Antenas usadas na terra Yanomami cabem em maleta e contam com bateria

Antena T3SAT usa satélite SGDC e atinge 20 Mbps de download; Telebras já atuou em desastres de Petrópolis, Ilhéus e Brumadinho

Giovanni Santa Rosa
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Antena T3SAT, da Telebras
Antena T3SAT, da Telebras (Imagem: Divulgação / Telebras)

A ação emergencial nas terras Yanomami para combater os problemas de saúde e a desnutrição da população indígena enfrenta, também, um desafio tecnológico: a cobertura de internet. Como a reserva fica em um território isolado no estado de Roraima, a conexão não é das mais fáceis. Para auxiliar na tarefa, o Ministério das Comunicações e a Telebras vão disponibilizar 15 antenas para a região.

Os equipamentos são Terminais Transportáveis Telebras por Satélite (T3SAT). Eles se conectam ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1).

Desde 2017, o SGDC-1 já é usado para levar internet a escolas em regiões remotas. Atualmente, 9 milhões de pessoas são beneficiadas pelo satélite.

As antenas têm 76 cm de diâmetro e podem alcançar até 20 Mbps de download e 2 Mbps de upload. Elas oferecem conexão Wi-Fi para celulares e computadores.

A título de comparação, a velocidade de download é similar à do 4G das grandes operadoras, mas o upload fica bem atrás. Para uma região com conexão deficiente, deve ser um grande avanço.

O transporte é feito em maletas de 97 cm de altura, 82 cm de largura e 32 cm de comprimento. O equipamento conta ainda com bateria para ser usada durante situações de falta de energia, com autonomia de oito horas.

Ação emergencial

Não é a primeira vez que a Telebras e o Ministério das Comunicações atuam para melhorar as comunicações durante emergências. Os órgãos já agiram de forma conjunta durante os desastres causados por chuvas em Petrópolis (RJ) e Ilhéus (BA), além do rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

T3SAT em Brumadinho (MG), após rompimento de barragem
T3SAT em Brumadinho (MG), após rompimento de barragem (Imagem: Divulgação / Telebras)

Segundo Juscelino Filho, ministro das Comunicações, a ideia é auxiliar o trabalho na Reserva Indígena Yanomami. “O nosso objetivo é garantir que o atendimento à população seja feito da melhor forma possível, além de possibilitar uma comunicação dos médicos e equipes humanitárias com o restante do mundo para que a situação seja superada quanto antes”, declarou.

Jarbas Valente, presidente da Telebras, disse que “a comunicação é uma aliada essencial para que se tenha a agilidade necessária da força-tarefa nas ações de restabelecimento de saúde do povo Yanomami”.

O uso dos equipamentos é emergencial, mas há estudos para conectar as localidades de modo permanente ainda em 2023. Já existem sete antenas instaladas na região.

Com informações: Telebras 1, 2, TeleSíntese, G1.

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