Funcionários são demitidos do Twitter por corrigir ou criticar Musk

Musk demitiu funcionário que o corrigiu no Twitter e está mandando embora quem o critica no Slack da empresa

Felipe Freitas
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Os últimos dias estão agitados para o RH do Twitter — e também para o seu dono. Elon Musk está demitindo funcionários que o criticaram no Slack. Além disso, o chefão do Twitter demitiu um funcionário que o corrigiu publicamente sobre um problema no Twitter.

Twitter
Twitter (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

De acordo com Casey Newton, do Platformer, pelo menos dez funcionários foram demitidos nesta terça-feira (15) do Twitter por críticas realizadas em canais no Slack. A plataforma é usada pela empresa para a sua comunicação interna. Na segunda, Musk demitiu um engenheiro que o corrigiu no Twitter.

Funcionários criticaram Musk por tweet sobre lentidão

As demissões começaram na madrugada desta terça-feira. O caso acontece dias depois de Musk culpar a arquitetura do Twitter por uma lentidão em diversos países. O chefão da rede social afirmou que o problema era causado pelo fato da plataforma realizar diversos chamados em servidores — mais de 1.000, disse Musk.

Em alguns canais do Slack (pelo que fica entendido no tweet de Casey Newton), funcionários criticaram a atitude do CEO. Para alguns de fora do Twitter, a publicação de Elon foi a voz da empresa dando atenção aos seus usuários e “botando ordem na casa”. Para quem trabalha na plataforma, foi uma “lavagem de roupa” em público e desrespeito com os funcionários. 

Afinal, Elon Musk poderia muito bem usar o Slack para buscar entender o problema, ouvir dos seus funcionários o motivo da lentidão e aprender como é a arquitetura do Twitter. Contudo, estamos falando de Musk, um heavy user do Twitter e um seguidor do “mostre, não conte” — espetacularizar as coisas faz parte do seu ethos.

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Newton teve acesso aos emails enviados para os funcionários demitidos. No texto, é informado que eles apresentaram um comportamento que viola o código de conduta da empresa. O irônico é que esse código não foi alterado desde que Musk entrou e empresa possuía uma cultura de valorizar a “dissidência interna” — em um sentido de estar aberto a críticas para criar confiança entre a equipe

Um dos funcionários demitidos é Yao Yue, ex-engenheira de software no Twitter desde 2010. Segundo Newton, a ex-engenheira foi uma das pessoas que criticou a atitude de “lavar roupa” em público. PhD pela Universidade de Cornell, Yue era líder da equipe responsável pela pesquisa e desenvolvimento da infraestrutura do Twitter. 

A situação da ex-empregada parece similar ao caso de Eric Frohnhoefer. Diferente da ex-colega de trabalho, Eric não usou o Slack para reclamar de Musk. Ele respondeu diretamente o agora ex-chefe no Twitter — e relembrou que ele poderia usar o Slack para resolver o problema.

Frohnhoefer, engenheiro de software do Twitter para Android, rebateu a informação que o Twitter realiza mais de 1.000 chamados em servidores, explicou para Musk o funcionamento do app, apontou melhorias a serem realizadas e ainda respondeu ataques e perguntas. Após saber da demissão, ainda foi entrevistado pela Forbes e chamou a equipe de Musk de “covardes”.

Eric Frohnhoefer explica para Musk as melhorias que devem ser feitas no Twitter (Imagem: Reprodução/@FactsChaser)
Eric Frohnhoefer explica para Musk as melhorias que devem ser feitas no Twitter (Imagem: Reprodução/@FactsChaser)

Big Brother Twitter

No fim, a lavação de roupa suja em público e foco na “espetacularização” do seu trabalho podem ser um tiro no pé de Musk. Mesmo que ele tenha ironizado a demissão desses funcionários, o currículo desses dois citados na matéria é desejado por outras empresas — destacando aqui que o Twitter não usa o GitHub

Não há apenas o problema de talento perdido (ainda mais da líder de infraestrutura), mas também que anunciantes olharão para o Twitter como um espaço onde o dono da empresa fala mal do próprio produto — e sem entender o seu funcionamento. 

Com informações: Casey Newton, The Verge e Forbes

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