Claro e Vivo têm melhor sinal 4G em estradas, mas cobertura é precária

Rodovias e vilarejos ainda sofrem com falta de sinal de celular; Claro lidera cobertura 4G em estradas federais

Lucas Braga
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• Atualizado há 2 anos e 3 meses
Antena da TIM cobre trecho de estrada em General Salgado/SP (Imagem: Reprodução/TIM)
Antena da TIM cobre trecho de estrada em General Salgado/SP (Imagem: Reprodução/TIM)

A Anatel divulgou um relatório de acompanhamento do setor de telefonia móvel, e a cobertura de celular da Claro, Oi, TIM e Vivo ainda é deficiente em estradas e localidades: apenas 46,1% de toda a malha rodoviária federal tem sinal em 2G, 3G ou 4G. A situação se agrava em localidades que não são consideradas zonas urbanas, como vilarejos e povoados.

Claro tem maior cobertura 4G nas estradas

Os dados foram obtidos pela Anatel nas rodovias federais. Veja o ranking, que considera a porcentagem de quilômetros de estradas com cobertura:

Cobertura em estradas 2G 3G 4G
Claro 27,20% 30,70% 28,80%
Oi 19,90% 12,70% 10,80%
TIM 17,60% 20,90% 26,70%
Vivo 26,10% 33,00% 28,20%

Na tecnologia 4G, a diferença entre Claro, TIM e Vivo é baixa, com apenas 2,1 pontos percentuais entre o primeiro e último lugar. Não dá para dizer o mesmo sobre o sinal em 3G: enquanto Claro e Vivo se mantêm acima dos 30%, a TIM alcança 20,9%.

Das quatro maiores empresas, a Oi tem o pior sinal em estradas federais: a operadora não alcança 20% de toda a extensão de rodovias em nenhuma das tecnologias móveis. A tele foi vendida para as concorrentes Claro, TIM e Vivo; se o negócio for aprovado pela Anatel e Cade, os clientes da empresa poderão desfrutar de uma cobertura maior.

A Anatel também destaca os dados de cobertura da Nextel, e a empresa também tinha presença tímida em estradas: são apenas 10,2% em 3G, 5,2% em 2G e 5,1% com 4G. A tele foi comprada pela Claro em 2019 e interrompeu a venda de planos.

Os dados de cobertura por rodovia, município ou localidade estão disponíveis no painel de infraestrutura da Anatel.

Anatel quer melhorar sinal de 4G em estradas

Para melhorar a cobertura de 4G em estradas, a Anatel aposta em compromissos de cobertura atrelados ao próximo leilão de frequências. Quem arrematar o lote nacional de 700 MHz terá que cobrir trechos desassistidos de rodovias federais.

O problema é que o lote de 700 MHz só pode ser arrematado por empresas que não possuam a frequência, o que exclui a possibilidade de compra por parte da Claro, TIM e Vivo. Apenas uma nova competidora poderia adquirir a licença; caso isso não ocorra, a cobertura 4G nas estradas pode ficar comprometida.

Vilarejos e outras localidades ainda sofrem com falta de 4G

Dos 5.565 municípios brasileiros contabilizados pela Anatel, 5.346 locais contam com sinal de celular 4G. Parece muito, mas a verdade é que ainda há grande deficiência tecnológica em boa parte do país.

Para considerar um município como atendido, a Anatel exige que pelo menos 80% da área urbana do distrito sede tenha cobertura. No entanto, há outros tipos de localidade não costumam receber sinal de celular, como aldeias indígenas, áreas urbanas isoladas, lugarejos, núcleos, povoados, projetos de assentamento e vilas.

O Brasil possui 21,8 mil localidades, e apenas 57,3% desse total podem contar com serviço em tecnologia 4G. Ao desconsiderar cidades e áreas urbanas isoladas, o número cai para 39,1% de locais com cobertura.

A região Norte é a mais prejudicada, e mais de 66,9% das localidades não possuem cobertura 4G. O Centro-Oeste aparece em seguida, com 52,9% dos locais sem atendimento, seguido por Nordeste (50,1%), Sul (28,9%) e Sudeste (23,58%).

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Lucas Braga

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

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