OpenAI rebate Musk, expõe emails e diz que ele queria controle absoluto

Carta aberta publicada pela OpenAI divulga emails trocados entre fundadores da empresa e acusa Musk de querer controle total da instituição

Felipe Freitas
Por
ChatGPT e Sam Altman, CEO da OpenAI
Sam Altman, CEO da OpenAI, é um dos autores de carta que refuta acusações de Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
Resumo
  • A empresa de tecnologia de IA OpenAI publicou uma carta na qual contestou acusações recentes de Elon Musk.
  • A OpenAI é dividida entre uma instituição sem fins lucrativos para pesquisa e desenvolvimento e uma subsidiária com fins lucrativos, parcialmente pertencente à Microsoft.
  • Elon Musk propôs assumir o controle da divisão com fins lucrativos, o que foi rejeitado pelos outros fundadores.
  • Musk ainda sugeriu a aquisição da OpenAI pela Tesla, mas a ideia também não avançou.
  • No processo, Musk alega que houve violação do acordo para que o código-fonte da IA permanecesse aberto, mas emails revelados mostram que ele concordou com a restrição do acesso ao código-fonte para prevenir riscos.

A OpenAI publicou uma carta em resposta ao processo aberto por Elon Musk e sua acusação de que a empresa “traiu a missão”. O texto, publicado no site da companhia e assinado por seus fundadores e executivos, contesta a ação judicial e revela o passado entre a OpenAI e Musk. A criadora do ChatGPT chega a mostrar emails e comunicação trocados entre os fundadores, o que inclui o bilionário.

No texto, a OpenAI se defende da acusação de abandonar o objetivo de se tornar uma empresa com fins lucrativos. A instituição revela que, em 2017, os fundadores, incluindo Elon Musk, estavam de acordo com a ideia de criar uma segunda pessoa jurídica para arrecadar financiamento.

E é assim que a OpenAI funciona hoje: uma instituição sem fins lucrativos para pesquisa e desenvolvimento (OpenAI Inc) e a subsidiária com fins lucrativos (OpenAI, LLC) — 49% da OpenAI LLC pertence à Microsoft. Pode ser estranho uma instituição sem fins lucrativos ser dona de uma empresa com fins lucrativos (e um questionamento correto), mas esse não é o ponto do processo: Musk contesta o acordo (leia-se emails trocados) de que a OpenAI seguiria sem visar lucros.

OpenAI
OpenAI é composta por duas pessoas jurídicas: a matriz sem fins lucrativos e uma subsidiária com fins lucrativos (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Porém, a empresa peita as acusações de Musk relembrando (sim, basicamente, a ação judicial é baseada em emails) que ele propôs ser o CEO, ter ações majoritárias e controle do conselho divisão com fins lucrativos. Na época, os outros fundadores da OpenAI foram contrários a isso por considerar a ideia contrária à missão da empresa. Com a negativa, Musk sugeriu então que a Tesla adquirisse a OpenAI — esta troca de seis por meia dúzia é apresentada em um email.

O autor do email usado como base por Elon Musk teve a sua identidade preservada. Esta pessoa defende que a fusão da OpenAI com a Tesla é o único caminho viável para rivalizar com o Google (o texto parece ser de autoria de algum analista). Musk encaminha esse email para dois fundadores (Sutskever e Brockam), dizendo “na minha opinião é na de [identidade preservada], a Tesla é o único caminho”.

OpenAI: Musk entendia razão de “fechar” código da IA

No processo, Musk alega que no documento de fundação da OpenAI (que ele não anexou na ação e a empresa não comentou) foi acordado que o código-fonte da tecnologia não seria fechado. Porém, nos emails revelados pela OpenAI, Musk parece concordar com um “yup” (uma expressão equivalente ao “sim”) com o argumento do fundador Ilya Sutskever.

Imagem de Elon Musk
Segundo OpenAI, Elon Musk entendeu e estava de acordo que código-fonte não seria sempre aberto (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Musk encaminha para Sutskever e Sam Altman um email recebido por uma pessoa com a identidade preservada. No texto, esta pessoa fala dos riscos de deixar o código-fonte da IA aberta, já que uma pessoa mal-intencionada poderia desenvolver uma tecnologia perigosa para humanidade.

Sutskever responde o encaminhamento de Musk com o argumento de que, quanto mais próximo de chegar na fase final da construção da IA (algo como a primeira versão), menos sentido fará manter o código-fonte aberto.

“O “aberto” em OpenAI significa que todo mundo deve se beneficiar da IA após a sua construção, mas é totalmente ok não compartilhar a ciência (apesar de que compartilhar é, definitivamente, a estratégia correta a curto e possivelmente médio prazo para objetivos de recrutamento)”

lya Sutskever, em parte do email para o qual Musk respondeu com “yup”.

Com informações: The Verge (1 e 2)

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Felipe Freitas

Felipe Freitas

Repórter

Felipe Freitas é jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor. Na cobertura tech desde 2021 e micreiro desde 1998, quando seu pai trouxe um PC para casa pela primeira vez. Passou pelo Adrenaline/Mundo Conectado. Participou da confecção de reviews de smartphones e outros aparelhos.

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