Linux 6.0 melhora suporte a GPUs Intel e corrige falha antiga sobre PCs AMD

Kernel Linux 6.0 também marca início de uma nova numeração: Linus Torvalds simplesmente se cansou da sequência 5.xx

Emerson Alecrim
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No último domingo (2), Linus Torvalds fez o anúncio oficial do kernel Linux 6.0. A novidade traz aquilo que a gente sempre espera de uma nova versão: otimizações e mais recursos. Os destaques vão para a correção de um problema que afeta máquinas com chip AMD há duas décadas e o suporte melhorado aos chips gráficos Intel Arc.

Linux
Linux (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Até então, a última versão do kernel era a 5.19. Se Torvalds pulou dessa para a versão 6.0, as mudanças devem ser grandes, certo? De fato, há muitos avanços aqui. A novidade traz mais de 15 mil commits, para você ter ideia.

Mas o motivo para a mudança de numeração é meramente uma questão de conveniência. Torvalds acha que a sequência anterior (5.xx) estava ficando muito grande. Olha só o que ele escreveu no anúncio oficial:

Então, como espero que fique claro para todo mundo, a mudança no número da versão principal é mais sobre eu não ter mais dedos das mãos e do pés [para contar] do que quaisquer mudanças fundamentais.

Novidades para chips Intel e AMD

Mas, sim, há novidades que vão além do senso de humor de Linus Torvalds, como já ficou claro. Para começar, o Linux 6.0 avança no suporte às placas de vídeo Intel Arc, trabalho que começou nas versões anteriores, mas que continua em andamento.

Faz sentido. Ainda que em ritmo lento, as GPUs dedicadas da Intel começam a ocupar espaço no mercado. Um exemplo é a placa Arc A770, que chegará às prateleiras a partir do dia 12. Ainda há trabalho a ser feito, mas a expectativa é a de que, no novo kernel, as GPUs da marca funcionem sem grandes problemas.

Ainda no ecossistema da Intel, o kernel Linux 6.0 traz drivers que adicionam suporte oficial a processadores Xeon de quarta geração e aos recém-anunciados chips Intel Core de 13ª geração (Raptor Lake).

Tem novidades para o universo da AMD também. A companhia forneceu drivers que melhoram o rendimento de GPUs Radeon baseadas na arquitetura RDNA 3, por exemplo.

Não termina aí. Os chips AMD Ryzen Threadripper e AMD Epyc tiveram incremento de desempenho graças a alguns ajustes no kernel, principalmente no âmbito do consumo de energia.

Neste ponto, o Linux 6.0 soluciona um problema antigo. Em 2002, o kernel recebeu uma atualização para corrigir falhas relacionadas ao gerenciamento de energia de computadores com chip AMD. O problema é que, até hoje, essa correção pode afetar o desempenho dessas máquinas.

O Phoronix relata que o Linux 6.0 absorve uma solução apresentada por um engenheiro da Intel. Esta consiste em um código que faz o recurso problemático funcionar somente com chips desta última. Neles, o problema não se manifesta.

Processador Core de 13ª geração (imagem: divulgação/Intel)
Processador Core de 13ª geração (imagem: divulgação/Intel)

O que mais?

Há várias outras pequenas novidades. Por exemplo, o Linux 6.0 traz suporte oficial a chips como Qualcomm Snapdragon 8cx Gen 3 para notebooks. Um modelo que é equipado com esse processador é o Lenovo ThinkPad X13s.

Chromebooks baseados em chips Arm também receberam atenção na nova versão do kernel.

Outros recursos incluem suporte melhorado a padrões como Risc-V, OpenRISC e LoongArch. Este último consiste em uma arquitetura chinesa de CPU cujo suporte começou no Linux 5.19.

Linux 6.0: disponibilidade

Note que Linus Torvalds anunciou a nova versão do kernel (núcleo), não de um sistema operacional completo. A chegada do Linux 6.0 às distribuições depende dos mantenedores destas.

Não tenha dúvidas de que Canonical (Ubuntu), Red Hat e tantas organizações que trabalham com Linux adotarão a nova versão. Só é necessário ter paciência. A maioria não costuma fazer isso imediatamente.

Para quem tem conhecimento para compilar o kernel manualmente em sua instalação, o Linux 6.0 já pode ser baixado do site oficial.

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