Google Tradutor é mais um serviço descontinuado na China

Recurso entra na lista de insucessos ocidentais em território chinês; censura e concorrentes locais são os principais fatores da queda

Ricardo Syozi
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O Google encerrou mais um de seus serviços na China na segunda-feira (3). Sendo assim, qualquer pessoa que tentar acessar a página do Google Tradutor no país asiático acaba redirecionado para a versão de Hong Kong, que é inacessível na parte principal do território chinês. O principal motivo é o baixo uso, como afirmado por um porta-voz da empresa americana.

Logotipo do Google
Google (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A descontinuação do serviço era algo esperado, pois o aplicativo para dispositivos móveis já havia sido encerrado em 2021. Vale lembrar que o recurso de busca do Google deixou a China em 2010. Logo em seguida, Google Maps e Gmail também receberam o machado no país.

Mesmo para uma marca tão forte mundialmente, fica difícil quebrar as barreiras de censura online definidas pelo governo da potência econômica.

Além disso, não podemos ignorar o forte nome que é o Baidu nesse território. Em dezembro de 2021, por exemplo, o buscador dominava mais de 50% do mercado. Bing e Sogou estão na segunda e terceira posição, com 18% e 12% respectivamente.

Ou seja, a desculpa do “baixo uso” para o Google Tradutor faz muito sentido.

O último relatório fiscal da gigante chinesa apontou US$ 19,54 bilhões de receita, de acordo com o Pandaily. Isso pode parecer pouco perto dos US$ 257,63 bilhões do Google, mas é preciso lembrar as diferenças de localidades. Enquanto o Baidu é localizado principalmente na China, a companhia americana marca presença em diversos países.

Lista de derrotas ocidentais na China é grande

Em 2018, alguns burburinhos afirmavam que o Google estava trabalhando em uma versão de seu buscador que respeitaria as censuras do governo chinês. Contudo, acabou desistindo dos planos por causa das reações contrárias de seus funcionários.

Aparentemente, muitos afirmavam que isso tornaria a empresa uma cúmplice da opressão do país asiático. Convenhamos, não é uma tarefa fácil para uma marca americana entrar no disputado mercado da China. É preciso respeitar as regras e aceitar as demandas, algo que nem toda companhia está disposta a fazer.

Por fim, vale destacar que em 2021, Yahoo e LinkedIn interromperam por completo suas investidas na região. As razões são as mesmas de sempre: “dificuldades de ambiente para as operações”.

Essas marcas se juntam a Google, Nike, Mercedes Benz, Ebay e muitas outras na lista de fracassos dentro do território chinês.

Com informações: Cnet.

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