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Para diretor, Brasil não tem capacidade técnica para produzir consoles da Nintendo

Renata Persicheto

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Se você foi à Brasil Game Show, ou mesmo acompanhou os acontecimentos da feira pela internet, deve ter sentido falta de um dos maiores nomes no meio da indústria de jogos. Apesar de já ter adiantado que não estaria presente nesta edição do evento, a Nintendo não prestou maiores explicações sobre o motivo de sua decisão.

Entretanto, a companhia não ficou sem se dirigir ao Brasil durante os últimos dias. Reggie Fils-Aime, diretor de operação da Nintendo na América, falou à Bloomberg em uma entrevista recente quais são as principais dificuldades neste turbulento relacionamento de longa data que a empresa tem com o país.

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Segundo Reggie, um dos principais problemas vem sendo os altos preços dos produtos da Nintendo em terras brasileiras, o que se deve, principalmente, ao fato do país não ter como suportar a produção nacional dos aparelhos. O que ocorre é que a indústria daqui precisaria de uma forma mais barata de importar as peças necessárias para a fabricação do Wii U e o 3DS, os carros-chefe da casa atualmente. Outro empecilho seria a falta de capacidade técnica do país em relação à fabricação.

Durante a conversa, Fils-Aime reconheceu a importância do Brasil para o futuro da Nintendo, dizendo que ela conhece o tamanho do potencial do mercado do país (esse papo, desenvolvido a fim de manter a conduta da boa vizinhança, nós já conhecemos, Reggie). No entanto, devido às altas taxas, não considera viável a produção local de seus produtos.

Reggie ainda garantiu que não faltaram tentativas da parte da Nintendo de trazer a fabricação para cá, mas que o negócio complica quando se fala sobre… “produtos complicados”. “Nós olhamos para isso [a fabricação dos aparelhos no Brasil] por muitas vezes”, disse.

A Bloomberg citou, para exemplificar o receio da companhia, os impostos altos do iPhone 5 aqui no país. “O Brasil é o país onde é mais caro comprar um iPhone 5, por R$ 2.299, segundo os rankings da Bloomberg. Consoles da Nintendo, também, são tipicamente vendidos por mais de US$ 1 mil no Brasil, o que é mais do que três vezes o preço encontrado nos Estados Unidos”.

Apesar da razão nas contas feitas pelo site, a justificativa de Reggie só dá mais liga à ideia do descaso que a Nintendo tem em relação aos brasileiros. Vamos nos despir dos complexos de inferioridade e pensar juntos: o Wii U, último console doméstico a ser lançado pela empresa, chegou ao mundo em novembro de 2012, há praticamente um ano. A Nintendo se esforça, desde então, para manter em fogo brando as reclamações do público do Brasil, já que o console ainda não deu as caras oficialmente em terras tupiniquins. Os últimos rumores apontam que o console deve ser lançado aqui até o final do ano.

Já Sony e Microsoft, que lançam no próximo mês seus consoles para a nova geração, fizeram o possível para que tanto PlayStation 4, quanto Xbox One, chegassem ao país no mesmo período de seu lançamento oficial. A Microsoft, inclusive, provando que não há tantas dificuldades assim em trazer a produção de seu videogame para cá, anunciou a fabricação nacional do Xbox One, que chega ao país com um preço mais competitivo que o de seu principal concorrente, custando R$ 2.299, contra os R$ 3.999 do PlayStation 4.