Apple deve ter fim de ano fraco com problemas na China e nos Estados Unidos

Foxconn está com produção reduzida; cenário nos Estados Unidos também indica que a Apple terá queda nas vendas de Natal

Felipe Freitas
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O “título” da Apple de “única Big Tech a não estar em crise” pode ser encerrado nas próximas semanas. De acordo com Reuters, Forbes e Wall Street Journal, a empresa de Cupertino terá uma queda em sua receita com os problemas da Foxconn na China e com a inflação nos Estados Unidos. 

Campus "Infinite Loop" da Apple, em Cupertino, na Califórnia (Imagem: Carles Rabada/Unsplash)
Campus “Infinite Loop” da Apple, em Cupertino, na Califórnia (Imagem: Carles Rabada/Unsplash)

Como publicamos no início de novembro, a Apple divulgou um comunicado afirmando que o tempo de espera para a compra dos modelos iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max será maior do que o normal. Os protestos contra o lockdown dentro das fábricas e contra a política Covid zero afetou a fabricação dos smartphones. Entretanto, a produção só deve voltar ao patamar normal no fim do ano.

iPhone com baixo estoque afeta compras natalinas

Conforme divulgado pela Counterpoint Research, o tempo de espera para receber um iPhone 14 Pro está maior do que no lançamento. Atualmente, a média da entrega é de 37 dias, contra 32 dias na estreia do modelo.

No caso do iPhone 14 Pro Max, o tempo de espera também é de 37 dias, mas foi lançado com prazo de 39 dias. De acordo com o analista Ming-Chi Kuo, a produção do iPhone 14 Pro e do 14 Pro Max deve cair entre 15 milhões e 20 milhões de unidades. Para toda a linha, a previsão é de que a Apple entregue entre 70 milhões e 75 milhões neste período de fim de ano. No quarto trimestre de 2021, a empresa vendeu mais de 85 milhões de iPhones.

O risco que a Apple sofre é de que os consumidores, decepcionados com o prazo de entrega, desistam dos iPhones como presente de Natal. Claro, isso não significa que essas compras abandonadas só serão recuperadas no iPhone 15, mas que uma parte delas será “atrasada” para alguma outra época em 2023.

iPhone 14 Pro
iPhone 14 Pro (Imagem: Reprodução / Apple)

Foxconn operou com 20% da produção em novembro

A Foxconn, maior fabricante de eletrônicos do mundo, é uma das personagens dos atuais protestos na China. 

Com a política de Covid zero, em que um caso pode levar uma cidade à quarentena, a Foxconn pode usar o método de serviço chamado de “closed loop” — é como dormir no Twitter, mas pior. No closed loop, os funcionários passam o período do lockdown na fábrica, sem poder sair, usando os dormitórios da empresa para dormir. 

A soma da Covid zero e closed loop desencadeou uma série de protestos na China. No início, a revolta popular era apenas contra a política agressiva contra o Covid, mas agora traz também protestos contra o presidente Xi Jinping — que, conforme publicou o The Guardian, não está disposto a comprar “vacinas ocidentais” e nem será removido do cargo.

Para “aliviar os ânimos” dos funcionários, a Foxconn fez a proposta de pagar entre um a dois salários para quem pedisse demissão. Mais de 20.000 funcionários toparam a oferta. Azar da Foxconn que terá que pagar isso? Não mesmo, azar da Apple que agora precisa esperar a fabricante repor o quadro de empregados, cujo ritmo não está nada bom. 

De acordo com fontes da Foxconn, em contato com a Reuters, a previsão é que a fabricante chinesa recupere a sua produção pré-demissões no fim de dezembro ou início de janeiro. O analista Kuo afirma que a produção ficará entre 30% e 40% da capacidade neste mês.

iPhone 14 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
iPhone 14 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Apple pisa fundo para aumentar produção na Índia

Com a relação novamente conturbada entre a China e Estados Unidos, além da política de covid zero, a Apple está fortalecendo as produções em outros países. Até o fim de 2022, 5% dos iPhones 14 produzidos no mundo sairão de fábricas indianas. O plano é que, em 2025, 25% de todos os iPhones sejam fabricados na Índia.

O que atrasa essa transferência de produção é a desaceleração na economia mundial. Para cada linha de iPhone, a Apple precisa formar uma equipe que trabalhará em conjunto com as fabricantes, explicando (e traduzindo) todo o projeto do dispositivo. O que envolve também entrar em novos países, causando um novo gasto. Isso explica a vantagem em ter a “iPhone City”, maior fábrica de iPhones da Foxconn. Ela é gigantesca, tem 200.000 funcionários de acordo com a CNN, e está localizada na China, um país no qual a Apple já está instalada. 

Por mais que em 2025 a Índia deve fabricar 25% dos iPhones do mundo, o custo para que ela tome o lugar da China como maior fabricante será alto — e levará um tempo até chegar isso acontecer.

Cliente e funcionário experimentam iPhone 14
Cliente e funcionário experimentam iPhone 14 (Imagem: Divulgação / Apple)

Inflação nos Estados Unidos também prejudica Apple

Quando a Apple apresentou o seu resultado do terceiro trimestre, a previsão dos analistas era de que a venda de iPhone aumentasse 11% no Q4. Agora, a estimativa caiu para 2%. Além do já citado problema na China, a inflação nos Estados Unidos afetará o consumidor americano, principal cliente da Apple.

Porém, enquanto a queda na produção impacta os modelos iPhone 14 Pro e iPhone 14 Pro Max, a inflação afetará o iPhone 14 e 14 Plus (se bem que esse ninguém está comprando mesmo). Esses modelos, ou melhor, o iPhone 14 é o produto mais buscado para o cliente classe média, que sente mais a inflação no seu bolso. 

O Q4 é, tradicionalmente, o período de maior receita da Apple: ela lança o iPhone em setembro, abre o quarto trimestre entregando os aparelhos, pega a Black Friday em novembro e encerra o ano com o Natal. Se o lucro foi estável no Q3, o fim de ano deve trazer um revés para a Apple.

Com informações: Reuters, Forbes, Wall Street Journal e 9to5Mac

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