Sai Bob Chapek, volta Bob Iger; ex-CEO retorna ao comando da Disney

Bob Chapek, que há poucos meses havia renovado seu contrato para mais três anos, foi tirado do cargo pelo conselho administrativo da Walt Disney

Paula Alves
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Neste domingo (20), uma notícia surpreendeu entusiastas e profissionais da indústria do entretenimento: Bob Iger, ex-CEO da Disney, votou ao cargo pelo qual atuou durante quinze anos. O empresário havia saído da posição em fevereiro de 2020, quando nomeou Bob Chapek, presidente da Disney Parks, Experiences and Products, como seu sucessor.

Sai Bob Chapek, volta Bob Iger; ex-CEO da Disney retorna ao comando da empresa / Reprodução / Twitter Bob Iger
Bob Iger com Tom Holland (Imagem: Reprodução / Twitter Bob Iger)

Chapek, que ainda estava no comando da empresa, foi tirado do cargo pelo conselho administrativo da Disney. O anúncio da mudança foi feito por meio de um comunicado à imprensa e surpreendeu a todos pelo fato de Bob Chapek ter renovado recentemente seu contrato – que acabaria no início de 2023 – para mais três anos.

Iger, que após deixar o cargo de CEO, havia trabalhado como presidente-executivo da companhia até o ano passado, cuidando da área criativa da empresa, disse estar animado com seu retorno à posição.

“Estou extremamente otimista com o futuro desta grande empresa e emocionado com o convite do Conselho para retornar como seu CEO […] Estou profundamente honrado por ser convidado a liderar novamente esta equipe notável, com uma missão clara focada na excelência criativa para inspirar gerações por meio de narrativas ousadas e inigualáveis.”

Segundo o anúncio, Iger atuará como CEO da Disney por mais dois anos, trabalhando ao lado do conselho na formação de uma direção estratégica de crescimento da empresa e ajudando a desenvolver um sucessor para seu mandato.

Dois Bobs bem diferentes

Sai Bob Chapek, volta Bob Iger; ex-CEO da Disney retorna ao comando da empresa  / Reprodução
Bob Iger e Bob Chapek (Imagem: Reprodução)

Bob Chapek enfrentou problemas como CEO da Disney, desde quando assumiu o cargo das mãos de Iger.

Apesar de ser uma figura bastante respeitada na companhia, onde já atuava há mais de 25 anos, havia uma enorme pressão sobre sua administração, tendo em vista que o empresário estava substituindo um nome que revitalizou e transformou a Disney em uma das empresas de mídia mais bem-sucedidas do mundo.

Iger assumiu o comando a Disney em 2005, no lugar do empresário Michael Eisner. Sob sua direção, a empresa fez algumas das maiores e mais impressionantes jogadas da indústria do entretenimento, como a aquisição da Pixar, Marvel, Lucasfilm e 21st Century Fox.

Disney+ (Imagem: Reprodução/Disney)
Interface do Disney+ (Imagem: Reprodução/Disney)

Como seu substituto, no entanto, Chapek logo de cara enfrentou um período extremamente turbulento devido à explosão da pandemia do coronavírus. A situação teve um impacto direto na empresa, que se viu obrigada a fechar parques e mudar seu esquema de distribuição nos cinemas.

Além disso, Chapek foi criticado por uma série de condutas questionáveis em sua gestão.

Entre eles estava a forma como conduziu a situação judicial da Disney com a atriz Scarlett Johansson; a demora em se opor ao projeto de lei anti-LGBTQIA+ na Flórida; a demissão do presidente da Walt Disney Television, Peter Rice; e até mesmo a declaração em que sugeria que filmes de animação não eram para adultos.

Disney+ com problemas financeiros

O anúncio da saída de Chapek acontece poucos dias após a Disney divulgar seu relatório financeiro do quarto trimestre fiscal de 2022.

O conglomerado, que se mantém como o líder do mercado de streamings, possuindo o maior número de assinantes somando as suas três plataformas (Disney+, Star+ e Hulu), enfrenta, no entanto, problemas financeiros no Disney+.

Com um prejuízo de US$ 1,5 bilhão, número bem maior do que os US$ 0,8 bilhão projetado para o período, a empresa justificou seu rombo financeiro do serviço como uma consequência dos maiores custos de produção e despesas de marketing.

Além disso, segundo a Disney, o fim do Premier Access – recurso que, por uma taxa extra, permitia que assinantes conferissem títulos do cinema no próprio Disney+ –, teve um impacto grande de rentabilidade em relação ao mesmo período no ano passado.

Com informações: The Verge, Engadget e TechCrunch

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