Fundadores da Kabum acusam Itaú de fraude e pedem anulação da venda para a Magalu

Irmãos Thiago e Leandro Ramos estão processando o banco por suposto favorecimento da venda para a Magalu; ação pede que aquisição seja anulada

Felipe Freitas
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• Atualizado há 7 meses
Thiago e Leandro Ramos, irmãos fundadores da Kabum (Imagem: Divulgação/Kabum)
Thiago e Leandro Ramos, irmãos fundadores da Kabum (Imagem: Divulgação/Kabum)

Os fundadores da Kabum, os irmãos Leandro e Thiago Ramos, estão pedindo a anulação da venda da empresa para a Magalu. De acordo com os irmãos, o ItaúBBA, divisão de investimentos e negócios do banco Itaú, favoreceu a proposta da Magazine Luiza na aquisição da empresa — a maior já realizada pela varejista.

A compra da Kabum por R$ 3,5 bilhões foi realizada em julho de 2021, sendo que R$ 1 bilhão foi “pago à vista”. A Kabum é o maior e-commerce de informática do Brasil. Com a aquisição, os seus produtos são vendidos também no site da Magalu.

Atualização

A assessoria do Magalu entrou em contato com o Tecnoblog para esclarecer o caso. A empresa explicou que os fundadores da Kabum não estão pedindo a anulação da venda. Na verdade, eles questionam o assessoramento do Itaú na negociação. O Magalu também informou que Leandro e Thiago Ramos não foram demitidos, e sim afastados de seus cargos.

Fundadores da Kabum pedem anulação da venda

Os irmãos Ramos pedem que a aquisição anulada com base em acusações de que o Itaú BBA favoreceu o Magalu. No processo aberto pelos fundadores, eles afirmam que o banco agiu para que a proposta de aquisição da varejista fosse aprovada. Os irmãos dizem que o valor era impressionante à primeira vista, mas trazia um contrato “mal negociado e desvantajoso”.

Na ação judicial, os fundadores relatam que faltou competitividade no processo de vendas, além de afirmar que outros interessados na compra da Kabum foram ignorados. Leandro Ramos conta que recebeu uma ligação de Luciano Hang, dono da Havan, em 2020.

Hang queria saber por qual motivo a negociação entre as duas empresas estava parado. Leandro teria ficado surpreso com a conversa, explicando para o empresário que as negociações não estavam encerradas.

Magalu e Kabum: a amizade se compra (Imagem: Divulgação/Magalu)
Magalu e Kabum: a amizade se compra (Imagem: Divulgação/Magalu)

Na defesa, o Itaú informou que contatou dezenas de empresas para a negociação. Entre elas a própria Havan, Via Varejo, Whirlpool, Magalu e até a Americanas S.A. O banco também divulgou a seguinte nota para Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

O Itaú BBA esclarece que a operação em questão foi concluída após um processo competitivo transparente e que envolveu diversas companhias interessadas. Os acionistas do Kabum estavam absolutamente cientes de que poderia haver flutuação de valores no mercado acionário, e conduziram e tomaram todas as decisões ao longo do processo, especialmente em relação aos valores e condições da transação. Diante disso, o banco lamenta a existência de uma ação judicial sem qualquer fundamento e que tem, aparentemente, o único objetivo de causar constrangimento. Por fim, ressalta que atua sempre no melhor interesse de seus clientes, pautado nos mais severos padrões de diligência, para oferecer assessoria financeira de qualidade elevada.

Irmãos e diretores afastados da Kabum nesta semana

Os irmãos Ramos foram afastados da Kabum ontem (27), mesma data em que o Valor Ecônomico revelou a ação judicial. O jornalista Lauro Jardim divulgou que mais doze funcionários, incluindo quatro diretores, ligados aos irmãos foram demitidos. O Magalu confirmou a demissão desses diretores.

Com informações: UOL, O Globo e Metrópoles

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