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A receita minúscula do XD explica por que a Adobe comprou o Figma

Gigante anunciou compra da Figma por US$ 20 bilhões na quinta-feira (15); quantia paga é 40 vezes maior do que a receita anual da startup e levantou desconfiança do mercado

Yan Avelino
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Na quinta-feira passada (15), a Adobe anunciou a compra da Figma, uma startup que desenvolve ferramentas colaborativas de design online, por nada menos que US$ 20 bilhões. Para a Adobe, a aquisição significa “reimaginar o futuro da criatividade e da produtividade”. Mas o fracasso do Adobe XD, alternativa ao Figma, explica melhor a transação: o aplicativo só gerava US$ 15 milhões de receita anual recorrente.

Adobe XD é uma ferramenta voltada para profissionais de design
Adobe XD é uma ferramenta voltada para profissionais de design (Imagem: Mika Novo/Unsplash)

O verdadeiro foco da Figma é o desenvolvimento de projetos colaborativos facilitados pela “magia” do compartilhamento. Explico: a tecnologia da empresa permite que tudo em um projeto de design seja feito pelo navegador, sem que necessariamente duas equipes trabalhem em uma mesma ideia em arquivos separados.

Embora a Adobe também tenha passado a oferecer suas soluções nesse mesmo formato, ainda havia muitos gargalos que a impedia de proporcionar um trabalho tão fluido quanto o de sua concorrente. Aliado a isso, a empresa viu toda a atenção se voltar para a Figma nos últimos anos, enquanto o Adobe XD afundava.

Na verdade, alguns rumores já ventilavam que a compra poderia acontecer, então a notícia já era dada como certa. Contudo, para seus investidores, o valor de US$ 20 bilhões pago pela startup teria sido muito acima do que ela realmente valia.

Para Shantanu Narayen, diretor executivo da Adobe, a fusão das duas empresas é “transformadora e acelerará nossa visão de criatividade colaborativa.” Por fim, a empresa confirmou que Dylan Field, cofundador e CEO da Figma, permanecerá na empresa e continuará liderando os negócios da companhia.

Receita do Adobe XD pode explicar compra da Figma

Assim que a Adobe anunciou a compra, suas ações na Nasqad começaram a despencar e caíram mais de 17%. Isso, claro, é fruto da desconfiança do mercado, que se chocou com o valor pago pela startup.

Além de preocupar os investidores, a aquisição da Figma também fez levantar as sobrancelhas dos reguladores. Para eles, a fusão das duas companhias não pode prejudicar a concorrência.

Em entrevista ao Axios, Dana Rao, conselheiro geral e diretor de finanças da Adobe, defendeu o preço desembolsado e explicou, em três motivos, porque o negócio poderá moldar o futuro das empresas.

Figma (Imagem: Alexandre Chátov/Unsplash)
Na última rodada de investimento, a Figma tinha sido avaliada em US$ 10 bilhões. (Imagem: Alexandre Chátov/Unsplash)

O Adobe XD estava fadado ao fracasso

Depois de sete anos investindo em uma ferramenta de design, o Adobe XD gerava US$ 15 milhões anualmente em receita de forma independente — contra os US$ 400 milhões gerados pela Figma.

Segundo Rao, o XD estava “na geladeira” e tinha uma equipe de apenas 20 funcionários, enquanto seu principal concorrente possui mais de 800.

Para ele, a Adobe precisa repensar a nuvem

Rao diz que o foco da Adobe é levar suas soluções para o navegador. De acordo com ele, esse negócio com a Figma poderá ajudar a companhia a “reimaginar tudo”.

Uma primeira aposta nesse novo mercado é o Adobe Express, mas Rao disse que a Figma ajudará a Adobe a se reinventar para a próxima era do design.

Reguladores não devem se preocupar

Ainda que a Figma seja uma rival direta ao Adobe XD, o executivo diz que sua aquisição não deve levantar preocupações antitruste, isto é o direito à concorrência. “Achamos que eles [reguladores] vão dar uma olhada e nos sentimos bem com os fatos”, disse Rao.

Com informações: Adobe, Axios e Bloomberg

Yan Avelino

Repórter

Yan Avelino é natural de Recife (PE) e estuda Jornalismo na UNINASSAU. Foi repórter do Portal Tracklist em 2020 e do MacMagazine, onde cobriu a WWDC em 2021. Também passou pela TV Guararapes, emissora afiliada à RecordTV em Pernambuco, atuando como produtor de reportagem da versão local do Cidade Alerta. Atualmente, é repórter do Tecnoblog.