Empresa de marketing alega ouvir conversas para direcionar anúncios

Cox Media Group promete solução para direcionar anúncios com base no que as pessas falam perto de celulares e smart TVs, mas não apresenta evidências técnicas

Giovanni Santa Rosa
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Mãos de uma pessoa segurando smartphone
CMG afirma que smartphones e smart TVs podem ser usados para escutar conversas (Imagem: Unspalsh/Priscilla Du Preez)

Uma equipe da empresa de marketing Cox Media Group (CMG) alega ter capacidade técnica para ouvir conversas de consumidores por meio de microfones em celulares, smart TVs e outros aparelhos. A companhia, porém, não apresentou evidências de que realmente consegue fazer isso.

O assunto foi descoberto pelo site 404 Media. A reportagem teve acesso a materiais de vendas da empresa e uma apresentação de um representante. No LinkedIn, outro vendedor dizia para interessados na tecnologia entrarem em contato.

Por enquanto, ainda não está claro se a CMG está realmente oferecendo um produto com esta capacidade técnica ou se ela está apenas se aproveitando de uma antiga suspeita (até agora sem uma evidência conclusiva) para atrair clientes com pouco conhecimento na área.

O Tecnoblog vai acompanhar o desenvolvimento desta história e trará novas informações assim que surgirem.

Empresa não dá detalhes sobre como ouve conversas

A CMG anuncia seu produto como capaz de “direcionar propaganda exatamente para as pessoas que você procura”. Isso seria feito com base nas conversas do dia a dia.

A empresa menciona frases como “Você viu o mofo no teto?” e “Precisamos pensar seriamente em planejar nossa aposentadoria” como gatilhos para identificar alvos de propaganda.

No entanto, ela não explica como faz isso — se é usando um app ou oferecendo um kit de desenvolvimento, por exemplo. Também não diz se a tecnologia que ela alega possuir já está funcionando. O material de vendas afirma que é uma “técnica de marketing preparada para o futuro. Disponível agora”.

Pessoa segurando smartphone com a tela em branco
CMG não explica como consegue as conversas (Imagem: Andrew Guan/Unsplash)

A CMG também alega que a coleta seria legal, já que os usuários dão consentimento ao aceitar termos e condições para baixar atualizações ou apps.

Procurada pela 404 Media, a CMG não comentou o assunto.

Suspeita é antiga, mas nenhuma evidência definitiva foi encontrada

A suspeita de que smartphones e outros smart aparelhos escutam nossas conversas vem de longa data e deixa muita gente desconfiada.

Até agora, empresas como Apple e Meta negaram este tipo de prática, e os mais céticos dizem que seria impossível processar quantidades enormes de áudio sem que o usuário notasse, já que isso teria impacto no consumo de dados ou na bateria.

Grande parte dessa suspeita vem de relatos anedóticos, contados de pessoas que viram propagandas de algum produto na internet após falarem daquele mesmo assunto em uma conversa presencial.

Isso, porém, pode ser explicado pela grande quantidade de dados que as empresas têm sobre nós: cookies, histórico de buscas, interações em redes sociais, informações sobre nossos aparelhos, geolocalização e muito mais. Com tantas informações, nem seria necessário gravar conversas para adivinhar do que estamos falando.

Mesmo assim, alguns casos já chamaram atenção. O app oficial do campeonato espanhol, por exemplo, usava geolocalização e o microfone do celular para identificar transmissões ilegais das partidas da competição.

Com informações: 404 Media, Gizmodo

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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