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Nova decisão da Canonical sobre o caso Banshee gera polêmica

Empresa aceita que ganhos com MP3 sejam doados para o Projeto GNOME.

Paulo Graveheart
Por

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É, parece que pegou muito mal a decisão da Canonical de exigir que os desenvolvedores do Banshee parassem de doar o dinheiro da venda de MP3 para o projeto GNOME. Depois de muita discussão e milhares de opiniões negativas, a Canonical voltou atrás e acertou uma nova proposta com os desenvolvedores do Banshee: agora até os ganhos da Ubuntu One terão uma parte doada ao projeto GNOME!

Em comunicado oficial, o gerente de relações da Canonical Jono Bacon explicou que toda a história anterior foi na verdade um “disse-que-disse danado” e que já estava tudo resolvido com o time de desenvolvedores do Banshee. O e-mail que resolveu tudo entre a Canonical e o Banshee também foi liberado publicamente, como segue abaixo (tradução livre):

Muito obrigado novamente pela ligação, apreciamos muito sua participação e entendimento.

Como discutido, eu gostaria de frisar o plano que discutimos na ligação – e reiterar minhas desculpas e minha responsabilidade por uma situação que resultou no pior resultado possível para todos, incluindo ter colocado o time (de desenvolvedores) Banshee em uma posição desconfortável. Como segue:

  • No Ubuntu 11.04 o Banshee terá tanto a AmazonMP3 quanto a Ubuntu One habilitadas por padrão;
  • Nós vamos contribuir com 25% do obtido nas vendas pela loja Amazon MP3 para a Fundação GNOME;
  • Nós também vamos começar a contribuir com 25% do obtido nas vendas da loja Ubuntu One Music Store, realizadas tanto no Banshee quanto no Rhythmbox, para a Fundação GNOME;

Reconhecendo que é importante não apenas trazer escolhas para os usuários do Ubuntu, mas também gerar receita para continuar com o nosso investimento no Ubuntu, e para garantir que poderemos contribuir efetivamente com a Fundação GNOME – nós acreditamos que esse plano é de interesse para ambos os lados.

Ou seja: se antes o Banshee viria sem a loja da Amazon habilitada no Ubuntu 11.04, agora ela virá habilitada por padrão, mas (e aqui está o pulo do gato) apenas 25% dos ganhos serão repassados para o projeto GNOME. O resto ficará para a Canonical. Não sei quanto a vocês, mas ainda me parece meio abusivo, mesmo com 25% dos ganhos do Ubuntu One sendo doados também.

Obviamente, a notícia não repercutiu muito bem, e grandes nomes da comunidade Software Livre deixaram claro que não gostaram nada dessa história. Larry Ewing (o criador do Tux),  enviou uma mensagem para Jono Bacon, via Twitter: “Bem, esse é um jeito de fazer um porco ficar perfumado, mas eu não sairia por aí me gabando”.

Jono respondeu que “Em minha opinião, não é bem por aí. A licença do GNOME permite isso, e o dinheiro está voltando para a comunidade. Parece razoável para mim”. E tudo acabaria por aí se o próprio Miguel de Icaza, fundador do GNOME, não tivesse entrado na briga com os dois pés no peito:

Chamou a mãe de coxinha e tudo. Eu não deixava.

Ou, em bom português: “Razoável o seu nariz. Você é feio e tem cara de mamão!” (eliminamos algumas partes mais pesadas da declaração). Ninguém da Canonical ainda se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

A mensagem de Icaza repercutiu bastante, e é bem provável que até o lançamento do Ubuntu 11.04 role muita discussão sobre o assunto. E na opinião de vocês, mesmo a Canonical já tendo contribuido bastante para o GNOME, ela está certa em mudar uma função do Banshee e ainda querer a maior fatia da receita vinda das vendas de músicas que esse programa gera?

Com informações: InternetNews.com

Paulo Graveheart

Ex-redator

Paulo Henrique "Graveheart" é formado em Ciências da Computação e fez parte da equipe do Tecnoblog entre 2010 e 2014, como redator. Participou da cobertura de lançamentos no mundo do desenvolvimento de software, PCs, mobile e games. Também tem experiência profissional como desenvolvedor full-stack e technical lead.

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