 20.099 US$ 1.499 R$ 13,41
512 GB com portas USB 3 R$ 22.599 US$ 1.699 R$ 13,30

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 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)

E com o guarani valorizado, não dá margem nem pra comprar no Paraguai.

Estamos ferrados.

Sérgio (@trovalds)

Ah, as simplificações.

A Apple não importa como uma pessoa física comum, então não são só 60%. Pra importar precisa pagar IPI, PIS, COFINS, ICMS e por aí afora. Daí inclua nisso a obrigatoriedade de um despachante aduaneiro pra desembaraçar isso (e/ou um contador). E ainda assim eu estou só falando da superfície da burocracia enorme que é importar como empresa.

E, ainda pra ajudar, essa conversa fiada de que o Ministério da Justiça quer que a Apple faça um Termo de Ajustamento de Conduta obrigando a empresa a vender iPhone com carregador na caixa por aqui, o que elevaria os custos ainda mais.

Ainda acho o “dólar de R$ 13” da Apple pouco. Por mim eles podiam é largar o BR à míngua. País que se preocupa mais com “carregador na caixa” do que com Segurança Pública tem é mais que ser abandonado.

Tio Quinzel (@Felipepperoni)

Falta muito pra Apple lagar o barco junto com a Sony e outros? Seguindo a linha da tendência, amanhã ao invés de 13 apples será 30 apples por um real.

Naldis (@zepolenta)

Bela passada de pano pra Apple, hein? Troca o babador que essa foi a mais.

Se analisar por essa ótica então, coloque as outras fabricantes na mesma cesta e vai ver que nem a Samsung cobra tão “caro” como a Apple. Isso é canalhice deles!

Naldis (@zepolenta)

Enquanto tiver otário disposto a pagar caro em algo “tosco” como iPhone, terá a mão santa da Apple enfiando esses preços goela abaixo do consumidor.

André (@andre00)

Por que a Apple cobra tão caro por seus produtos no Brasil?

Porque tem quem pague. E se falar que tá caro ainda te chamam de pobre ou de hater.

Tive que comprar um aparelho com iOS para trabalho e acabei pegando um iPad. É um ótimo dispositivo para consumo de mídia, mas eu sinceramente sinto como se tivesse jogado R$ 3 mil fora.

² (@centauro)

Você sairia de um mercado onde você é a quinta marca mais vendida de smartphones (que é o seu carro-chefe)?

João M. (@RonDamon)

Quanta baboseira. Ela cobra pra dar um ar de “ui premium” e não por conta de impostos. Se fosse assim Samsungs da vida custariam uma Ferrari tb. Ela deve querer é o inverso, vender ainda mais aqui pros trouxas.

Henrique Mello (@Henrique_Mello)

Por favor, explique então como produtos com a mesma equivalência de preço em dólar da Samsung não tem a mesma conversão para reais da Apple.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

A Samsung compete por preço com outros Androids e além disso é a líder no Brasil. O que lhe dá uma flexibilidade para investir localmente na fabricação e receber alguns abonos. E por ser ela quem desenvolve, produz e manufatura, trabalha com margens melhores. A Samsung produz da tela, CMOS a memórias.

E o outro fator é que a Samsung quer vender para o maior número de pessoas, porque essa é a estratégia de mercado deles. A Apple quer vender para o público alvo. Não importando a quantidade, mas sim o quando conseguem extrair desse pequeno volume.

Gigo CAP (@GigoCAP)

Só esqueceu de um detalhe (quase nada) importante.

A Apple não importa o produto a preço final pra cá. O iPhone de 1000 dólares, deve vir a 500 pela importadora - e olha lá.

A gente tem uma tributação fodida? Com certeza! Só o fato de ter imposto baseado em lucro presumido já beira o absurdo. Mas jogar tudo isso em cima dele, é muita passagem de pano.

Bruno (@Unknown)

Devíamos jogar o IPCA fora e usar só a calculadora da Apple no lugar, faz mais sentido.

Julio Andrade (@Julio)

A grande verdade é que a Apple cobra o que quiser porque tem trouxa que paga o que ela quer e ainda bate palmas e pede bis.

Felipe Cepriano (@felipecn)

Lembrando que remessa de lucro ao exterior é tão tributada quanto importação então não faz tanta diferença se você importa um produto com a margem embutida ou se importa pelo custo de fabricação e depois remete o lucro.

Pela complexidade da operação toda, com pouca chance de realmente diminuir o preço do produto, tem importadora que prefere importar por um preço que já tenha a margem embutida do que lidar com uma remessa posterior.

E o que sinto da estratégia da Apple nem é que cobram mais no Brasil, mas que não abrem mão da margem de lucro em nenhum mercado.

Até acho que existe alguma tentativa de segurar os preços de iPhone aqui, talvez o produto que a Apple se importe mais com marketshare, e dá pra notar que o dólar iPhone costuma ser menor que de outros produtos da Apple na mesma época.
Mas ainda são valores bem distantes da concorrência.

Não é só imposto, mas também não é a Apple sendo malvada e cobrando mais no Brasil - só mantém a mesma margem em todo lugar.
Enquanto as concorrentes abaixam a margem de acordo com o mercado para ganhar competitividade.

É péssimo pra mim como consumidor, mas se conseguem manter as vendas aqui sem diluir as margens… Posso achar ruim mas não nego que é uma decisão de negócios acertada.

E acho que acaba não sendo um grande problema pra Apple porque a principal saída que muito consumidor acha para economizar não é comprar da concorrência, mas comprar ~importação independente. Dando o lucro esperado pra Apple Inc., tá tudo certo.