O Linux é tão versátil que Qualcomm e Red Hat querem levá-lo aos carros

Qualcomm e Red Hat anunciam parceria para desenvolver sistemas veiculares baseados em Linux e código aberto

Emerson Alecrim
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Que o Linux roda há anos em PCs, servidores e dispositivos móveis, não é novidade. O que pouca gente sabe é que esse kernel atende a tantas plataformas que encontra espaço até em projetos, digamos, inusitados. Eis um exemplo: a Qualcomm fechou uma parceria com a Red Hat para levar sistemas baseados Linux ao interior de carros.

Linux
Linux (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Essa não é uma iniciativa exatamente nova. Como o Linux se dá bem com sistemas embarcados, soluções do tipo já apareceram em veículos de várias montadoras. Porém, tanto a Qualcomm quanto a Red Hat acreditam que é possível fazer muito mais por esse setor.

A Qualcomm fez o anúncio da parceria com certa autoridade. A companhia revelou já ter alcançado uma receita de US$ 30 bilhões no setor automotivo. Em parte, esse sucesso se deve ao ecossistema do Snapdragon Digital Chassis, que oferece justamente soluções de software para montadoras de veículos.

No lado da Red Hat, a companhia tem uma solução de código-aberto chamada Red Hat In-Vehicle Operating System. Como o nome sugere, trata-se de um pacote de software que dá forma a vários sistemas veiculares.

Só para você ter uma ideia, a GM passou a usar o Red Hat In-Vehicle Operating System há alguns meses para colocar sistemas de bordo dentro de seus carros. Entre esses sistemas estão ferramentas para conectividade, entretenimento dos passageiros, controle de funções do veículo e assistência ao motorista.

Como Qualcomm Technologies e Red Hat já vinham trabalhando juntas nesse segmento, não surpreende que ambas tenham decidido reforçar esse vínculo com uma parceria focada em Linux.

Snapdragon Digital Chassis (imagem: reprodução/Qualcomm)
Snapdragon Digital Chassis (imagem: reprodução/Qualcomm)

O que Qualcomm e Red Hat farão juntas?

Resumidamente, a ideia é integrar o Snapdragon Digital Chassis ao Red Hat In-Vehicle Operating System. Isso fará o Linux ter mais presença em carros, afinal, o kernel é justamente a base das soluções da Red Hat.

A ideia não é simplesmente desenvolver o software, mas também seguir os critérios do setor automotivo. Por exemplo, as soluções deverão receber certificações ASIL-B, que estabelecem um nível de segurança funcional bastante elevado (que perde só para o nível ASIL-A).

Quando tudo estiver funcionando, a expectativa é a de que montadoras possam não só contar com o seguimento de padrões de segurança, como também realizar atualizações de software nos veículos com mais eficiência, por exemplo.

Só não dá para esperar por resultados imediatos. As primeiras versões dos novos sistemas baseados em Linux só devem ser apresentados no segundo semestre de 2023.